Desculpem o desabafo, mas sinto vergonha. Creio que este já não é mais meu tempo, pois vivo tempo de descaso, desrespeito, violação, indecência, enfim para dizer em uma palavra tudo, vergonha.

Vergonha porque na porta das escolas prevalecem estacionamentos em filas duplas e somente os tolos e tímidos ousam não obedece-lo.  Vergonha de pais que dando lições de moral ao filho nem reparam que é pela janela do carro que atiram a casca indesejada, o folheto não pedido. Vergonha por faixas de pedestres que ninguém percebe, de semáforo que “valentes” e “ousados” se vangloriam em desafiar, da pesada mão na buzina que em todas as ruas de todas as cidades grandes se ouve.

Vergonha pelo inútil reclamo do som nas alturas, de muitos que impõem a todos as músicas que desejam escutar, do singelo protesto pelo celular que em se carrega para todo lado contando piada, lembrando bobagens e impondo a todos os pensamentos inúteis, agora verbalizados aos gritos. Vergonha da profusão de piadinhas sexistas, de indiretas machistas, de histórias “engraçadas” que excluem e segregam. Vergonha de xingamentos em profusão, pelas filas furadas, vergonha pelas manobras políticas escandalosas, pelo troco a mais raramente devolvido, vergonha pela pedagogia do berro, de ataques de estrelismos de artistas inúteis.

Não. Não é do Brasil que se tem essa vergonha, pois se essa linda terra desejasse cantar, falaria de uma gente amiga, de uma solidariedade de desconhecidos de tempos passados em que,,”por favor,”, “com licença”, “muito obrigado” não representava arcaísmo dialético, mas cotidiano de relações humanas.

Esta vergonha que se sente lamenta políticos “que se lixam”, ministros que aconselham “o relaxar e gozar”, autoridades que gloriosamente declaram odiar leituras, campeões da pista que fraudam resultados e campeões da bola que acham muito natural os benefícios das malas brancas. Desculpem o desabafo, mas sinto vergonha.

Se você acredita que essa maneira brasileira de ser não tem jeito mesmo e que sentir vergonha pelo que se aceita como natural é velharia sem lugar, não siga adiante nesta inútil leitura. O que neste breve fascículo se procura é mostrar são atividades práticas para se ensinar ética nas nossas escolas e acreditar na esperança de que mudar é possível e que a vergonha maior que se sente é pelo respeito ao outro e traços de humanismo que, de tempos para, cá se perdeu.


Colunista: Celso Antunes

  • Celso Antunes
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Celso Antunes
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BACHARELADO E LICENCIATURA: GEOGRAFIA – ESPECIALISTA EM INTELIGÊNCIA E COGNIÇÃO – MESTRE EM CIÊNCIAS HUMANAS, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1968/1972
• MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELOS DIREITO DA CRIANÇA BRINCAR (UNESCO)

• EMBAJADOR DE LA EDUCACION – ORGANIZACIÓN DE ESTADOS AMERICANOS

• MEMBRO FUNDADOR DA ENTIDADE “TODOS PELA EDUCAÇÃO”

• CONSULTOR EDUCACIONAL DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (CANAL FUTURA)

• EXÉRCITO BRASILEIRO – COLABORADOR EMÉRITO
PRODUÇÃO INTELECTUAL:

• AUTOR DE MAIS DE 180 LIVROS DIDÁTICOS – ED. DO BRASIL, ED. SCIPIONE. ED AO LIVRO TÉCNICO E OUTRAS

• AUTOR DE CERCA DE 100 LIVROS SOBRE TEMAS DE EDUCAÇÃO – ED. VOZES. ED. PAPIRUS. EDITORA PAULUS, EDITORA LOYOLA, ED. ARTMED. ED. ROVELLE ED. CIRANDA CULTURAL E OUTRAS.

• OBRAS TRADUZIDAS: ARGENTINA, MÉXICO, PERU, COLÔMBIA, ESPANHA, PORTUGAL E OUTROS PAÍSES

PALESTRAS E CURSOS:

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS EM TODOS OS ESTADOS DO PAÍS, MAIS DE 500 MUNICÍPIOS.

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS NA ARGENTINA, URUGUAI, PERU, MÉXICO, PORTUGAL, ESPANHA E OUTROS PAÍSES.

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