O que é a desilusão? Me pergunto. Por que as pessoas estão cada vez mais desiludidas e decepcionadas com nossa educação atual? Existem inúmeros significados e exemplos que posso citar aqui. Os principais são a falta de esperança e a sensação de desapontamento. As escolas, muitas vezes, não possuem a estrutura necessária e eficaz para o desenvolvimento da criança e do adolescente. Outras não sabem como exterminar ou ao menos diminuir a violência no recinto escolar.

Há um tempo ando estudando sobre essa questão. No livro “Violência na Escola”, em que abordo o tema do bullying e o caso que chocou o país, o massacre de Realengo na escola Tasso da Silveira, em 2011, percebi como precisamos repensar e mudar nossa maneira de ensinar. Isso me faz entrar em outra questão: Como resgatar o que há de melhor no convívio escolar para que fatos como este não acontecessem mais?

Para quem não sabe ou não se lembra do acontecimento, o ex-aluno Wellington Menezes, autor do massacre, antes de entrar na escola e cometer 12 assassinatos, disse em carta e em vídeos que sofreu muito, foi agredido, humilhado e que iria realizar a tragédia para despertar a atenção de pais, alunos e professores.

Cá pra nós, e sei que você também, caro leitor, irá concordar comigo, essa não é a melhor forma de despertamos a atenção. Wellington pensou completamente errado. Tanto que, quem se lembra desse episódio hoje? Pensou em mostrar para o mundo seu sofrimento, causando vários outros. A falta dos filhos para cada família, a ferida que nunca iria se fechar, além do desespero e traumas que outros alunos carregarão para o resto de suas vidas. Será que se, algum professor, pai, amigo, direção escolar, ou mesmo a faxineira do prédio tivesse procurado saber o que se passava com Wellington, isso teria acontecido? Está aí outro grande questionamento.

 Acredito que o convívio humano, o entendimento e a escuta possam mudar as pessoas. Talvez Wellington tenha se fechado tanto em um mundo paralelo, que o contato com o outro não tenha existido. Não de uma forma saudável, já que ele era ridicularizado pela turma. Será que nossas escolas, atualmente, andam dando brechas para estes acontecimentos? Como percebemos nossa educação atual? Não estamos desiludidos o suficiente para que isso continue acontecendo? Pais, professores e sociedade em geral precisam acreditar em melhorias, precisam acreditar que a mudança pode realmente acontecer.

Enquanto pensarmos que nosso sistema de ensino está cada vez pior, por que não oferecer o que temos de melhor? Desde uma aula diferente e diversificada do professor, até um ato voluntariado dos pais em ensinar artesanatos, jogos ou leituras para os alunos nas escolas aos finais de semana. Já pensamos em parar de reclamar e mexermos nossos pauzinhos? Em perder a desilusão?

Estamos perdendo o que temos de melhor e não estamos percebendo. A integração e o convívio humano, sim, começam na escola. Criar projetos, interclasses, campeonatos, apresentações de teatro, dança, declamação de poesias, festas realizadas pelos alunos, talvez seja um recomeço. Engana-se quem pensa que isso seja coisa do passado e que atualmente os alunos reprovariam. Vivemos em sociedade e não devemos deixar de celebrar e realizar os rituais que nos deixem unidos. Além disso, despertar o encanto do aluno para o aprendizado é mais do que necessário. O despertar da sabedoria é o encantamento. Jamais iremos pertencer ao que não nos encanta.

Como forma de mudança, cito aqui um trecho de um grande escritor e educador Rubem Alves:

“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque isso já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

Ellen Cristina Masalskas violência e educação Violência e Educação: Existe esperança? samara
Autor da Matéria | Colaborador
Sâmara Azevedo
Escritora e Jornalista
Apaixonada pela educação, escritora nas horas vagas, formada em jornalismo e estudante para toda a vida.
 
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