O processo de aprendizagem é muito abrangente e complexo. Há escolas que derrubaram os muros e iniciam um projeto de ensino mais abrangente e integrado. Outras mantêm o ensino de forma fragmentada. Um grande educador, Sir Ken Robinson, afirma que a escola mata a criatividade, pois mantém apenas a prioridade de enviar os jovens para universidade.

Como sou especialista em ética, minha preocupação é outra. Temos um hiato muito preocupante em nossa formação. Em 1964 até 2006, em virtude da ditadura e de falta de preocupação dos governantes, ficamos sem o ensino de filosofia e sociologia nas escolas. Os colégios que ensinavam, de forma optativa, eram apenas os particulares. O ensino público perdeu a oportunidade de transformar pessoas em mais críticas e sensíveis às questões que essas matérias ensinam e que afetam toda uma sociedade.

A retomada oficial do ensino filosófico e com ele a ética e moral, vieram depois de 2006. Uma geração inteira só apreendeu se foi atrás e/ou fez cursos sobre isso. Mais do que isso, perdemos os conceitos corretos de ética e moral.

Eu mesmo não sabia nada sobre ética e moral até estudar filosofia e me especializar nos temas. Hoje, consigo entender a verdadeira importância desse assunto e o quanto nosso país precisa conhecer. Não há dia em que a mídia não fala sobre corrupção, crimes banais, miséria e assim por diante. Assuntos esses que são tratados pela ética e moral.

Nossas crianças precisam ter acesso aos dilemas éticos contemporâneos e conseguir formar juízo de valor com base nos estudos dos temas de forma estruturada e transversal.

Ensinar ética e moral como disciplina é no mínimo um erro gravíssimo. A ética deve ser ensinada com pano de fundo de todas as disciplinas existentes. Para isso devemos habilitar os professores para tal. Com a proibição da filosofia, formamos poucos filósofos nesses 40 anos de ausência dos temas. Com isso, os professores de outras disciplinas leram alguns livros clássicos e/ou comentados e utilizam para dar suas aulas.

Esta é a receita para que as crianças e jovens não aprendam de forma correta. Ética e Moral são temas do campo da filosofia e, somente que estudou a fundo, como os filósofos, é quem deveria dar aulas. Qualquer improvisação está ligada a diminuição de custos da área da educação, do que algo realmente sério e eficaz.

Estudo o tema há mais de 10 anos em confesso que tenho ainda alguma dificuldade de entender o sistema ético do medievo. Leio todos os dias sobre isso e tenho uma coleção de mais de 100 livros sobre o assunto, além de todos os clássicos. Para ensinar ética e moral devemos ter o compromisso de fazer isso seriamente e com o propósito de despertar nas pessoas o conhecimento e com isso desenvolver sua consciência ética e moral perante o outro.

Reclamamos muito da corrupção e de pessoas que agem de forma antiética e/ou imoral. Colocamos todos os dias nas redes sociais nossa opinião e julgamento. Fazemos isso sem o menor conhecimento do que estamos falando. Confundimos a ética com os valores familiares que na verdade não tem nenhuma relação com o tema.

Se quisermos um mundo melhor e mais justo, temos que exigir dos governantes e das escolas particulares que ensine ética e moral de forma estruturada e séria. Essa é a única chance que temos para construir um país mais justo.

Como dizia José Saramago: “A única evolução possível para o ser humano é a evolução ética. O resto é acumular bens”.

Pense nisso e cobre quem é de direito!


Colunista: Francisco Santos

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Francisco Santos
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Ética, Moral, Legado e Reputação
Francisco Santos: Filósofo-Eticista, Consultor e Palestrante, doutorando em Ética e Filosofia Política, pós-graduado em Filosofia e Ensino de Filosofia, licenciado em Filosofia, graduado em Comunicação Social. Atuou como CEO e Diretor de várias empresas nacionais e multinacionais e hoje é sócio da Aprendendo@Pensar, consultoria com 13 anos de existência, especializada na transformação de empresas em ricas, éticas, inspiradoras e perenes. Professor de Ética do MBA da FUNDACE, Organizador do TEDxRibeirão, Voluntário do Escritório Regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ONU), Voluntário do CVV e Membro do Conselho de Usuários da TIM, representante oficial no Brasil dos Mestrados e Doutorados da Universidade Católica Portuguesa – Braga/Portugal. Fundador do Instituto Magna Moralia que atuará na habilitação de professores do ensino fundamental e médio, para o Desenvolvimento da Consciência Ética e Moral e seu ensino estruturado aos alunos.

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