A frase que circula com muita frequência nas discussões sobre a escola, as dificuldades do professor e o desinteresse dos alunos, merece uma profunda reflexão, primeiro pela transferência integral ao aluno da responsabilidade, sua falta de interesse, seu pequeno empenho e sua postura de não querer aprender.

É costumeiro não se discutir o que se pretende da escola, suas propostas pedagógicas, quais são os conteúdos mínimos para que o jovem possa iniciar sua construção de conhecimento, seu significado no dia a dia no seu grupo social, como esta contextualizado aquele conjunto de informações.

Pouco se foca em competências e habilidades que possibilitem a autonomia do aluno, sua capacidade de comunicação, vencer um desafio real que bate na sua porta e aplicar seu conhecimento para de forma solidária melhorar a vida de sua família e grupo social.

Informações e conceitos lançados soltos ao vento, quem sabe um dia pode ter utilidade, quem sabe… Como professor ensinei muitas leis e fórmulas que garanto, nunca 95% ou mais dos meus alunos usaram, me pego as vezes me perguntando se o erro de ter gasto valiosos minutos de tantos jovens por nada, foi meu? Foi do modelo da escola, das cobranças de um vestibular anacrônico, da sociedade que não percebe que está dispendendo recurso e tempo puramente para criar um canal de discriminação e fazer de conta que estamos preparando para um sucesso profissional?

Nós professores esquecemos que tudo que ensinamos é relevante para nós, afinal garantiu nosso sustento, nos deu um status social, ocupamos nosso espaço social, porém quando lembro de número complexos, lei de Faraday e outras coisas mais me vem a dúvida: Quem será que utilizou isso, para que fins e será que eu deveria estender isso a todos?

Em um tempo onde a quantidade de informação é muito grande essa pergunta se torna mais importante ainda, e a escola e o professor deve refletir: O que tenho para falar tem significado para o meu aluno? Tem contexto? É relevante para que possa resolver desafios no seu trabalho, na sua vida, na sociedade?

Afirmar que o aluno não quer aprender é muito destrutivo para a relação professor-aluno, pois nos coloca em lados antagônicos e reduz a possibilidade de debate e diálogo, elementos fundamentais no processo educacional.

Que tal dizermos que o que temos de ensinar precisa ser repensado para que a curiosidade que todos temos seja despertada?

Assim o maior desafio do professor é repensar sua ação junto aos alunos para que a descoberta do conhecimento seja prazerosa, cobrar uma escola com objetivos realmente de catalisar a construção do conhecimento, eliminar processos anacrônicos dos vestibulares e sua influência nefasta na educação.

 


colunista: José Tadeu Bichir Terra

  • José Tadeu Bichir Terra
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José Tadeu Bichir Terra
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Tadeu Terra vem atuando nos últimos 40 anos como professor de física no ensino médio e universitário, coordenador pedagógico de educação básica, diretor pedagógico e administrativo de unidade escolar, autor de material didático impresso e digital, articulista, palestrante, diretor de mídias e tecnologia digital e consultoria em empresas de vanguarda como o Sistema de Ensino COC, Editora Pearson Brasil e Samsung.
Respondendo nesse período por projetos inovadores, com a preocupação de organizar e aplicar a formação dos educadores em geral aos novos desafios, realizando consultoria para implantação de novas tecnologias e materiais didáticos.
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