A busca por praticidade, correria do dia a dia, falta de conhecimento nutricional, forte apelo da indústria alimentícia… Uma série de fatores associam-se para justificar a escolha, cada vez mais frequente, que as famílias tem feito, colocando mais e mais produtos industrializados, prontos para o consumo, em sua mesa, enquanto o arroz com feijão vem perdendo espaço no prato das famílias brasileiras. Essas famílias vêm trocando alimentos naturais por industrializados, sem estarem preparadas para a leitura dos rótulos desses produtos, levando para casa itens ricos em gorduras saturadas, açúcares e sódio, e pobres em vitaminas, minerais e fibras. O mais preocupante é pensar que se têm prejudicado a saúde daqueles que ainda estão em fase de crescimento e desenvolvimento: as crianças! Dos anos 80 para cá, a prevalência de crianças com sobrepeso ou obesidade aumentou quase 1000%. E de cada 10 adolescentes obesos, 8 continuarão com o problema na vida adulta, com risco de sofrerem de doenças como diabetes, problemas cardíacos e até alguns tipos de cânceres.

“Vale a pena as famílias se organizarem para cozinhar suas refeições, sempre que possível. E colocar a criançada para participar disso é uma excelente oportunidade de apresentação a alimentos como frutas, verduras e legumes, facilitando a posterior degustação. Essa estratégia de “oficina culinária” também é uma ótima pedida para integrar programas de educação nutricional em escolas”

Somada a essa alimentação de má qualidade, nossas crianças estão cada vez mais sedentárias. Seu lazer não é mais ao ar livre, fazendo atividades como jogar bola, nadar, andar de bicicleta, mas sim, na frente de um computador, vídeo game ou televisão, gastando menos calorias.
Reverter situações assim, só é possível com a colaboração de todos aqueles que fazem parte do cotidiano da criança, sendo a família fundamental para tais mudanças.
Tudo começa com a conscientização da família. Ela deve envolver-se no processo de reeducação alimentar, juntamente com a criança. Não adianta rechear com doces e refrigerantes a despensa e, simplesmente, proibi-la de comê-los, dizendo que eles são para os outros membros da casa. Ou seja, a família deve repensar tudo que envolve a alimentação, como: a lista de compras do supermercado, os quitutes que costumam ser preparados e saboreados, os locais onde se costuma ir “comer fora”, são alguns exemplos.

Vale a pena as famílias se organizarem para cozinhar suas refeições, sempre que possível. E colocar a criançada para participar disso é uma excelente oportunidade de apresentação a alimentos como frutas, verduras e legumes, facilitando a posterior degustação. Essa estratégia de “oficina culinária” também é uma ótima pedida para integrar programas de educação nutricional em escolas. Preparações mais simples como um sanduíche natural ou um espetinho de frutas, por exemplo, podem até serem feitas na própria sala de aula, caso a instituição não tenha outro espaço para tal. Na hora de montar o pratinho das crianças, vale fazer carinhas, bonequinhos, carrinhos, ou algum outro tipo de desenho incluindo os legumes, verduras ou frutas que serão servidos naquela refeição, criando um clima lúdico que estimule a experimentação desses gêneros saudáveis. Os pais sempre devem insistir para que os pequenos experimentem novos alimentos. Eles podem recusar por várias vezes, até que, de fato, resolvam aceitar – comportamento que é até descrito em estudos da área da pediatria. Os pais não podem forçar, mas devem oferecer sempre.

A mudança de hábito alimentar é um aprendizado que deve ser construído dia a dia, que demanda organização, disposição e paciência, mas que valerá muito a pena para a saúde e bem estar, tanto dos pequenos, como também da família toda!


 

  • Jacyara Goes
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Jacyara Goes
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Jacyara Goes é graduada em Nutrição e Metabolismo pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Possui atendimento personalizado em Nutrição Clínica, Esportiva e Emagrecimento para todas as faixas etárias, atuando no tratamento do excesso de peso, e comorbidades associadas. É capacitada em Nutrição e Suplementação Esportiva.

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