Esse ano me formo em Artes Visuais na Universidade Estadual de Londrina. Um curso cuja área de atuação é muito ampla, ao contrário do que muitos pensam.

Uma dessas áreas de atuação é a mediação cultural, em si também muito ampla, mas que em resumo é a ação realizada em museus, galerias, espaços culturais com o objetivo de estabelecer uma conversa entre o espectador e a obra de arte. Foi nesta área que atuei durante o ano de 2014 num estágio que fiz na Divisão de Artes Plásticas da UEL, um espaço cultural voltado às artes visuais vinculado ao curso e à universidade.

Mais conhecida como DaP, a divisão é um espaço onde são realizadas cerca de uma exposição de arte contemporânea a cada um mês e meio e onde um dos objetivos, além de promover a arte e a cultura na cidade, é de ajudar no ensino de arte em Londrina e nas cidades vizinhas. Lá os professores, não necessariamente de artes visuais, são convidados a levarem suas turmas para visitarem a exposição e participarem de uma oficina a partir de algum trabalho exposto.

“Parece que cada vez mais as escolas distanciam os estudantes da experiência, tudo o que é para ser aprendido está em apostilas. Ao mesmo tempo que algumas matérias precisam gerar experiências reais em passeios pela área rural, ou em um laboratório, em algum bosque da cidade, o ensino de artes também tem a necessidade de promover esse contato direto com a arte em espaços culturais da própria cidade, de cidades vizinhas ou capitais.”

Me interessou tanto a atuação nesta área que meu tema de TCC terá como tema a mediação cultural e a importância dos museus e espaços culturais para o ensino de arte.

O Grito da Independência de Pedro Américo. O primeiro quadro que vi com meus próprios olhos. Enorme! Aquele era o quadro que cabia no meu livro de Estudos Sociais?”

O livro “Mediação Cultural para professores andarilhos na cultura”, de Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque, começa com essa frase que expressa muito bem o que o contato com a arte, com museus e espaços culturais significa na vida de um estudante.

Parece que cada vez mais as escolas distanciam os estudantes da experiência, tudo o que é para ser aprendido está em apostilas. Ao mesmo tempo que algumas matérias precisam gerar experiências reais em passeios pela área rural, ou em um laboratório, em algum bosque da cidade, o ensino de artes também tem a necessidade de promover esse contato direto com a arte em espaços culturais da própria cidade, de cidades vizinhas ou capitais.

A grande maioria das turmas que nos visitavam mostravam muito interesse pelos trabalhos e pelo espaço. A visita a um espaço cultural, junto com o pessoal da escola mistura aprendizado, passeio e diversão. Durante o estágio curricular obrigatório, pelo qual trabalhei com estudantes do ensino fundamental do Colégio Estadual José de Anchieta, pude perceber um aumento muito grande de interesse quando os levei para uma visita à DaP. Estava em andamento a exposição O Espaço Sonha o Sujeito, referente ao edital Arte Londrina 3, com artistas de várias partes do Brasil.

Estudantes do C. E. José de Anchieta durante mediação. (Acervo da DaP)

Era comum eu, e meu companheiro de estágio, Fercho Marquez, incluirmos nas mediações questões voltadas à natureza da arte. Questionávamos, por exemplo, como se pode definir um objeto como arte, ou então o que define uma pintura, para travar um debate, tanto para captar aquilo que eles entendem por esses conceitos, como para talvez mudar certos preconceitos.Com uma turma de ensino fundamental do Colégio Fase de Londrina, conversamos sobre o que define uma pintura a partir de duas grandes fotografias, “Livros” e “Oficina”, do artista Hugo Curti. Nestas duas fotos o artista adicionou dois personagens (ou objetos?) um tanto inusitados, uma raposa e um macaco empalhados.

Uma fotografia pode ser uma pintura?
Ouvimos vários dizendo “não”, e outros “sim”, todos um pouco desconfiados. Será que poderia?
Conversamos sobre as “selfies” (os autorretratos corriqueiros do dia-a-dia, comumente postados em redes sociais como Facebook, Instagram, entre outras) de como até algumas das fotos mais simples que tiramos têm uma escolha de detalhes, no caso do autorretrato, a escolha da parede ou paisagem do fundo, a maquiagem, a roupa, o cabelo, os óculos, e depois, os efeitos, a moldura, o corte, a descrição.

Pensando por esse lado, onde mais a pintura estaria presente no nosso cotidiano? Durante a conversa várias situações apareceram, como quando a chuva cai em nossa roupa e a deixa mais escura, quando fazemos comida, quando mudamos a cor do plano de fundo do celular…

Um trabalho de arte pode travar os mais diversos debates, diálogos, dúvidas e opiniões, e o mediador pode encaminhar a conversa para algum assunto específico, tanto de vontade do próprio como para algo que tenha a ver com o que está sendo passado em sala de aula ou de acordo com alguma dúvida levantada durante a mediação.

“Oficina” de Hugo Curti – foto disponível em seu portfólio online http://www.hugocurti.com.br/

É importante que os professores procurem saber sobre centros culturais, museus ou galerias que ofereçam esse tipo de atividade ao público na cidade onde vive ou nas proximidades, entrar em contato e marcar um horário para levar seus filhos ou as turmas. Por mais que nós, na DaP, procurássemos convidar as escolas e os professores diretamente, aconteceu de terem sido feitas poucas mediações durante alguns períodos de exposição. E então, vamos abraçar esta ideia?

Sugestões de leitura/visita:
uel.br/cc/dap – site da Divisão de Artes Plásticas da UEL
Página do artista Hugo Curti
“Pensar Juntos Mediação Cultural” de Mirian Celeste Martins (organizadora)
“Mediação Cultural para Professores Andarilhos na Cultura” de Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque

Ellen Cristina Masalskas arte e mediação cultural A mediação cultural e a importância dos multiespaços no ensino da Arte marcelaa
Autora da Matéria | Colaboradora
Marcela Novaes
Cursa Artes Visuais na Universidade Estadual de Londrina, foi estagiária mediadora na Divisão de Artes Plásticas da UEL durante o ano de 2014.
Já expôs seus trabalhos em exposições coletivas.
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