Nunca foi fácil ser pai e mãe em tempo algum. Porém, hoje, dadas às diversidades filosóficas, religiosas e até mesmo familiares, essa tarefa passou a ser um pouco mais desafiadora.

Os tempos mudaram, diriam alguns; os costumes mudaram, diriam outros e a sociedade mudou; todos concordariam. Mas o afeto, razão maior que deve unir pai, mãe e filho, não mudou e nem mudará jamais.

Podem mudar quaisquer que sejam os apontamentos e as bases educativas de uma cultura, mas amparo é a palavra que sustentam a relação de paternidade e de maternidade. No entanto, cuidar e amparar filhos é a tarefa mais árdua e mais cara, hoje, aos pais. Tudo isto acontece porque para cuidar e amparar é preciso opção verdadeira e tempo. Tempo os pais não possuem mais e opção verdadeira, é questionável em muitos casos.

Muitos pais antes mesmo te terem seus filhos já planejam quem vai cuidar deles, de que horas a que horas eles ficarão onde e com quais profissionais. Ou seja, se assim o é, fica difícil construir uma relação amorosa em que conflitos e desconstrução acontecem a cada instante. O amor é uma construção diária, sobretudo na cabeça de nossos filhos que precisam ver em nós como amamos e como nos doamos. O amor é sim uma doação sem limites.

Quando os filhos ficam sem pais é a sociedade que perde porque estes cidadãos, ou filhos,  não serão capazes de dar aquilo que não receberam. Não temos filhos para nós mesmos. Nossos filhos pertencem ao mundo e é para o mundo que temos que levá-los. Filhos presos em casa, fechados em nossos valores, sufocados tão somente por nossas ideias, terão dificuldades de ver e de encarar o mundo múltiplo e plural, e o resultado disso será frustração. Frustração sem possibilidade de superação. Sofrimento.

Pai e mãe precisam se modificar a cada dia. A cristalização pertence às pedras. Pedras não mudam, mas pais devem mudar, sempre. É a mudança que acompanha o fluxo maravilhoso da vida.  Pais-pedras não educam, só machucam. As pedras não amam. Apenas ferem. Nossa mudança precisa ser pautada por uma força interna e a esta força interna damos o nome de afeto.

Quando um filho se sente amado ele vai descobrindo, pouco a pouco, que também pode amar e é este movimento que forma homens e mulheres altruístas e compassivos.  O amor é o mais forte dos sentimentos e o mais difícil de os filhos descobrirem com seus pais.

Pais e mães erram, e muito. Diariamente somos colocados frente às nossas próprias dificuldades de ouvir, de ceder, de entender e, sobretudo, de diluir toda e qualquer situação contrária que vem dos outros, sobretudo se este outro for nosso filho, a quem garantimos cuidado e subsistência.

Mas, se ao invés de ficarmos julgando o quanto cada filho tem que nos retribuir em notas, bons feitos e reconhecimentos sociais e profissionais, passarmos a entender que nossos filhos só podem ser adversários ou parceiros deles próprios, talvez façamos deles, uma geração mais livre e mais forte que todas as gerações anteriores. Livre porque a liberdade só se alcança quem ampara e forte porque quanto mais nos doamos, mais recebemos.

Não semeie em seu filho nenhuma obrigação sua. Não jogue para seu filho nenhuma culpa sua. Não dê a seu filho nenhum fardo que você tenha determinado a partir de suas limitações ou experiências. Dê a ele a capacidade de aprender a olhar e ver, em cada fresta, se ele pode ou não caber nela. Assim, diante de cada obstáculo natural da vida, ele terá a incrível e maravilhosa capacidade de avaliar seu potencial e suas limitações – razão única de se tornar, cada dia, melhor.

Ellen Cristina Masalskas Ser pai e mãe neste momento Ser pai e mãe neste momento geraldo
Autor da Matéria | Colaborador
Geraldo Peçanha de Almeida
Atualmente se ocupa do ofício de escrever livros tanto para crianças como para educadores e, vez ou outra, escreve também livros de autoconhecimento. Em 2009 teve seu livro – Eu me chamo Pedro, Você me chama Baleia (Editora Pró-Infanti, 2008), selecionado pela FNLIJ: Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, para fazer parte do catálogo brasileiro da 46th Bologna Children´s Book Fair, Feira do Livro Infantil que acontece anualmente em Bologna, na Itália. É Doutor em Letras/Literatura – Área de Concentração em Teoria Literária pela UFSC: Universidade Federal de Santa Catarina (2009). Mestre em Letras/Literatura – Área de Concentração – Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (2000). Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista (1995).
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