O conhecimento acerca dos disruptores ou desreguladores endócrinos (DEs), talvez seja novidade para muitos. Entretanto, estas substâncias não são uma novidade para o nosso organismo.
Em 2012 a OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou um relatório, o “State of the Science of Endocrine Disrupting Chemicals”, com intuito de alertar a população mundial sobre os perigos oriundos da exposição longeva destes venenos. O estudo é um dos mais completos até a atualidade e pontua uma gama de efeitos deletérios provocados por eles.

Além deste relatório, alguns estudos preliminares, e outros conclusivos, asseguram que os disruptores endócrinos possam desencadear gatilhos para inúmeras doenças, ou até mesmo gerar  patologias que ainda não foram compreendidas  pela medicina.

Doenças como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade); câncer hormônio dependente (câncer de mama, câncer de ovário, câncer de tireoide, câncer de próstata ); alzheimer, parkinson, doenças cardíacas, diminuição da libido, puberdade precoce, anormalidades no trato reprodutivo, infertilidade, abortos de repetição, restrição de peso em fetos e doenças comportamentais lideram o ranking dos estudos.

—Afinal, quem são os Disruptores Endócrinos, e o que eles fazem?
Os DEs são substâncias químicas que interagem com os nossos receptores hormonais e, por conseguinte, são capazes de alterar a homeostase (equilíbrio) hormonal. Eles causam uma verdadeira balbúrdia em nosso organismo, o que permite a instalação de variadas doenças.

Quando estas substâncias se ligam aos receptores de um determinado órgão, ocorre então uma cascata de reações que culmina na secreção assíncrona de vários hormônios. Os órgãos responsivos a estes hormônios ficam sujeitos à um crescimento celular desordenado, com liberação de substâncias vasogênicas. O que nos preocupa é que a partir daí, há a produção de outros hormônios, que também estimulam outros órgãos. Um verdadeiro efeito dominó!

Os DEs entram em competição com nossos hormônios naturais e muitas vezes acabam ocupando seus respectivos espaços. Este processo desencadeia uma interação hormonal independente e impede que os hormônios naturais se acoplem nos receptores.
Para melhor assimilação, farei uma analogia simples, mas válida. Imagine que seus órgãos são seus maiores bens, e que eles estão no interior de um grande cofre. Pense que alguma pessoa que não seja você mesma, tentou abri-lo com uma chave semelhante a original. Esta chave entra no maquinário, mas devido à pequenas alterações estruturais, ela não abre a fechadura. Após diversas tentativas, a fechadura espana ou a chave quebra dentro do maquinário. Resultado: O cofre não foi aberto e você também não conseguirá abri-lo.  Os disruptores endócrinos fazem exatamente isso.
— Aonde encontramos os Disruptores Endócrinos?
Podemos encontra-los em pesticidas, produtos eletrônicos, produtos de higiene pessoal, cosméticos, aditivos alimentares, derivados do plástico e principalmente em embalagens de produtos alimentícios.

Sabe-se que na atualidade existem cerca de 800 químicos suspeitos, ou capazes de interferir com nossos receptores. Mas, sempre que dissertarmos sobre este tema, chamamos atenção ao Bisfenol-A (BPA).

O Bisfenol- A é um exemplo de DEs. Uma substância discriminada e proibida em alguns países desenvolvidos, mas que ainda perambula pelo Brasil afora. Até 2011 o BPA era demasiadamente utilizado como componente para produção de derivados do plástico, como garrafas PET, mamadeiras, copos, revestimentos internos de latas e embalagens de alimentos industrializados. Após o relatório divulgado pela OMS, a Agência Nacional da Vigilância Sanitária (ANVISA) reconheceu seus malefícios. Todavia, por ora, os produtos que contém esta substância ainda não foram 100% retirados do mercado.

Podemos citar como exemplo uma medida estabelecida pela própria ANVISA, em meados de Janeiro de 2012. O órgão proibiu a utilização de mamadeiras de plástico com BPA, mas facilmente podemos encontra-las disponíveis no mercado.
Por fim, enumero algumas recomendações ditadas pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia para minimizar ao máximo o contato com esses venenos ocultos.

1 – Use mamadeiras e utensílios de vidro ou BPA free para os bebês.
2 – Jamais esquente no microondas bebidas e alimentos acondicionados no plástico. O Bisfenol A é liberado em maiores quantidades quando o plástico é aquecido.
3 – Evite levar ao freezer alimentos e bebidas acondicionadas no plástico. A liberação do composto também é mais intensa quando há um resfriamento do plástico.
4 – Evite o consumo de alimentos e bebidas enlatadas, pois o Bisfenol é utilizado como resina epóxi no revestimento interno das latas.
5 – Evite pratos, copos e outros utensílios de plástico. Opte pelo vidro, porcelana e aço inoxidável na hora de armazenar bebidas e alimentos.
6 – Descarte utensílios de plástico lascados ou arranhados. Evite lavá-los com detergentes fortes ou colocá-los na máquina de lavar louças.
7 – Caso utilize embalagens plásticas para acondicionar alimentos ou bebidas, evite aquelas que tenham os símbolos de reciclagem com os números 3 e 7 no seu interior e na parte posterior das embalagens.

 

Grande abraço, e até a próxima!

 

Referências Bibliograficas:

  • State of the Science of Endocrine Disrupting Chemicals – 2012 An assessment of the state of the science of endocrine disruptors prepared by a group of experts for the United Nations Environment Programme and World Health Organization.
  • On the rumors about the silent spring. Review of the scientific evidence linking occupational and environmental pesticide exposure to endocrine disruption health effects
  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Matéria por: Victor Dias Moreira

  • Doutor Victor Dias
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Doutor Victor Dias
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Medicina Integrativa. Médico por formação, o Dr. Victor Dias Moreira acredita no real papel da atenção e prevenção de doenças, bem como em medidas social-educativas a fim de atenuar algumas interrogativas frequentes na população. Procura também, tratar os desiguais de acordo com suas desigualdades, e de forma holística integrar a saúde psíquica à saúde física.
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