Voltaram as aulas. Mais um ano letivo iniciando e com ele vem o frio na barriga. Crianças e pais sentem uma expectativa, ou até mesmo algum receio. Esta sensação está presente até mesmo naqueles que continuam estudando na mesmo escola.

É impossível não sentir este frio na barriga: turma nova, o reencontro com os amigos da série anterior, a nova professora, conteúdos nunca vistos. Será que vou dar conta? Mais difícil ainda para aqueles que irão para novas escolas. Os olhares se perdem entre pilares e pátios gigantes aos olhos dos nossos pequenos. Tudo novo de novo!

Quando meus ex-alunos, que já se tornaram homens e mulheres, resolvem fazer uma visita ao colégio, sempre há um comentário em comum: Nossa a escola parecia ser tão grande! Este pátio era maior, não era?

Aos olhos de uma criança as perspectivas realmente são outras, e não estou falando apenas das perspectivas geométricas. Na verdade, o que pode parecer tão simples para nós, para as crianças são sensações tão fortes, que mais parecem tsunamis avassaladores.

Por isso senhores pais, não se assustem com chorinhos fora de hora, dores de barriga e até vômitos de ansiedade. E quando vocês acharem que tudo já está sob controle, vêm o final de semana. As crianças retornam aos lares para passar dois dias no aconchego de suas casas, onde tudo é seu, todos os cheiros e sabores são familiares. E virá a segunda-feira, e com ela um novo frio na barriga. Lembro-me que todas as segundas-feiras um “cisco caía em meu olho”. Era a forma mais fácil que eu tinha para justificar para minha mãe a lágrima que escorria no canto dos olhos. Minha mãe dizia firmemente: “Patrícia o que foi?” e eu percebia que ela não via motivo para eu chorar e então eu dizia: “Um cisco caiu no meu olho, mãe!” E ela fingia acreditar. E assim eu ia superando meus medos e inseguranças. Minha mãe sempre entendeu claramente que, se desse muita importância ao “cisco no meu olho”, eu o transformaria em uma avalanche. Então ela fingia acreditar para não potencializar o descontrole emocional. Sábia como poucos!

Assim eu fiz quando meu coração apertou no primeiro dia de aula dos meus filhos, e assim eu faço para ajudar vários pais que neste momento estão com seus corações apertados. Hoje, como coordenadora de escola e mãe, o que posso dizer para confortá-los? Crescer dói, envolve separações mesmo que breves. Há que se ter coragem e dar coragem aos filhos.  Nós pais, temos que nos posicionar como fortalezas! Os filhos esperam isso de nós. Eles querem saber se podem transformar todos os dias o cisco no olho em tsunami. Isto depende totalmente do nosso aval. Basta uma titubeada, basta uma insegurança da nossa parte, para tudo desencadear em sucesso ou fracasso. Então vamos firmes e fortes para o primeiro mês de aula!

E lembre-se, a criança pode se adaptar rapidamente ou não, cada um tem seu tempo, mas podemos contribuir muito positivamente para isso se transmitirmos com segurança para nossos filhos que estamos certos da escolha que fizemos para eles. Que bonito! Somos rochas na montanha, quase caímos, mas ainda estamos lá, firmes para deixar que se apoiem.  Boa sorte!


Colunista: Patrícia Manzoli

  • Patricia Rachel Pisani Manzoli
    Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Atuação: Educação, Sociologia e Antropologia, Pedagogia, Serviço Social.
Patricia Manzoli é Cientista Social (UNESP – Araraquara), Mestre em Serviço Social (UNESP – Franca). Pesquisa: Responsabilidade Social: um estudo sobre o compromisso ético e cidadão do empresariado brasileiro com a educação. MBA em Elaboração, Análise e Avaliação de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) – Pesquisa: Gestão da Qualidade em Projetos Educacionais de Responsabilidade Social. Docente Universitária da Estácio -Uniseb. Sócia e coordenadora educacional do Colégio Monteiro Lobato de Ribeirão Preto. Autora de material didático na área de Ciências Sociais direcionada para Ensino Fundamental II. Palestrante da área educacional.
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