Em todo final de ano, é de praxe repensar o que passou. Lembramo-nos das coisas que deveriam ser feitas diferentemente, das oportunidades que poderíamos ter agarrado com veemência, assim como nos recordamos com arrependimento daquilo que não devíamos ter feito. Pensamos, pensamos e pensamos.

Pensamos que no próximo ano as coisas vão ser diferentes. Acreditamos que muita coisa possa mudar. Há aqueles em que usam a magia das cores para tentar aproximar seus desejos da realidade. As pessoas se tornam mais dóceis, abraçam mais, trocam-se presentes, chamam a família para a ceia de natal ou os amigos para a ceia de ano novo. Alguns doam alimentos, roupas, brinquedos, e contribuem com o ato de solidariedade.

O que acontece com a energia de um novo ciclo, eu ainda não sei. Mas sei que é contagiante. Eu mesma sempre valorizei esta época. Talvez porque conseguíamos juntar a família; aquele parente que não via há muito tempo. Deixamos tudo de lado e vamos festejar com as pessoas que consideramos importantes em nossa vida. É aquele momento em que esquecemos o trabalho e nos dedicamos apenas a nos reunir e comemorar.

Mas ai aqueles pensamentos retornam, do começo do ano, de tudo o que se passou em 12 meses. Você ri dos tropeços, chora por ter passado momentos ruins, agradece por ter vencido muitos deles, outros até perdoam os maus feitos alheios. E tem a fé de que em outro ano as coisas serão diferentes.

Mudança é dor, mudança é medo, mudança é passagem, mas mudança também pode ser alegria e contentamento. Acho que podemos ficar com a imagem da chegada de um novo ano como um exemplo bacana de mudança: rir das dificuldades, agradecer por vencer as batalhas da vida e perdoar os atos falhos de outros. Sinceramente, deveria ser um tarefa diária e não somente para o  final de ano.

Como diz Carlos Drummond de Andrade em seu poema Receita de Ano Novo: “Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta, muito menos chorar de arrependimento pelas besteiras consumadas, nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem”.

Drummond está completamente certo. Devemos repensar nossa vida e atos todos os dias. A mudança vem de dentro, e é necessário muito conhecimento. A vida é surpreendente; ela não depende de anos, mas sim de segundos, para que tudo gire, e com certeza não será apenas naquela dose a mais de champanhe que virá  a conscientização para as coisas acontecerem dessa forma. Pense nisso!

Boas festas…


Colunista: Sâmara Azevedo

  • Sâmara Azevedo
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Sâmara Azevedo
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Possui graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário Barão de Mauá (2012). É autora do livro reportagem “Violência na Escola: O desafio de enfrentar o bullying e reconstruir a paz”, publicado em 2013 pela editora Kiron. Foi monitora do curso de Psicologia Social, na USP Ribeirão. Trabalha atualmente como redatora e dedica-se à escrita nas horas vagas. Acredita em um mundo mais humano e cooperativo.

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