Janeiro de 2016. Primeiro mês do ano e a sensação de começo é sempre muito límpida. É como encontrar uma lagoa virgem, com águas claras para dar aquele primeiro mergulho. Confesso que quando pensei o que escreveria para iniciar o ano fiquei incomodada com tudo o que me passava pela cabeça. Uma sensação de chover no molhado, afinal os textos de início de ano sempre falam dos desejos, do que fazer ou não fazer o que deixar para trás e assim por diante. Não queria contaminar a lagoa tão límpida com críticas excessivas ao ano que passou ou promessas de segunda-feira que nunca se concretizam. Resolvi ficar com a metáfora da lagoa e sentar-me no sofá sem escrever nada. Fui ler.

O acaso, que nunca é tão acaso assim, trouxe a mim um presente muito esclarecedor, surpreendente e infinitamente simples. Deparei-me com um parágrafo de uma obra de doutrina filosófica, tão belo que posso dizer que ali estava todo o meu desejo para 2016 “…compreendei hoje o grande papel da Humanidade; compreendei que quando produzis um corpo, a alma que nele está vem para progredir; sabei vossos deveres e colocai todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus…vossos cuidados, a educação que lhes derdes ajudarão seu aperfeiçoamento e seu bem-estar futuro. “ Pensai cada pai e cada mãe, Deus perguntará: “ Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?

Achei isto absolutamente fabuloso. Pela primeira vez vejo claramente a concepção de que a aproximação de uma pessoa com Deus se faz através da educação. Obviamente não estamos falando aqui da educação formal e conteúdista, mas da educação que apresenta às crianças a ética, a caridade, a honestidade o respeito, a moral para a convivência em grupo. Claro que inúmeras religiões proclamam a máxima de Jesus: Amai-vos uns aos outros, mas é tão claro que só podemos realmente compreender e executar isto quando oferecemos a uma criança o caminho que nos ensina a praticar a ética e o bem. Ninguém nasce bom ou mal, todo ser humano é como barro a ser modelado, e que o transforma é a educação do seio familiar. Por isso meu desejo tão simples, mas tão difícil e profundo é que em 2016 cada pessoa que se disponha a ter ou adotar um filho o faça com a profunda clareza de que assumiu a missão de educar com os seus cuidados mais esclarecidos, com o reconhecimento profundo de que estar no mundo é saber conviver com as pessoas que estão no mundo, e como cercar-se de amor e emanar respeito às pessoas.  Nós escrevemos o futuro dos nossos filhos por meio dos valores que transmitimos.

Que venha 2016, com pais iluminados, esclarecidos pela bondade divina. Amém!


Colunista: Patricia Rachel Pisani Manzoli

  • Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Atuação: Educação, Sociologia e Antropologia, Pedagogia, Serviço Social.
Patricia Manzoli é Cientista Social (UNESP – Araraquara), Mestre em Serviço Social (UNESP – Franca). Pesquisa: Responsabilidade Social: um estudo sobre o compromisso ético e cidadão do empresariado brasileiro com a educação. MBA em Elaboração, Análise e Avaliação de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) – Pesquisa: Gestão da Qualidade em Projetos Educacionais de Responsabilidade Social. Docente Universitária da Estácio -Uniseb. Sócia e coordenadora educacional do Colégio Monteiro Lobato de Ribeirão Preto. Autora de material didático na área de Ciências Sociais direcionada para Ensino Fundamental II. Palestrante da área educacional.
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