Semana da criança, sempre tinha passeios. Era uma felicidade só. Puxa! Eu até me lembro da cor do ônibus. Era cor de creme com faixas vermelhas pela lateral e os estofamentos, já danificados pela ação do tempo, também vermelhos. Os antigos ônibus da “Cometa” que vinham nos buscar na porta da velha escola “Amélia Musa”.

O destino do passeio quase sempre era o Bosque Municipal. Entravamos em fila no ônibus e sentávamos dois a dois. Durante todo o trajeto, íamos admirando a paisagem pela janelinha, enquanto as professoras que nos acompanhavam nos explicavam cada ponto da cidade por onde passávamos. A cidade ainda não possuía as grandes avenidas e rotatórias de hoje, o que fazia do passeio uma viagem pelos interiores dos bairros que ficavam no caminho entre a escola e o Bosque Municipal. Quando chegávamos, a alegria era geral. Para não nos perdermos, organizavam-nos em pequenos grupos e caminhávamos juntos, sempre procurando estarmos atentos às explicações, embora nossos olhos e pernas eram sempre muito mais velozes que os nossos ouvidos.

 

“…Passeios são formas muito eficazes para despertar a curiosidade e para desenvolver o aprendizado nos educandos. Museus, zoológicos, bio-parques, feiras de livros, exposições, são oportunidades muito interessantes para se levar a escola para além de seus muros. Mesmo os passeios recreativos a clubes e parques temáticos, contribuem muito para o desenvolvimento das relações humanas e sociabilidade entre o grupo escola…”

E víamos extasiados às araras, tucanos, pavões, jacarés, onças e aos macacos que nos despertavam os momentos mais hilários da excursão. Lembro-me de um grande aquário que existia bem no meio do espaço destinado aos animais, no qual havia um peixe gordo e redondo que chamava muito a minha atenção. Depois, íamos para o parquinho para brincar um pouco e tomar o lanche oferecido pela escola, que era pão com mortadela e douradinha. A douradinha era um refrigerante de guaraná, produzido na fábrica do “seu” Gino Alpes, no bairro onde morávamos, cujo formato de sua garrafinha e seu sabor, são peças fundamentais do acervo de minha infância que trago hoje dentro de mim. Voltávamos para a escola no final do dia, cansados e felizes. Por toda a semana o passeio fazia parte do conteúdo da sala de aula. Esses passeios muito contribuíram para despertar o meu interesse pelas ciências e estudos sociais, já nas primeiras series do ensino fundamental, já indicando os caminhos para a minha futura formação acadêmica.

Quando falamos em propor passeios com a comunidade da escola, nos deparamos com uma série de obstáculos. O medo de sair do espaço da escola com os alunos, o tamanho do esforço físico que se imagina na excursão, os custos financeiros do passeio (e este é um problema cada vez maior para as escolas), o modo como as crianças vão se portar no passeio, a resistência de alguns pais que pensam que passeios, principalmente os de caráter recreativo, são um meio de “matar” as aulas, e por aí vai…

Passeios são formas muito eficazes para despertar a curiosidade e para desenvolver o aprendizado nos educandos. Museus, zoológicos, bio-parques, feiras de livros, exposições, são oportunidades muito interessantes para se levar a escola para além de seus muros. Mesmo os passeios recreativos a clubes e parques temáticos, contribuem muito para o desenvolvimento das relações humanas e sociabilidade entre o grupo escola. Para se fazer uma excursão bem sucedida, basta planejar previamente o roteiro, verificar a viabilidade dos custos, buscando inclusive parcerias e estabelecer as regras básicas para o desenvolvimento do passeio. Os passeios, quando bem planejados, se revelam em um aprendizado vigoroso. Quanto ao comportamento dos alunos, geralmente nos surpreendem positivamente e o relacionamento dentro da escola sofre uma sensível melhora após as excursões.

Que tal arrumarmos a bagagem e colocarmos mais a escola na rua este ano? Boas opções é que não faltam na nossa cidade e região. Basta procuramos.


Matéria por: Arnaldo Junior

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Arnaldo Martinez de Bacco Junior é doutorando em Ciência da Educação (Universidad do Rosário – Argentina), mestre em Educação (Unesp – Araraquara), pós graduado em História Cultural (Claretianas – Batatais) e Metodologia do Ensino de História (São Luis – Jaboticabal) e graduado em História (Uni-Mauá – Ribeirão Preto).

Professor efetivo nas redes estadual e municipal de Ribeirão Preto e das Faculdades São Luis de Jaboticabal, é poeta, escritor, quadrinista, ilustrador e cartunista. Colabordor de vários órgãos de imprensa, é co-fundador do Fanzine cultural Boca de Porco, atuou como radialista no programa Tribo Verde de educação ambiental, é chargista/caricaturista do canal TVMais Ribeirão e do blog Farofa Cultural Ribeirão, entre outras coisas. Tem alguns livros publicados, entre eles, História Popular do Brasil em Quadrinhos, Chico, Chiquinha & Chicão, O palhaço que era triste, A panela Amarela e O menino que falava com as mãos.

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