Há 07 anos o Brasil lidera o grupo de países que mais utilizam agrotóxicos na agricultura. O consumo anual destas substâncias em nosso país tem sido superior a 130 mil toneladas, e nestes últimos quarenta anos houve um aumento de 700% do seu consumo! De acordo com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nos últimos dez anos a utilização de agrotóxicos cresceu em média 93% no mundo todo. No Brasil, esse crescimento foi de 190% e, para ser mais preciso, estima-se que a nossa ingestão se aproxima a um galão de cinco litros por ano.

Quando o assunto é saúde, engana-se quem pensa que a utilização dos agrotóxicos interage conosco apenas em sua utilização na agricultura. Os agrotóxicos também são capazes de contaminar lenções freáticos e animais, por sua vez inferindo em todo ciclo ecológico. Não é à toa que a prevalência de doenças crônicas vem aumentado a cada ano. Se você acompanha meus posts aqui no Educa2, facilmente poderá encontrar minha dissertação acerca dos disruptores endócrinos (DEs). Os agrotóxicos são belos exemplos de DEs.

Os DEs são substâncias químicas que interagem com os nossos receptores hormonais e por conseguinte são capazes de alterar a homeostase (equilíbrio) hormonal. Eles causam uma verdadeira balbúrdia em nosso organismo, o que permite a instalação das mais variadas patologias.

Quando estas substâncias se ligam aos receptores de um determinado órgão, ocorre então uma cascata de reações que culmina na secreção assíncrona de vários hormônios. Os órgãos responsivos a estes hormônios ficam sujeitos à um crescimento celular desordenado, com liberação de substâncias vasogênicas, e a partir daí, há a produção de outros hormônios, que também estimulam outros órgãos. Um verdadeiro efeito dominó!

Em 2011 foi realizada uma análise de diversos alimentos em 26 unidades federais. Este levantamento foi coordenado pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) – um programa vinculado a Anvisa. Segundo os resultados, os pesquisadores chegaram no consenso que cerca de um terço dos alimentos consumidos diariamente pela população brasileira está contaminado. Para curiosidade de muitos, o pimentão foi a hortaliça mais contaminada por agrotóxicos – estima-se que 92% deles estão contaminados. Outros alimentos também apresentam quantidades acima do considerado normal, por exemplo: morango (63%), pepino (57%), alface (54%), cenoura (49%), abacaxi (32%), beterraba (32,6%), couve (31,9%), mamão (30%), tomate (16%), laranja (12%), maçã (9%), arroz (7%), Feijão (6,5%), repolho (6%), manga (4%) e cebola (3%).

Por determinação legal, os agrotóxicos devem apresentar, em seus rótulos, uma faixa colorida indicativa de sua classe toxicológica e o grupo químico que pertencem. Dividimos estas categorias em quatro classes, sendo o grau de toxicidade decrescente.
Classe I (Faixa vermelha): Extremamente tóxicos,
Classe II (Faixa amarela): Altamente tóxicos,
Classe III (Faixa azul): Medianamente tóxicos,
Classe IV (Faixa verde): Pouco tóxicos.

O que vem nos preocupando é que a utilização das substâncias pertencentes às classes I e II estão crescendo a cada ano e junto a isso eleva-se o a intoxicação ambiental e humana.

A presença dos agrotóxicos em amostras de sangue humano, leite materno e resíduos presentes em alimentos explica os efeitos nocivos da sua exposição longeva e têm sido objeto de diversos estudos. Conforme o contato gradativo e prolongado com estas substâncias aumenta-se a probabilidade para a ocorrência de doenças como anomalias congênitas, distúrbios neurocomportamentais, transtornos mentais, disfunções na reprodutividade, câncer, mutações genéticas, aberrações cromossômicas, redução dos níveis de testosterona, redução dos números de espermatozoides, entre outras.

Comumente as pessoas alegam que o valor dos alimentos orgânicos é demasiadamente superior aos não orgânicos, o que dificulta seu ingresso na mesa da maioria das famílias brasileiras. O incentivo dos agricultores, ao investir na safra de alimentos orgânicos, pode ser uma boa alternativa para reduzir o consumo de agrotóxicos. Embasado nos princípios básicos de economia, a teoria da oferta e procura, se houvesse uma preocupação em investir neste ramo, sem dúvidas minimizaríamos a intoxicação. Pensem: Um aumento no preço do produto levará à redução na sua quantidade demandada, enquanto que uma queda no preço do bem causará um aumento na quantidade demandada, vice-versa.

Pensando em uma solução de imediato para minimizar o consumo de agrotóxicos pela sua família e deste modo prevenir futuras doenças listo abaixo algumas dicas:
1) Procure lavar os vegetais e frutas com água corrente, até mesmo aqueles que você pretende descascar;
2) Sempre que possível, opte pelos alimentos orgânicos;
3) Procure variar os tipos de verduras e frutas para evitar a exposição contínua e excessiva a um mesmo princípio ativo (os diferentes tipos de plantio exigem agrotóxicos específicos);
4) Descarte a folhagem externa de alfaces, repolhos e vegetais semelhantes;
5) Remova a gordura e as peles das carnes para reduzir a ingestão de resíduos de agrotóxicos que possam ter se acumulado nesses tecidos;
6) Se você tiver alguma horta em casa, ou algum espaço para plantio, por que não comer o que você plantou sem utilizar agrotóxicos?


Colunista: Victor Dias Moreira

  • Doutor Victor Dias
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Doutor Victor Dias
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Medicina Integrativa. Médico por formação, o Dr. Victor Dias Moreira acredita no real papel da atenção e prevenção de doenças, bem como em medidas social-educativas a fim de atenuar algumas interrogativas frequentes na população. Procura também, tratar os desiguais de acordo com suas desigualdades, e de forma holística integrar a saúde psíquica à saúde física.
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