Os anos iniciais da vida de uma criança se caracterizam pelo crescimento e desenvolvimento acelerados. Para se ter uma ideia, um bebê cresce, em média, 25 cm no primeiro ano e 12 cm no segundo, já, a partir do terceiro, passa a crescer em torno de 6 cm por ano. Juntamente com esse crescimento físico vem o desenvolvimento neurológico e psicomotor, que fazem com que a criança aprenda coisas como sustentar a cabeça, sentar sem apoio, andar. Diante disso, fica evidente a relevância da alimentação nessa fase, uma vez que carências nutricionais ou condutas alimentares inadequadas aumentam as chances tanto do desenvolvimento imediato de doenças, ou até mortalidade infantil, quanto de sequelas futuras, como déficit escolar ou de crescimento, e surgimento de doenças na vida adulta.

“…O aleitamento materno exclusivo é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS) até os 6 meses de vida. Apenas em alguns casos bens específicos é que o aleitamento é contra indicado. Para esses casos, ou ainda, quando a mãe não consegue amamentar, um médico e/ou nutricionista orientará as medidas a serem tomadas…”

O aleitamento materno exclusivo é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS) até os 6 meses de vida. Apenas em alguns casos bens específicos é que o aleitamento é contra indicado. Para esses casos, ou ainda, quando a mãe não consegue amamentar, um médico e/ou nutricionista orientará as medidas a serem tomadas, como a obtenção de leite em Bancos de Leite Humano; a prescrição de fórmulas lácteas específicas; ou ainda, a prescrição da diluição do leite de vaca – visto que sua composição original é extremamente prejudicial á saúde da criança -, quando as outras opções não estiverem disponíveis.

  • BEBÊS ATÉ OS 6 MESES

Devem, então, receber apenas leite materno. Nenhum outro alimento sólido ou líquido.

O leite materno é nutricionalmente completo para possibilitar o crescimento e desenvolvimento do bebê até o sexto mês. Além disso, é seguro – não há riscos de infecções alimentares com ele –, contribui para que os bebês adoeçam menos, para fortalecer o vínculo mãe e filho e previne o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, diabetes, hipertensão e síndrome metabólica.

Água, sucos e chás – por que não?

Um bebê já ingere em média 900 ml de água por dia, provenientes do leite materno, o que atinge sua necessidade hídrica diária. E a água pode ser uma fonte de contaminação, trazendo doenças ao bebê, mesmo aquelas engarrafadas, não se tem certeza de sua origem, e mesmo que seja segura, a contaminação pode vir dos utensílios que forem utilizados para oferecer o líquido à criança, aumentando a chance de adoecimento.

Sem contar que oferecer água, chás ou sucos em chuquinhas ou mamadeiras, faz com que a criança engula ar juntamente com a bebida, fenômeno denominado de aerofagia, trazendo desconforto abdominal pela formação de gases e consequentes cólicas.

  • BEBÊS A PARTIR DOS 6 MESES

A criança passa a ter necessidades nutricionais que apenas o leite materno já não será mais capaz de suprir, seu organismo já está preparado para iniciar, gradualmente, a mastigação, digestão e absorção de outros alimentos, então é o momento de iniciar a chamada alimentação complementar.

No entanto, o leite materno continuará sendo um excelente alimento e continuará atuando na prevenção de doenças, por isso, a recomendação é que ele seja dado à criança até os 2 anos de idade ou mais (OMS e MS).

Esse é o momento mais adequado para ensinar a criança a gostar do sabor dos alimentos saudáveis! Grande parte das preferências alimentares que serão carregadas para a vida adulta vem da experimentação e do hábito que lhes forem ensinados nesse primeiro ano de vida.  A criança não conhece os diferentes sabores (doce, salgado, azedo, amargo), pois só tomava leite materno até então, é esperado que faça caretas, “coloque pra fora” a papinha, isso não quer dizer que ela não gosta, é apenas uma adaptação à novidade.

ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR NA PRÁTICA

Mas então, como de fato começar a alimentação complementar?

O leite materno continuará sendo dado, mas é chegada a hora de introduzir as papas de frutas e a papa salgada na alimentação da criança, seguindo o seguinte esquema:

Esquema para introdução dos alimentos complementares

Esquema para introdução dos alimentos complementares
Idade Tipo de alimento
Até completar 6 meses Aleitamento materno exclusivo
Ao completar 6 meses Leite Materno, papa de fruta¹, papa salgada²
Ao completar 7 meses Segunda papa salgada
Ao completar 8 meses Gradativamente passar para a alimentação da família
Ao completar 12 meses Comida da família

¹ Papa de fruta: O primeiro alimento a ser oferecido deve ser uma papa de fruta. Escolha uma fruta madura e macia, e a ofereça amassada, como a segunda refeição do dia, após a mamada da manhã. Ofereça a mesma fruta por 3 dias, observando  qualquer sinal de intolerância ou alergia. Após 3 dias sem nenhuma intercorrência, ofereça uma fruta diferente.

