No dia 23 de abril, às 21h nos Estados Unidos, a cantora americana Beyoncé lança o seu sexto álbum chamado Lemonade, através de um filme, no canal HBO. A princípio, todos aqueles que esperavam o álbum acreditavam que seria algo voltado somente para o entretenimento, porém, a coletânea veio recheada de críticas sociais e ensinamentos de vida, como destacaram alguns meios de comunicação.

Com um total de 12 faixas, Lemonade traz já em seu título a crítica ao racismo contra negros, visto que no passado, os negros passavam limão na pele, pois assim, segundo a crença popular, virariam brancos. A “Limonada” começou a demonstrar à que veio ao destacar os temas de traição, superação, feminismo, racismo, raízes familiares e crítica ao comportamento social, o que agradou a muitos gregos e troianos, mas não a reis da Babilônia, devido à hegemonia de algumas classes.

Após escutar e analisar o conteúdo do sexto álbum da cantora, pude perceber a importância que a mídia tem em relação à educação social, ou seja, aquela que é construída através das relações interpessoais, conceitos e valores. Nós, enquanto educadores, somos responsáveis por esse tipo de construção que se dá junto ao cientificismo tradicional, por isso, devemos ter cautela ao abordar determinados assuntos na sala de aula e incentivar a quebra de paradigmas clássicos numa sociedade que está em constante evolução. Por que fazer isso? Quanto mais próximo da realidade do aluno, mais fácil se torna o processo de ensino-aprendizagem.

Fazendo um mix com as temáticas elencadas por Beyoncé, o primeiro princípio que devemos estar atentos é o respeito ao próximo, independentemente da etnia, gênero, sexualidade ou qualquer opção de vida.

Respeitar retrata o “conviver em paz” ou a “campanha da boa vizinhança”, que estamos acostumados, somado à compreensão de que a vivência de cada ser humano não é igual e que as experiências afetivas estão diretamente relacionadas com o comportamento de cada um. Por isso, ao se deparar com as diferenças sociais, enquanto educadores, devemos compreender a raiz do processo e não usar de pré-conceitos para desviar a atenção de aspectos emergentes da sociedade.

Como segundo ponto a destacar, “Formation” ressalta o empoderamento da mulher negra. Polêmico e emergente, o Feminismo é algo amplamente debatido nos dias de hoje, principalmente, no meio universitário. O conhecimento básico sobre os movimentos que circundam o lócus da sua prática se faz necessário para que algumas posturas, muita das vezes arcaicas, sejam modificadas, a fim de não estabelecer ruídos na comunicação entre docente-discente. Nesse contexto, o respeito deve estar mais que presente, principalmente advindo do homem. Meus caros amigos, não somos mulheres, não sabemos o que elas enfrentam e nunca saberemos, por isso, não acredite que é tão fácil quanto parece. Respeite, admire e incentive a igualdade dos direitos, pois sem o afeto da árvore matriarcal (de bisavó à mãe), você não conseguiria se relacionar hoje com a sociedade.

Falando em família, “Daddy Lessons” tem na essência os pais como espelho dos filhos. As lições ensinadas pelos pais enraízam-se, geralmente, de uma maneira tão sólida que, somente com muita persistência, é possível a mudança de alguns conceitos. Professores, somos engenheiros do saber. Estamos aí para demonstrar que uma estrutura deve sofrer reparos para que consiga manter-se de pé. Os ensinamentos devem ser moldados através da triangulação pai-discente-docente, de forma que os sujeitos se articulem para que o aluno possa sobreviver na “selva de pedra” da vida. Como Beyoncé destaca: “Papai me fez lutar, nem sempre era certo”, devemos ter a ciência de que o certo para a base nem sempre é o certo para o social e, por isso, discernir entre o que deve ser moldado nesse discente e o que se espera dele profissionalmente, a partir da emersão de certas atitudes.

Algumas dessas atitudes têm como semântica a Liberdade de algumas situações de opressão pelo social. Em “Freedom”, a cantora expõe esse tema, como revela o trecho a seguir: “Estou dizendo a estas lágrimas, podem cair, caiam à vontade e que a última delas queime”. No contexto educacional, isso denota, dentre os vários aspectos, como crescer profissionalmente causa dor. Síndrome do pânico, Depressão, Desistência, Baixa autoestima, quantos diagnósticos vemos em alunos durante sua construção profissional? Docentes, nesse momento, temos que ter discernimento para analisar cada caso e incentivar a saída desse aluno do buraco emocional. Devemos ressaltar que a lágrima vai queimar, mas que isso vai ser importante devido à maturidade que vai ser adquirida, ou seja, deixemos claro que tudo tem um propósito, mas que estamos ali para tentar mediar as consequências dessa dor, para que ele possa conquistar seus objetivos. É ressaltar o que Beyoncé destaca “Um vencedor não desiste de si mesmo”, pois a vitória é nossa maior Liberdade.

Como ponto final, destaco que Beyoncé Carter nos levou à reflexão mesmo não obedecendo ao rigor científico de referencial teórico. Lemonade foi uma bomba atirada à sociedade com fins de romper muros estabelecidos por situações opressoras que impedem o desenvolvimento social, cultural e intelectual de uma massa. Além disso, é um álbum que muitos podem dizer que viveram na pele como o preconceito, mudança, perdão e superação. Por fim, Beyoncé quis com tudo isso demonstrar que a vida pode ser: Doce, Ácida, Aguada ou quase perfeita como uma Lemonade.

Colunista: Raí Rocha

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Raí Rocha
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Raí Rocha é Bacharel e Licenciado em Enfermagem pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Pós-graduado em Gestão e Docência do Ensino Superior (UNESA) e em Estratégia de Saúde da Família (UFF). Mestre na área de Neonatologia e Doutorando na área de Educação(UFF). Possui 12 anos de experiência na área da educação atuando nos níveis médio, técnico e superior. Autor de artigos científicos na área da Educação e Saúde. Premiado como “um dos 10 trabalhos mais relevantes da área da Saúde” no Seminário Vasconcelos Torres da UFF.

Atualmente é Sócio/Diretor Pedagógico do Curso A+ Educação Complementar, empresa prestadora de serviço na área educacional com ênfase no Ensino Superior. Atua como Professor da área de Saúde da Criança e do Adolescente no Centro Universitário Anhanguera de Niterói e da Pós-Graduação em Saúde da Família do Centro Universitário Celso Lisboa.

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