Existem momentos em que é comum acordarmos com o pé esquerdo. Eu achei que seria só mais um daqueles dias em que as coisas não vão dando certo, mas então você começa a se apavorar. Um dia ou outro, isso pode acontecer, mas não uma semana inteira, certo? Talvez não…

Recentemente, estava conversando com uma amiga sobre a atual conjuntura em que vivemos, sobre a falta de ética das pessoas, afirmei que estava desanimada. Ela me disse que essas pessoas não costumam ir pra frente. Mas a minha resposta foi o contrário: não vejo ninguém se culpando, muito menos deixando de dormir.

Eu sempre acreditei na mudança, mas acompanhando essa onda de crise econômica, roubos e mortes, deixei meu otimismo falecer, e fui, mesmo que momentaneamente, perdendo um pouco a esperança nas pessoas. E eis que acordo uma semana toda com o pé esquerdo, ou seria com muita sorte?

Pois bem, tudo começou quando deixei cair meu controle do portão em uma das vias mais movimentadas da cidade e um carro passou por cima. Pude ouvir o “clique” do pneu contra o objeto, mas pelo menos recuperei as chaves (realizando a incrível façanha de não ser atropelada!). Agora acho tudo isso muito engraçado, mesmo que na hora estivesse com pressa e atrasada.

Tive o pressentimento de que dali pra frente as coisas tendiam a ser complicadas. Senti que o dia começou ruim. E foi: durante a noite fui procurar minha carteira dentro da bolsa e cadê? Tinha deixado cair na calçada logo quando sai do banco. Ah, eu tenho certeza de que o nome que darão a isto é distração, mas isso também é sinônimo de entretenimento, passatempo, portanto, eu dou o nome de preocupação.

Pensei na dor de cabeça que teria, para tirar todos os documentos de volta, incluindo o documento de habilitação e do veiculo, muito mais do que pela pouca quantidade de dinheiro que tinha dentro da carteira.

Senti uma enorme vontade me dar um soco! Sim, mas se eu não tivesse paciência comigo quem iria ter? Então pensei: Não tem jeito, terei que arrumar tudo novamente e o primeiro passo a ser dado seria fazer o boletim de ocorrência no outro dia.

A caminho da delegacia, meu irmão me ligou e perguntou onde eu estava. Não queria papo àquela hora, então disse:
– Estou na delegacia. E ele completou:
– É, perdeu sua carteira né? – Pensei, como ele sabia?

Momentos antes, minha mãe contatou-o e disse que uma moça tinha ligado para ela, e seu filho havia encontrado a carteira na calçada, assim que sai do banco. Minha sorte é que não tinha feito o B.O. ainda porque um dos delegados me chamou pra discutir porque tinha estacionado no lugar errado.

Até agradeci depois a falta de educação do delegado, pois se não fossem aqueles poucos minutos, eu teria feito o B.O. e iria ter que tirar tudo novamente. Teria ainda mais dor de cabeça!

O filho e a mãe vasculharam minha carteira na procura de um contato, até encontrarem uma carteirinha do curso de inglês e ligarem pra obter meu telefone. Pensei: E minha falta de esperanças nas pessoas? Fiquei completamente envergonhada…

Dois dias depois também esqueci o celular dentro de um banheiro, em um bar. No outro dia liguei para o estabelecimento desesperada. Pensei que dessa vez eu não teria sorte novamente. O dono do bar tinha encontrado o aparelho ainda desligado e disse-me que poderia ir buscar.

Outra vez, pensei: Porque estava desanimada mesmo?

Nossa maior burrice é nos deixarmos levar por exemplos ruins, desacreditando do bem e, principalmente, da ética das pessoas. Muitas irão te ajudar, mesmo sem lhe conhecer – isso pode acontecer até você fechar os olhos e descansar dessa vida. Também existirão aqueles que de alguma forma, irão lhe prejudicar, não por que são ruins, mas porque foram corrompidos. O importante é saber que ninguém nasce de um determinado jeito, vamos nos transformando. Por isso, chego à conclusão de que não devemos nos precipitar ou desesperar, mas sim acreditar mais em nós e no próximo, com a fé de que o bem sempre prevalecerá.

Abraços!


Colunista: Sâmara Azevedo

  • Sâmara Azevedo
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Sâmara Azevedo
Colunista

Possui graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário Barão de Mauá (2012). É autora do livro reportagem “Violência na Escola: O desafio de enfrentar o bullying e reconstruir a paz”, publicado em 2013 pela editora Kiron. Foi monitora do curso de Psicologia Social, na USP Ribeirão. Trabalha atualmente como redatora e dedica-se à escrita nas horas vagas. Acredita em um mundo mais humano e cooperativo.

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