É muito comum as pessoas se engajarem na tentativa de mudar um comportamento próprio e fracassarem, regredindo ao padrão habitual. Tenho refletido um pouco sobre os motivos que nos levam a desistir das mudanças. Tentar fazer algo diferente da maneira que costumamos agir é difícil, às vezes pode nos parecer impossível. É necessário coragem, mas principalmente, persistência.

Muitas vezes julgamos nossos colegas, amigos ou conhecidos que tentam mudar e não conseguem. Aposto que você, alguma vez na vida, já falou – ou presenciou alguém que disse algo semelhante –, a frase a seguir: “Fulano diz que não gosta de estar nessa situação, mas está lá parado, não faz nada para mudar. Diz que vai mudar, mas quando vê, tá na mesma. O culpado é ele mesmo.”

Quem diz isso, não está completamente errado. De fato, reclamar não nos leva a canto algum, pelo contrário, nos faz cavar um buraco cada vez maior. É como se isso nos afundasse em nós mesmos. Pois é, se manter onde está é terrível, mas pode ser melhor do que arriscar algo novo e que pode não dar certo. Eu sei que parece contraditório, mas quem disse que a vida não é assim. Mudar também dói, até porque, as possibilidades de dar errado são infinitas, principalmente no começo.

Quem já tentou mudar algo, sabe da sensação de impotência e incapacidade que nos domina quando algo dá errado. Para quem não sabe, vou contar um pouco (quem quiser complementar minha descrição, os comentários estão liberados no final do texto 😉 ).

Pense em algo que você faz e que gostaria de fazer diferente. Reflita sobre uma coisa que causa desconforto nos outros e que te traz uma série de problemas. Isso que você está pensando, certamente é algo que te incomoda e que você, se tentasse fazer diferente, poderia sofrer menos e ser um pouco mais feliz (importante: não pensem que é mudar em função dos outros, mas mudar em função de si, principalmente).

Suponhamos que, após pensar muito, você decide que está na hora de fazer algo diferente. Então, você vai e faz. Imagine quanta expectativa há nessa sua tentativa de mudança, imagine o quanto você acreditou que as coisas seriam diferentes, depois de você se arriscar. Agora, depois de feito, você percebe que não deu certo. Você começa a pensar “Tá vendo? As coisas não mudam, não sei para quê tentar?”. Aquilo que você imaginou que se resolveria, caso você mudasse sua forma de agir, não mudou ou não causou aquilo que você esperava causar. Sabe o que sobra? Sobra a sensação de fracasso.

Pode ser que, após algum tempo, você decida tentar uma segunda vez. Acontece que a segunda vez também pode não dar certo. Então, novamente você mergulha no mar do fracasso. Você, então, começa se questionar sobre o quanto vale a pena se submeter a todas essas sensações. É muito comum que, nessas situações, você comece a comparar sua vida, com a vida de outras pessoas. E, acredite, essa comparação é tão desleal e injusta com você. Mas, apesar disso, nós fazemos. Nós nos torturamos a este ponto. O pior é que quando estamos assim, todos parecem ser melhores que nós. Todos parecem bem resolvidos, maravilhosos e decididos. Todos, menos nós.

Mudar também machuca. Frustrar-se é se deparar com as dificuldades do dia a dia. Vivemos num mundo em que falhar não é ensinado como parte da vida, pelo contrário, a vida nos leva a acreditar que convivemos apenas com vencedores. É difícil ter um pouco de esperança, quando a gente olha para essa sociedade doente e capitalista.

É quase impossível acreditar em um mundo melhor, quando você vê ricos roubando e se tornando mais ricos. Quando você nota que as pessoas que você ama, jamais terão determinadas “mordomias”. É frustrante ver tanta gente discutindo para ver quem se importa menos e tratando as pessoas como se fossem objetos, enquanto você só gostaria de encontrar alguém que pudesse ser sincero e que topasse se arriscar com você. O mundo de hoje tem sido frustrante em muitos sentidos.

Mudar é difícil por conta do depois, por conta das tentativas que não dão certo, por conta daquelas coisas que ninguém nos contou e que nós não estamos preparados para lidar. Infelizmente, não há tantas alternativas. Precisamos, ainda que tardiamente, desenvolver resiliência e seguir em frente.

Para servir de conforto, posso dizer que não há, ainda bem, sofrimento que dure uma vida inteira. A propósito, é preciso reconhecer que há coisas maravilhosas e que não consideramos, porque aquilo que é bom, não se destaca tanto quanto aquilo que nos machuca. No fim, seguir em frente é nossa opção. Seguir tentando até que dê certo.

Se você precisar passar por diversas situações frustrantes, pelo menos você vai aprender a lidar um pouco melhor com as decepções e as frustrações de suas tentativas. Apesar de todos os pesares, eu acredito na mudança e insisto nisso. Tem momentos na vida em que precisamos sofrer e, depois de tanto sofrimento, olhar para frente e aceitar: “Vida que segue”!


Colunista: Alex Valério

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Área de atuação: Psicologia
Especializando em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo. Psicólogo pela Universidade Nove de Julho.
Realiza atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos. Atende em São Paulo (Região Central) e no Grande ABC.
Já participou de projetos que envolveram pesquisa básica em análise do comportamento (desamparo aprendido e comportamento supersticioso), ações sociais com o público LGBT e pesquisa quantitativa com familiares de mulheres que estavam encarceradas. Além disso, tem experiência em Gestão de Pessoas, Treinamento e Desenvolvimento.
É amante da arte teatral, tendo participado durante três anos de oficinas de teatro laboratório. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia.
É colunista no Educa2, no Psicologia Acessível e, também, escreve para o próprio blog.
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