Estava estudando alguns axiomas de Comunicação e acabei me pegando, num começo de madrugada, escrevendo o início desse texto em meu perfil no Facebook. Confesso que foi por impulso, pensei que ninguém leria, mas o assunto ganhou boa repercussão e decidi partilhá-lo por aqui, ampliando a reflexão para a sala de aula.

Há tempos eu vinha refletindo em como minha relação com minha mãe, sempre um tanto conturbada, melhorou após a boa velhinha ter sido acometida pelo Alzheimer. Simplesmente nos afinamos. Um pouco antes, passei por uma experiência parecida, quando meu falecido sogro e eu, criamos e mantivemos fortes laços, mesmo tendo nos conhecido enquanto ele já vivia um estado avançado da doença. Até esse momento, eu entendia que a resposta girava em torno da intelectualidade perdida, mas isso me parecia paradoxal: como a perda de nossa capacidade mais humana, poderia aproximar pessoas?

Foi refletindo sobre a pragmática da comunicação humana que as coisas clarearam e as pontas soltas foram se amarrando. Me enganei ao focar o conceito geral de intelectualidade ou, pelo menos, em crer que essa fosse nossa marca de humanidade. A resposta, a meu ver, está no prejuízo da capacidade de articular símbolos convencionais, ou seja, a eliminação da comunicação verbal e a consequente necessidade de aprofundamento da comunicação não-verbal em sua verdadeira plenitude!

Sem poder entender o verbo, o conteúdo do que se fala ou se escreve, damos mais importância para a forma e a ordem em que cada pequeno dado de comportamento acontece. Cada ato é desvelado como comunicação pura. Assim, ao mesmo tempo, temos a oportunidade de nos limparmos da necessidade de decodificação do conjunto gerado pelo verbal + não verbal. Cá entre nós: como essa mistura dá margem a interpretações e projeções das mais diversas e equivocadas, não é mesmo?

Portanto, se a sensibilidade aflora, permite-se o acesso ao espaço da sintonia. Se antes eu acreditava que a melhor habilidade do bom educador seria saber ouvir em profundidade, somo a essa condição da relação mútua de aprendizado a ideia (esquisita) da importância de saber ouvir e analisar canais diferentes, verbais e não verbais, ao mesmo tempo e separados, procurando entender o novelo de mensagens que um estudante profere em um só ato, seja este composto por texto, ou não.

Não é fácil: é quase como aprender a ouvir o silêncio que, paradoxalmente, nunca existe.

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Colunista: Cordeiro de Sá

  • Cordeiro de Sá
    Cordeiro de Sá
    Colunista/Ilustrador
Cordeiro de Sá
Colunista/Ilustrador

Cordeiro de Sá (Campinas, 1972) é mestre em arquitetura e urbanismo. Já ministrou aulas em graduações e pós graduações de Arquitetura e Urbanismo, Design, Comunicação social e Marketing, em várias instituições educacionais de Ribeirão Preto e região. É ilustrador, animador e quadrinista. Coordena o selo alternativo RPHQ – Ribeirão Preto em quadrinhos, com três publicações indicadas ao mais importante prêmio nacional do gênero, o troféu HQ Mix.
Militante dos direitos humanos, foi duas vezes Conselheiro municipal dos direitos da Criança e do Adolescente e é Conselheiro municipal da Cultura, também em seu segundo mandato. Em  2005 recebeu o Prêmio PNBE de Responsabilidade Social, na categoria “a entidade educacional que queremos”, em nome do Centro Social Marista de Ribeirão Preto, que esteve sob sua  coordenação de 2002 a 2009.

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