Esquivei-me de mim inventando a Esperança.
Fi-la alta, alva, veias à mostra, cabelos longos.
Logo que terminei,
ela atirou-me violentamente ao chão
e lambeu-me os vãos com seus olhos verdes.
Copulamos.
Engravidei do tempo,
que ficou tempo demais dentro do meu ventre,
corroendo cada víscera viva,
cada sílaba da palavra presente.

Nosso filho necrosou minhas perspectivas.
Frente ao espelho,
com lábios recheados de carnes não nascidas
e pupilas permeadas de promessas impossíveis,
lembro-me do dia em que a Esperança largou-me
E alargou a vala entre o desejo e os fatos.

Fiquei comigo. Sem futuro.
Somente com o tempo no útero.


Matéria por: Matheus Arcaro

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Matheus Arcaro
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Professor de Filosofia e Escritor.
Matheus Arcaro nasceu em 1984 em Ribeirão Preto, onde vive atualmente. Graduado em Comunicação Social e também em Filosofia. Pós-graduado em História da Arte. Atua como professor de Filosofia e Sociologia, artista plástico e palestrante. Desde 2006 tem artigos, crônicas, contos e poemas publicados em veículos regionais e nacionais. Seu livro de contos ‘Violeta velha e outras flores’, publicado em 2014 pela Patuá, vem recebendo ótima crítica em âmbito nacional. Seu romance será publicado em 2016.

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