“Não deis aos cães as coisas santas e não lanceis pérolas aos porcos”.
                                                                                               Jesus Cristo

            O cacófato no título é proposital.

A execução do Hino Nacional nos campos de futebol, antes das partidas do campeonato paulista de futebol, está se tornando um atirar periódico de pérolas aos suínos.

Obedecendo a uma rotina quase que religiosa, no meu encontro dominical com a TV, aos domingos, a partir das 16 horas, depois de, com a minha família, passar parte do dia no Clube de Regatas, assisti, mais uma vez, a um espetáculo de incivilidade.

Enquanto o Hino Nacional era executado, antes de um clássico do futebol brasileiro, as torcidas não pararam com suas cantigas provocativas.

Não bastasse isso, já presenciei, durante a metade da execução de um dos nossos Símbolos Nacionais, os jogadores começarem a se cumprimentar.

Já presenciei a Globo cortando o áudio e colocando o som das torcidas, e a Band deixando que o Hino sirva de fundo a espetáculos deprimentes e revoltantes, para qualquer cidadão que tenha um mínimo de civismo.

É preciso que se revogue, imediatamente, a Lei Estadual no. 10.876, de 10/09/01, que dispõe sobre a execução do Hino Nacional Brasileiro em todos os eventos esportivos realizados no Estado de São Paulo, e em outros Estados do Brasil, sob pena de, no futuro, as crianças e jovens que freqüentam os estádios de futebol acharem que o Hino é uma música como outra qualquer: um som de fundo para a “Dança do créu”.

Para quem não sabe, de acordo com o Capítulo V da Lei 5.700 de 01/09/71, que trata dos Símbolos Nacionais, durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio. Civis do sexo masculino devem ficar com a cabeça descoberta e os militares em continência.  Além disso, é vedada qualquer outra forma de saudação, gestual ou vocal que possam ser desrespeitosas, tais como aplausos ruidosos, gritos de ordem ou manifestações ostensivas do gênero.

O Art. 35 da mesma Lei, estabelece que a violação de qualquer disposição da presente Lei, sujeita o infrator à multa de uma a quatro vezes o maior salário-mínimo em vigor, elevado ao dobro nos casos de reincidência.

É óbvia a impossibilidade de se punir um estádio todo, é também clara a impossibilidade de mudar, de um momento para outro, a educação de um povo, mas é evidente que podemos, com a revogação da Lei, impedir que um dos mais sagrados símbolos de qualquer nação que se preze, seja esculhambado como tem ocorrido, com freqüência, em nossos campos de futebol.

Eu não gostaria de ver, novamente, esses espetáculos lastimáveis, sendo transmitidos pela TV, principalmente para menores de idade.

ANTONIO CARLOS TÓRTORO | ancartor@yahoo.com | www.tortoro.com.br


Colunista: Antonio Carlos Tórtoro

  • Antonio Carlos Tórtoro
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Antonio Carlos Tórtoro
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Antonio Carlos Tórtoro, é casado com a fotógrafa Lu Degobbi, e pai de dois filhos: Rodrigo (32) e Giovana (34).
Ex-presidente da Academia Ribeirãopretana de Letras e Idealizador e fundador da Academia Ribeirãopretana de Educação.
Cidadão Emérito de Ribeirão Preto e ex-presidente da ACRECE-Associação dos Cidadãos Ribeirãopretanos e Eméritos.
Membro da ALARP- Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto.
Fundador da casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto.
Escritor/poeta com 14 livros publicados, citado na Enciclopédia de Literatura Brasileira de Afrânio Coutinho.
Jornalista com colunas em jornais e revistas.
Professor de Matemática e Orientador Educacional do Colégio Anchieta /Objetivo.
Fotógrafo/ diretor do Grupo Amigos da Fotografia de Ribeirão Preto.

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