Tenho participado de um curso muito interessante para pais, sobre como educar crianças de zero a três anos. Na metodologia de estudo, analisamos casos fictícios sempre baseados em situações prováveis de acontecer com todo pai ou mãe de nossa sociedade. As discussões em grupo são sempre ótimas,  afinal, pais que buscam um curso para refletir mais sobre o processo de educação de seus filhos são realmente diferenciados. Nos casos, sempre nos deparamos com situações em que o pai é na maioria das vezes um tanto tradicional;  aquele pai que trabalha muito e que delega muito a educação para a mãe. Como meu trabalho é totalmente mergulhado no mundo da educação tenho vivido outras experiências quanto aos pais. Tenho tido o grato prazer de conviver com pais muito envolvidos com a educação de seus filhos, homens que frequentam as reuniões de pais, porque sabem que estas reuniões não são apenas para mães. Tenho visto até excessos! Pais que se envolvem tanto que ficam extremamente preocupados e que até fazem exigências das escolas como se as escolas fossem a personificação de uma enfermeira padrão que cuidaria exclusivamente de seus filhos!
Os novos pais ainda estão aprendendo a entrar neste universo educacional. Quando digo educacional não estou falando apenas da relação com a escola, mas principalmente com a própria criança. Há ainda na sociedade, uma visão predominante de que o papel do homem é exigir, cobrar, ser um disciplinador. Mas a figura do pai é fundamental para estabelecer uma relação com a criança que apresentará para esta ela um universo que vai além do corpo de sua mãe. Aos pais também cabem as brincadeiras malucas, a relação corporal livre e meio desajeitada, mas fundamentalmente a apresentação ao menino e à menina da liberdade e do conforto de se abraçar e beijar um outro ser que não apenas a mãe.
Exageros à parte, tenho encontrado pais que se incomodam demais com crianças que se sujam, crianças suadas, gripes e febres. Pais; sejam bem vindos ao mundo das mães, bem vindos ao processo real de ter filhos! Só falta dosar um pouco. Os pais do passado se pareciam com gestores frios e distantes; estes já não cabem mais nas relações atuais, mas posso dizer que neste novo cenário muitos pais ainda não encontraram o seu papel e estão mais parecidos com sogras, avós desesperadas e super protetoras. Bom, isso é melhor do que a distância. Em breve eles encontrão o caminho. Só posso dar um conselho: busquem inspiração em si mesmos e resgatem um pouco daquele menino travesso da sua infância. Brinque mais, se suje mais e se permita mais, ser pai é mais uma sensação do que um papel a desempenhar, ser pai é sentir-se pai. Esqueça um pouco o papel de zelador das condições ao redor de seu filho! Ele mesmo lhe ensinará o que é ser pai. Em caso de dúvidas procure o meu marido,  este sim, mostrou-me o que é ser um pai do século XXI com direito a passeios na pracinha do bairro! Não poderia deixar de fazer esta homenagem!


Colunista: Patrícia Manzoli

  • Patricia Rachel Pisani Manzoli
    Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Atuação: Educação, Sociologia e Antropologia, Pedagogia, Serviço Social.
Patricia Manzoli é Cientista Social (UNESP – Araraquara), Mestre em Serviço Social (UNESP – Franca). Pesquisa: Responsabilidade Social: um estudo sobre o compromisso ético e cidadão do empresariado brasileiro com a educação. MBA em Elaboração, Análise e Avaliação de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) – Pesquisa: Gestão da Qualidade em Projetos Educacionais de Responsabilidade Social. Docente Universitária da Estácio -Uniseb. Sócia e coordenadora educacional do Colégio Monteiro Lobato de Ribeirão Preto. Autora de material didático na área de Ciências Sociais direcionada para Ensino Fundamental II. Palestrante da área educacional.
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