Hoje estou a fim de escrever sobre algo que gosto. Escrever pra mim é como degustar aquela comida gostosa que a mãe faz aos domingos, ou como tomar sol numa praia. É impossível viver sem ter esses prazeres. Mas, pra isso eu precisava de um pouco de solidão, do facebook, do whatsapp, das pessoas, e ter apenas a presença do silêncio, da natureza e da minha própria consciência. Nada melhor do que sentir o vento sobre o rosto na janela, não se preocupar com nada. Não pensar em nada e ao mesmo tempo pensar em tantas coisas… Escrever é como andar de moto, é como viver, é preciso ter liberdade. Agora escrevo sem pautas, sem rótulos, sem preocupação sobre o que dizer. Afinal, não é um roteiro que deve ser seguido. Isso pra mim é felicidade, é liberdade! Tem horas que bate aquela vontade, sabe? Como aquelas de comer um doce, um chocolate…

Tenho inveja do escritor de antigamente que descrevia o que sentia e o que queria. Isso se chama liberdade! Liberdade da escrita. Já imaginou como pode ser chato escrever uma tese, um relatório? Não é apenas por causa dos prazos, mas porque você tem um padrão a ser seguido. Eu não, nas minhas horas vagas eu sou a fora do padrão e escrevo sobre o que eu quero. Isso é ter essência, é também uma terapia! Não é a toa que cada vez mais jovens adoecem mentalmente. Porque não são livres para criar, porque tudo hoje vem padronizado: 10 formas de estudar para o vestibular, 10 formas de se escrever para atingir seu público-alvo nas redes sociais ou blog e mais uma quinquilharia de padrões que devem ser seguidos.

Me acham rebelde? Talvez eu seja! Mas preciso ter a minha essência. Bom, sou uma rebelde que ainda encontra refúgio na palavra, nas diferentes formas de se comunicar e principalmente na mais antiga, de observar e filosofar. Voltando às doenças mentais e a fadiga que vivemos para tentar atingir esses padrões em diversas áreas do conhecimento, podemos perceber porque é tão difícil viver sem rótulos. O que ao meu ver deveria ser fácil. É até engraçado e contraditório, pois vivemos numa época em que não queremos rotular nada, mas acabamos por ser rotulados o tempo todo.

Não há meio termo, ou você segue o padrão ou foge à regra! É assim nas redes sociais, ou você tem ou você não faz parte do mundo. É assim na vida de uma forma geral. E pensar e escrever em um mundo que passa a te cobrar para estar online o tempo todo é uma tarefa difícil. Diria que é a mais complicada para quem se propõe a ser escritor no tempo atual. Normalmente para ter um texto lido tem que ser curto e ter muitas imagens e ilustrações. É como se ainda estivéssemos na infância, quando a tia dava aquele livrinho cheio de figurinhas e a gente ficava mais feliz.

Não há nada de errado com isso, apenas não conseguimos nos debruçar mais em grandes histórias e em vez de ver ilustrações prontas, seria mais rico tentar imaginá-las. Digo isso por minha própria experiência. Faz tempo em que não leio um livro que gosto. Normalmente estava lendo pra escrever um artigo ou para dar continuidade aos estudos. Será que você já pensou se está fazendo o que realmente gosta ou deixando se levar pelos afazeres diários?

Vem-me a cabeça a frase de Rubem Alves, grande escritor que me fazia sonhar e pensar mais sobre a vida: “Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles”.


Colunista: Sâmara Azevedo

  • Sâmara Azevedo
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Sâmara Azevedo
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Possui graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário Barão de Mauá (2012). É autora do livro reportagem “Violência na Escola: O desafio de enfrentar o bullying e reconstruir a paz”, publicado em 2013 pela editora Kiron. Foi monitora do curso de Psicologia Social, na USP Ribeirão. Trabalha atualmente como redatora e dedica-se à escrita nas horas vagas. Acredita em um mundo mais humano e cooperativo.

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