Em 2013 Xavier Niel, um empresário do setor de tecnologia criou a universidade 42 em Paris. A ideia foi revolucionar a educação usando o ensino colaborativo e aprendizagem por projetos. O mais inovador e disruptivo dessa universidade é que não há orientação nem supervisão de uma figura considerada por muitos como fundamental no processo de ensino-aprendizagem: o professor.

A ideia parece ter dado certo, pois recentemente fui inaugurado o campus da universidade 42 no Vale do Silício, na Califórnia. A universidade formará profissionais especialistas em desenvolvimento de software e programação de computadores. Durante o curso os alunos trabalham sempre em grupo e avaliam uns aos outros.

Neste modelo os alunos podem escolher desenvolver um web site ou um jogo, como se estivessem trabalhando em uma empresa do setor. As empresas que contrataram jovens formados pela universidade 42 afirmam que são profissionais mais autônomos.

Neste contexto surge a questão sobre a real necessidade da presença de um professor neste processo.  Vale lembrar que a experiência da universidade 42 é sobre uma área específica, onde são comuns autodidatas que pesquisam usando a web como principal ferramenta. Jovens que preferem não ter um tutor determinando caminhos a seguir, mas que se dirigem sozinhos. Ficam algumas questões sobre esse comportamento: será uma característica dessa geração e de gerações futuras e se com o envelhecimento esse processo se manterá ou será alterado? Somente o futuro responderá essas questões.

Porém, em outras áreas clássicas, como medicina, direito e engenharia, por exemplo, seria possível a formação de profissionais sem a presença do professor? A princípio não me parece plausível essa ideia, pois algumas áreas vão além de criatividade e arrojo no comportamento profissional. Inovar, nesses caos, é melhorar processos e não simplesmente criar novos sem olhar o desenvolvimento do que foi realizado pela nossa história.

Agora, é inegável que novas áreas de conhecimento surgiram e surgirão. Então o futuro da educação passa a ser incerto e completamente imprevisível nesses casos. Enquanto isto, esperamos que os professores busquem novas formas de ensinar, novos modelos de educação que estejam mais adequados ao mundo atual, cheio de novidades e informação. A única certeza que tenho é que nada será como antes.

Colunista: Rodrigo Pires de Morais


  • Rodrigo Pires de Morais
    Rodrigo Pires de Morais
    Colunista
Rodrigo Pires de Morais
Colunista

Área de Atuação: Gestão Escolar
Coordenador do Curso de MBA em Gestão de Escolas (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores – IBFE Campinas), Gestor Escolar, MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Graduado em Química pela USP/RP. Experiência de 22 anos na área de educação, atuando como Diretor Escolar (Anglo/Campinas e SEBCOC/Ribeirão Preto), Coordenador de Curso de EAD (Estácio/UniSEB), professor de Pós Graduação (FGV-Pós em Administração), Graduação (UniSEB-Licenciatura em Química), Ensino Médio e Pré-Vestibular. Consultor Pedagógico em Projetos Educacionais. Implantação e gerenciamento do curso de High School do Grupo SEB. Palestrante e Conferencista.
Clique aqui para acessar todos os textos do colunista
E-mail
Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here