*Ilustração de Capa: Cordeiro de Sá
*Texto:  Patrícia Manzoli

É inegável que o tempo na atualidade tornou-se raridade. Realmente a quantidade de tarefas e responsabilidades que assumimos em nosso cotidiano faz o tempo de um dia ou de uma semana passar rapidamente, segundo a nossa própria percepção de tempo.

Mesmo diante de tanta correria e excesso de projetos em nossa vida, as pessoas buscam formar uma família. A grande mudança disso é que este projeto, que talvez devesse ser o projeto prioritário daqueles que o desejam, torna-se verdade, mais um projeto dentre tantos. A escolha de ter um filho traz consequentemente uma mudança fundamental na vida daqueles que buscam este caminho. Isso é fato; tanto na vida de mulheres quanto de homens. Mas como o dia das mães se aproxima, dedico este texto às mulheres que são mães, ou pretendem ser, e aos homens que assumem o papel de pais e mães ao mesmo tempo.

A mudança na vida daqueles que recebem em sua vida um bebê não muda temporariamente; muda definitivamente. Ter um filho não é um projeto com escopo de início, meio e fim. Ter um filho é um projeto espiritual que ultrapassa qualquer concepção simplista de vida. Isto porque o filho é uma ligação única, uma experiência que nos mostra como um ser humano conhece a vida. O mais desafiador é que, quem apresentará a vida a este ser humano, seremos nós mesmos. E mais desafiador ainda é ter consciência de que ele será um ser humano melhor ou pior, dependendo da forma com que nós apresentarmos a vida à ele.

Fico me questionando se esta pressa e ansiedade que o mundo globalizado nos apresenta e insere em nosso ritmo biológico, é compatível com o projeto de vida de ser mãe? Poderíamos então nos questionar: somos mães ou estamos mães? Eu vivo como mãe?  Disponibilizo-me à ouvir meu filho quando estou com ele? Presto real atenção em seus gostos e interesses? Apresento a vida ao meu filho? Crio perspectivas com ele? Brinco? Oriento suas tarefas? Vou às reuniões de pais da escola porque quero e tenho real interesse? Coloco-me no lugar desta criança e tento entender seu ponto de vista?

Vejo mulheres se depararem com a temporalidade da maternidade e sentirem-se angustiadas com esta nova concepção de tempo. O tempo de esperar o bebê, o tempo de amamentar, o tempo das noites mal dormidas, o tempo das vacinas, o tempo de introduzir os alimentos, o tempo de fazer comidas saudáveis e esquecer os fast foods, tempo de fazer à feira, comprar frutas com calma, escolher os alimentos que irão á mesa do seu filho. Tempo de preparar uma sopa reforçada. Tempo de ficar quieta com seu filho(a) deitado no chão da sala ouvindo uma música, tempo de ir na pracinha, de andar de bicicleta; tempo de esperar o tempo passar sem angústia. Ter filhos é a oportunidade de vivenciar o tempo à seu tempo. É tempo de observar, é tempo de estar aqui e agora junto daqueles que mais amamos e que mais precisam do nosso tempo sem pressa de ser mãe… sem seguir manuais com as dez melhores formas de educar seu filho.  Apenas seja e esteja eternamente mãe!


Colunista: Patrícia Manzoli

  • Patricia Rachel Pisani Manzoli
    Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Atuação: Educação, Sociologia e Antropologia, Pedagogia, Serviço Social.
Patricia Manzoli é Cientista Social (UNESP – Araraquara), Mestre em Serviço Social (UNESP – Franca). Pesquisa: Responsabilidade Social: um estudo sobre o compromisso ético e cidadão do empresariado brasileiro com a educação. MBA em Elaboração, Análise e Avaliação de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) – Pesquisa: Gestão da Qualidade em Projetos Educacionais de Responsabilidade Social. Docente Universitária da Estácio -Uniseb. Sócia e coordenadora educacional do Colégio Monteiro Lobato de Ribeirão Preto. Autora de material didático na área de Ciências Sociais direcionada para Ensino Fundamental II. Palestrante da área educacional.
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