“Crianças geram muitos gastos!”

“Não sei como controlar meu filho, tudo o que ele vê, quer comprar!”

“Gastei muito este mês com meus filhos!”

Você já deve ter ouvido, ou até mesmo pronunciado algumas destas frases pelo menos uma vez na vida. Mas quando é que seu filho aprendeu a usar o seu cartão de crédito? Por acaso ele pega dinheiro da sua carteira? Aprendeu a preencher cheques? A resposta é não, para todas as questões acima, não é mesmo?

Então, porque temos vistos crianças cada vez mais consumistas? As pesquisas na área de consumismo infantil, revelam que os pais costumam deixar seus filhos tomarem decisões de compra desde muito cedo, se esquecendo que a criança ainda não possui nenhuma condição, neurológica ou psicológica para tomar certas decisões. Temos presenciado grandes dificuldades por parte dos pais  para dizer não a um filho. É mesmo um sofrimento! Aliás há um grande sofrimento destes pais em assumir realmente o papel de pais.

Estudos mostram que 40% das decisões de compra no supermercado partem da influencia que as crianças exercem sobre seus pais.  Mas uma criança precisa aprender muito cedo a noção de caro e barato, mesmo que sequer conheça os números. Os pais devem, assim que a criança começa a falar; a dizerem: Este brinquedo, papai e mamãe não podem comprar agora.  Mas você pode escolher outros com um valor mais barato. Você não estará sendo cruel ou egoísta, mas estará fazendo um grande favor para o futuro do seu filho. Você estará ensinando a ter auto-controle, a ser ponderado, a saber fazer escolhas.

Há poucos dias atrás presenciei crianças visitando uma feira de livros em um shopping. A feira possuía livros com valores que variavam de R$10,00 até R$100,00. Obviamente algumas crianças ficavam encantadas com os livros mais caros. Isto é normal, afinal os mais caros vinham acompanhados de brinquedos. O que não foi nada normal, foi presenciar uma mãe praticamente revoltada com o dono da banca de livros porque ele estava fazendo uma feira de livros. Para ela, era mais fácil ficar revoltada com o trabalho do vendedor do que dizer ao seu filho que não levaria o livro de R$ 80,00.

O resultado disso é que como as crianças não estão acostumadas a ouvir de seus pais sobre estas restrições, as crianças acabam chorando mais do que o normal, fazendo birras intermináveis! Agora eu pergunto: porque será que eu nunca fiz estas birras quando criança? Porque será que meus filhos também não fazem? Será que somos uma família anormal? Ou será que simplesmente fomos educados para entender as restrições financeiras de nossos pais, de nossa família? Será que atualmente na cabeça de alguns pais, restringir um filho a algo que ele queira muito é uma maldade?

Tenho muitas perguntas e poucas respostas. Realmente não consigo entender como é que transferem as doenças de consumo dos adultos, bem como suas limitações, para uma criança! Essa falta de orientação e educação é algo que realmente precisa ser repensado, pois é lamentável. Será que atualmente na cabeça de alguns pais, restringir um filho a algo que ele queira muito é uma maldade? Vamos refletir…


Colunista: Patricia Rachel Pisani Manzoli

  • Patricia Rachel Pisani Manzoli
    Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Atuação: Educação, Sociologia e Antropologia, Pedagogia, Serviço Social.
Patricia Manzoli é Cientista Social (UNESP – Araraquara), Mestre em Serviço Social (UNESP – Franca). Pesquisa: Responsabilidade Social: um estudo sobre o compromisso ético e cidadão do empresariado brasileiro com a educação. MBA em Elaboração, Análise e Avaliação de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) – Pesquisa: Gestão da Qualidade em Projetos Educacionais de Responsabilidade Social. Docente Universitária da Estácio -Uniseb. Sócia e coordenadora educacional do Colégio Monteiro Lobato de Ribeirão Preto. Autora de material didático na área de Ciências Sociais direcionada para Ensino Fundamental II. Palestrante da área educacional.
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Ilustração de Capa: Cordeiro de Sá

  • Cordeiro de Sá
    Cordeiro de Sá
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Cordeiro de Sá
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Cordeiro de Sá (Campinas, 1972) é mestre em arquitetura e urbanismo. Já ministrou aulas em graduações e pós graduações de Arquitetura e Urbanismo, Design, Comunicação social e Marketing, em várias instituições educacionais de Ribeirão Preto e região. É ilustrador, animador e quadrinista. Coordena o selo alternativo RPHQ – Ribeirão Preto em quadrinhos, com três publicações indicadas ao mais importante prêmio nacional do gênero, o troféu HQ Mix.
Militante dos direitos humanos, foi duas vezes Conselheiro municipal dos direitos da Criança e do Adolescente e é Conselheiro municipal da Cultura, também em seu segundo mandato. Em  2005 recebeu o Prêmio PNBE de Responsabilidade Social, na categoria “a entidade educacional que queremos”, em nome do Centro Social Marista de Ribeirão Preto, que esteve sob sua  coordenação de 2002 a 2009.

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