A introdução de novos alimentos sempre deve ser feita dessa forma!

² Papa salgada: A denominação ‘salgada’ não faz referência ao uso do sal em excesso, serve apenas para diferenciá-la da doce. Use sal com muita moderação.

Para prepará-la, escolha um item de cada grupo de alimentos. A tabela abaixo traz alguns exemplos de cada grupo:

Grupos de Alimentos

 

Grupos de Alimentos

Cereais Arroz; mandioca/aipim/macaxeira; batata-doce; macarrão; batata; cará; farinhas; batata-baroa; inhame.
Leguminosas Feijões; lentilha; ervilha seca; soja; grão-de-bico.
Legumes, verduras e

frutas

Folhas verdes; laranja; abóbora/jerimum; banana; beterraba; abacate; quiabo; mamão; cenoura; melancia; tomate; manga.
Carnes ou ovos Frango; peixe; pato; boi; ovo; miúdos; vísceras.

Rotina alimentar

Então, como ficaria o ‘cardápio’ do bebê ao longo do dia?

A resposta está na tabela abaixo. Um bebê de 6 meses completos, por exemplo, tomaria leite materno ao acordar, no meio da manhã comeria uma papinha de fruta, almoçaria uma papinha salgada, no meio da tarde comeria novamente uma papinha de fruta, e tomaria mais leite materno a noite. E conforme o bebê cresce, o número de refeições que complementam o leite materno vai aumentando também.

Esquema alimentar para os dois primeiros anos de vida das crianças amamentadas

Esquema alimentar para os dois primeiros anos de vida das crianças amamentadas
Ao completar

6 meses

Ao completar

7 meses

Ao completar

12 meses

Leite materno sob livre demanda Leite materno sob livre demanda Leite materno e fruta ou cereal ou tubérculo
Papa de fruta Papa de fruta Fruta
Papa salgada Papa salgada Refeição básica da família
Papa de fruta Papa de fruta Fruta ou pão simples ou tubérculo ou cereal
Leite materno Papa salgada Refeição básica da família

Quantidades de alimento e consistência

Mas quanto de papinha deve ser dado em cada refeição? Posso bater no liquidificador para preparar?

A tabela abaixo traz as quantidades que podem ser oferecidas à criança para nortear os pais na hora da alimentação. Mas algumas crianças aceitarão mais, outras menos por refeição, o mais importante é observar e respeitar os sinais de fome e saciedade da criança.

Nenhuma papinha deve ser liquidificada ou peneirada. Os alimentos devem ser bem cozidos e amassados com o garfo, essa é a textura ideal! E ofereça-os separadamente para que a criança experimente e conheça o sabor de cada alimento.

Idade Textura Quantidade
A partir de 6 meses Alimentos bem amassados Iniciar com 2 a 3 colheres (sopa) e aumentar conforme a aceitação
A partir dos 7 meses Alimentos bem amassados 2/3 de uma xícara ou tigela de 250 ml
9 a 11 meses Alimentos bem cortados

ou levemente amassados

¾ de uma xícara ou tigela de 250 ml
12 a 24 meses Alimentos bem cortados

ou levemente amassados

Uma xícara ou tigela de 250 ml

Informações Complementares

Para finalizar, aí vão algumas informações importantes que não podem faltar para uma alimentação complementar adequada:

Açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas devem ficar de fora da alimentação das crianças, em especial no primeiro ano de vida. O uso do sal deve ser moderado.
Muita atenção deve ser dada à higiene das mãos, alimentos e utensílios na hora da preparação das papinhas. Cozinhe bem os alimentos. Procure fazer pequenas quantidades de papinha. E é recomendado que a água servida para a criança seja tratada, filtrada e fervida.
Evite abusar dos sucos, prefira dar a papa de fruta. Caso opte por ele, ofereça o natural, e limite o consumo a 100 mls por dia. Segundo a Academia Americana de Pediatria, quantidades maiores prejudicam a variedade da dieta, contribuindo para a deficiência de vitaminais e minerais, favorecem a obesidade e o aparecimento de cáries dentárias.

Bibliografia Consultada:
Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica – 2 ed. – 2 reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 72 p.
Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. Manual de orientação: alimentação do lactente, alimentação do pré-escolar, alimentação escolar, alimentação do adolescente, alimentação da escola. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia – 2ª ed. São Paulo, 2008. 120 p.

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Jacyara Goes
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Jacyara Goes é graduada em Nutrição e Metabolismo pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Possui atendimento personalizado em Nutrição Clínica, Esportiva e Emagrecimento para todas as faixas etárias, atuando no tratamento do excesso de peso, e comorbidades associadas. É capacitada em Nutrição e Suplementação Esportiva.

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