Responda sinceramente: Se você tivesse um filho ou uma filha de 10 anos de idade, você deixaria ele ou ela decidir se deve ou não ir à escola? Se pode ou não comer determinados produtos? Se pode ou não ver determinados filmes? Se pode ou não sair com determinadas pessoas? Deixaria?! Provavelmente sua resposta seria NÃO.

Se você fosse um pouco mais “cabeça aberta”, como dizem por aí, responderia que “depende”. Esse seu “depende” estaria recheado de situações que não colocassem em risco seu filho ou sua filha, o que é óbvio.Na verdade você NÃO deixaria seu filho ou sua filha decidir, em função de se tratar de uma criança com pouca experiência de vida e com uma capacidade de julgar limitada. Diante de um mundo de alto risco que se apresenta todos os dias, deixar nossos filhos à mercê de suas próprias decisões não nos parece algo sensato e razoável.

Entretanto, todos os dias, esses mesmos filhos são bombardeados pelas propagandas dirigidas exclusivamente para eles numa linguagem que, por vezes, só eles entendem. Diante disso, o que você está fazendo? Creio que muito pouco ou nada!

A propaganda dirigida para uma criança que tem uma capacidade de julgamento limitada, para mim, é um crime hediondo que deveria levar para cadeia tanto anunciantes como agências de propaganda e veículos de comunicação. Se concordamos que uma criança não pode decidir certas coisas na sua vida, por falta de maturidade e capacidade de julgar, como permitimos que esta mesma criança seja submetida às propagandas que a induzem, através de uma persuasão inescrupulosa, a decidir pela escolha de determinados produtos, serviços e outros bens de consumo?

Ao “conversar” com a criança, a propaganda desrespeita os princípios básicos e saudáveis da educação e formação, ultrapassando limites e criando demandas de forma alienada e humilhante. Essa “conversa” faz com que as crianças tornem-se consumistas de forma exacerbada, atendendo aos interesses de corporações que visam somente lucro.

Crianças gananciosas e competitivas acabam sendo desajustadas, transformando-se em adultos problemáticos e governantes perigosos. Há pouco tempo foi banida da televisão a propaganda de cigarros. Por que fizemos isso? Porque foi constatado que estimular as pessoas a fumarem faz muito mal à saúde. Foi constatado também que a propaganda aliciava cada vez mais jovens para o mundo dos fumantes. Em nome de um capitalismo burro, preferimos fazer isso, ou seja, tirar as propagandas do ar, em vez de fechar as indústrias. Seria muito mais lógico, prudente e razoável matar o mal pela raiz, ou seja, acabar com as indústrias. Isso não foi feito em função de lobbies e de interesses escusos dos governantes.

Infelizmente descobrimos que o cigarro mata tarde demais. Assim será com as bebidas alcoólicas. Daqui algum tempo estarão proibindo as propagandas de bebidas alcoólicas nos veículos de comunicação. Vamos fazer o que fizemos com o cigarro. Como se não soubéssemos a priori, vamos apresentar um discurso que a bebida alcoólica faz mal à saúde e mata. Quanto tempo levará para fazermos isso? Nossa idiotice é quem dirá. Quanto tempo levará para proibirmos a propaganda para as crianças? Quando forjarmos mais Hitler´s no mundo e matarmos mais e mais outros seres humanos.

Enquanto isso não ocorre, meta a boca no trombone e denuncie as propagandas dirigidas às crianças para os organismos competentes, ou para seu político do “coração”. Seja menos consumista. Instigue seus filhos a buscarem conhecimento. Quando o conhecimento é nulo, o espaço que ele deixa é ocupado por dogmas e frustrações alienantes. Tenha certeza que, quem fabrica produtos e/ou produz serviços para crianças, tem outra forma de divulgar os mesmos sem criar constrangimentos e/ou alienação. Basta divulgar para os pais e deixar os mesmos decidirem se são adequados ou não para seus filhos. Tudo muito simples, como deve ser a vida das crianças.

E você… o que acha de tudo isso?


Matéria por: Francisco Santos

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Ética, Moral, Legado e Reputação
Francisco Santos: Filósofo-Eticista, Consultor e Palestrante, doutorando em Ética e Filosofia Política, pós-graduado em Filosofia e Ensino de Filosofia, licenciado em Filosofia, graduado em Comunicação Social. Atuou como CEO e Diretor de várias empresas nacionais e multinacionais e hoje é sócio da Aprendendo@Pensar, consultoria com 13 anos de existência, especializada na transformação de empresas em ricas, éticas, inspiradoras e perenes. Professor de Ética do MBA da FUNDACE, Organizador do TEDxRibeirão, Voluntário do Escritório Regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ONU), Voluntário do CVV e Membro do Conselho de Usuários da TIM, representante oficial no Brasil dos Mestrados e Doutorados da Universidade Católica Portuguesa – Braga/Portugal. Fundador do Instituto Magna Moralia que atuará na habilitação de professores do ensino fundamental e médio, para o Desenvolvimento da Consciência Ética e Moral e seu ensino estruturado aos alunos.

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