Lá pelos anos 80, ficou conhecido um fato referente a uma redação “nota dez”…

O tema da redação era “a gota d’água”. Entre todos os alunos expostos à prova, levanta-se um e entrega sua folha…

No centro da página havia uma única palavra e um ponto de exclamação:

– Ping!

A redação recebeu nota dez e foi comentada à época por diversos professores de português como um case.

 Vale perguntar: qual seria a reação da maioria dos professores que você conhece frente a uma entrega desta natureza?

 

  1. Considerariam a redação como uma forma de expressão escrita e, dentro deste critério, dariam um dez pela criatividade e poder de síntese da expressão deste aluno?
  2. Considerariam a prova como uma provocação e falta de respeito à disciplina, oferecendo em contrapartida uma nota baixa, talvez um zero?
  3. Chamariam o aluno em momento oportuno, e em particular, parabenizando-o pela criatividade e síntese “poética” propondo que a iniciativa valeria um dez se ele se propusesse a escrever outra redação sobre o mesmo tema dentro de um limite proposto de linhas e palavras, alertando-o que, mesmo criativa, a redação, sob outras circunstâncias poderia eliminá-lo de um importante processo seletivo, caso não fosse compreendida sob esta ótica?

Seja qual for a sua escolha, incluindo as múltiplas opções não mencionadas a que podemos dar origem,  a grande questão é: o que é como avaliar todas as devolutivas de nossos alunos. E, sobretudo, considerar o extraordinário peso que uma avaliação assumirá nos aspectos emocionais da vida deles.

Quantos alunos encontraremos por aí, com a autoestima abalada por uma avaliação tecnicamente correta, mas emocionalmente insensível?

Jamais podemos subestimar o impacto que uma avaliação positiva ou negativa pode ter sobre a biografia de uma pessoa…

Não se trata de assumirmos uma atitude leniente para com os erros, irresponsabilidades, provocações e o omissões, quem bem sabemos podem ocorrer. Trata-se de encontrar um caminho extremamente digno e pedagógico para tratar de cada caso em particular, observando como podemos reverte-lo a favor do aluno!

Nosso objetivo é o ser humano, o aluno e o aprendizado que nos propomos a facilitar. Contágios oriundos do ego ou de uma atitude patológica baseada nos antigos mecanismos de punição estarão sempre na contramão da Educação.

Não sei quanto a você, mas eu, particularmente, fico feliz ao encontrar alunos “Ping” seja por criatividade ou por provocação mais imediatista. Eles nos oferecem a oportunidade de fazer a diferença sobre o que avaliamos, como avaliamos e, sobretudo, sobre o impacto que podemos ter sobre suas vidas nos aspectos mais amplos da vivência emocional.

Não poderíamos dormir felizes se soubéssemos que estaríamos subestimando um futuro Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Einstein ou, que mesmo diante de alguém que, fora da categoria dos “considerados gênios”, tivesse sua maturidade emocional prejudicada porque perdemos o momento de acolher, incentivar, ressignificar ou desafiar.

Ser professor é amar o aluno, especialmente os mais difíceis, brilhantes ou não.

Ping!  Até nosso próximo encontro! Ping…


Colunista: Carlos Hilsdorf

  • Carlos Hilsdorf
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Carlos Hilsdorf
Colunista

Escreve sobre Comportamento e Negócios. Alguns temas: Motivação, Liderança, Administração, Marketing, Vendas, Inovação, etc.

É economista, pós graduado em Marketing pela FGV, consultor de empresas e profundo pesquisador do Comportamento Humano.

Autor dos bestsellers “Atitudes Vencedoras”, ” Atitudes Empreendedoras”, “51 Atitudes para Vencer na Vida e na Carreira” e “Revolucione seus Negócios”.

Considerado pelo mercado empresarial um dos 10 melhores palestrantes do Brasil na atualidade.

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