Desde que iniciei o curso de Licenciatura em Pedagogia, pude perceber que a formação que recebemos é voltada para uma educação do futuro, uma educação que se deseja, mas não se vê em prática nem a metade. Entristeço-me ao saber que muitos dos estudantes ao se formarem, mesmo tendo aprendido as maravilhas dessa educação ideal, se limitam a pensar que tudo o que aprenderam na faculdade foi uma grande ilusão. Cortam-se as asas, morrem os sonhos.

De fato, enquanto os professores insistem com as crianças, adolescentes e jovens numa educação para a ética e respeito mútuo, fora da escola a sociedade se encarrega de desconstruir tudo isso, colocando em seu lugar ideias avessas de humor exagerado, preconceitos em relação à cor, religião, opção sexual, gênero, cultura e até mesmo gostos. Aí se enxerga o motivo do desânimo de alguns professores, que desacreditaram na humanidade e passaram a ir com a correnteza, caindo no comodismo.

A escola, no geral, está buscando cumprir seu papel e a presença dos desacreditados não a está impedindo. Porém, escola sozinha não faz o mundo. Ela é como um jardineiro que planta os tomates, os colhe, lava e de repente vê que alguns apodreceram e levaram junto tantos outros. Ouvi isso de muitos professores pelos quais já passei em minha vida de estudante. Para ocorrer uma mudança mais eficiente seria preciso mudar a cultura da sociedade como um todo. Algo como lançar uma campanha cujo tema fosse “Socorro! Não corrompam as crianças!”. Todos deveriam saber que podem ser alvo dos olhos dos pequeninos e, consequentemente, exemplos a serem seguidos, portanto, todos são responsáveis pela educação, e não somente a instituição escola, não somente a instituição família.

A instituição escola nesse sentido tem o papel de formar cidadãos capazes de promover essa mudança, pessoas que acreditam no mundo, que acreditam em um lugar melhor. Bons alunos serão bons pais, bons profissionais, bons brasileiros, bons seres humanos. Quando um dia a sociedade possuir em seu meio tantos desses cidadãos a ponto de quase não se ver os acomodados e desacreditados, aí sim haverá uma educação a nível integral que será preocupação de todos.

Vejo uma luz no fim do túnel ao lembrar que diversos pensadores foram muito à frente de seu tempo quando se tratou de pensar uma educação perfeita. Na verdade a maioria deles não viveu para colher os frutos de seu trabalho. Triste? Talvez para quem não esperasse que um dia o mundo viesse a lhe dar ouvidos, anos, décadas, séculos depois, mas acredito que todos aqueles que deixaram seu legado esperavam sim que algo de bom estava por vir.

Alegria para nós que ainda acreditamos nas pessoas, pois isso nos dá a esperança de que tudo o que fizermos para melhorar o mundo agora, mesmo que não se mostre agora, é uma semente plantada que um dia pode vir a ser uma grande árvore da qual brotarão outros galhos e ramos, florescendo e dando frutos suculentos à sociedade do futuro.

Colunista: Larissa Moraes Tavares


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Larissa Moraes Tavares
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Larissa Moraes Tavares cursa Licenciatura em Pedagogia no Centro Universitário do Sul de Minas – Unis. Já atuou na Educação Infantil como professora de Música, professora de Inglês e monitora. Ensina violão e canto para crianças e adolescentes. Acredita em uma sociedade transformada por meio da educação, arte e cultura.

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