“As crianças de hoje não são como as de antigamente”. Quem nunca ouviu essa frase? O questionamento é bastante comum, sobretudo quando se fala sobre educação e comportamento. Mas afinal, como poderiam ser como as de antigamente se vivemos em um contexto totalmente diferente? E é preciso destacar: elas não são as mesmas e isso não é de todo modo ruim. No ambiente escolar, por exemplo, por meio do uso da tecnologia educacional, o potencial de acesso à informação e de referências para a construção do conhecimento nunca foi tão grande. Mesmo assim, o impacto deste novo contexto nos processos de ensino e aprendizagem ainda levanta dúvidas e alimenta alguns mitos.

No Brasil, a busca por melhorias na educação – seja ela pública ou privada – é urgente e constante, por isso, nunca se falou tanto sobre inovação no contexto pedagógico. Para 77% dos brasileiros, o caminho para melhorar o sistema educacional está na tecnologia. O dado foi apontado pela pesquisa da Penn SchoenBerland, que evidencia a necessidade de debater o potencial da tecnologia educacional e, sobretudo, superar os obstáculos que retardam a disseminação de boas práticas no segmento. Sabemos que tudo o que é novo pode encantar, mas também pode gerar dúvidas e inseguranças. Nas escolas, ocorre o mesmo, sejam mudanças relacionadas à infraestrutura, às reformas curriculares ou à inserção da tecnologia em sala de aula.

Mitos relacionados à Tecnologia Educacional

Medos, preconceitos e barreiras simbólicas acompanham a inovação no processo de ensino e aprendizagem, especialmente quando falamos de tecnologia educacional. A ideia de que o professor será substituído pela tecnologia é um dos equívocos mais comuns nesse contexto. Na verdade, o que percebemos é uma transformação no papel do docente, que se torna um mediador muito mais estratégico, revolucionando a interação dos estudantes com o conhecimento. Além disso, os professores continuam sendo fundamentais para apoiar o desenvolvimento de valores e relações interpessoais entre os alunos, e também para avaliar quando, como e porque usar determinados recursos tecnológicos.

É necessário reconhecer que as tecnologias para educação têm alto potencial para deixar as aulas mais agradáveis e atrativas para a nova geração, que é super tecnológica e conectada. A atualização profissional para explorar essas possibilidades depende não só da proatividade dos professores, mas também da iniciativa das escolas. O desafio está em desmistificar o medo da adaptação e munir os docentes de referências que façam sentido no contexto da escola. Outro mito relacionado à tecnologia educacional é que podem deixar as crianças  mais preguiçosas ou dispersas. Ledo engano!

Ao contrário do que afirma o senso comum, a tendência é que os recursos tecnológicos na educação despertem o interesse para novos conhecimentos, sobretudo por conta dos recursos audiovisuais e da interatividade. Com a mediação do professor para a construção de ambientes que enfatizam a aprendizagem, é possível despertar a curiosidade e então perceber maior engajamento das crianças e jovens na atividades cotidianas da escola. Ou seja, a tecnologia educacional figura não como um substitutivo do professor ou um mero entretenimento para os estudantes, mas como uma ferramenta a mais para enriquecer e transformar positivamente o processo de ensino e aprendizagem.

Há um ciclo virtuoso que pode ser formado ao superarmos esses mitos: maior engajamento dos alunos, maior satisfação dos docentes e a consequentemente melhora na qualidade do ensino no Brasil como um todo. Temos que evoluir, portanto, daquilo que é potencial para tornar realidade. Você vai ficar fora deste movimento?


Colunista: Cristiano Sieves

  • Cristiano Sieves
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Cristiano Sieves
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Especialista em ludopedagogia da Playmove, com mais de sete anos de experiência em projetos educacionais. Acredito que o lúdico é fundamental para tornar a vida escolar mais prazerosa e assim, mais eficaz.
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