Os seres vivos necessitam de pequenas quantidades de alguns metais para a realização de funções vitais, podemos citar como exemplo o cobalto, cobre, manganês, molibdênio, vanádio, estrôncio e zinco. Porém níveis excessivos desses elementos podem ser extremamente tóxicos. Outros metais como o mercúrio, alumínio, chumbo, cádmio, cromo e níquel não atribuem nenhuma função para nosso organismo e, por serem quimicamente reativos e bio-acumulativos, os mesmos podem provocar distúrbios irreversíveis que muitas vezes são subdiagnosticados.

Costumamos dividir as intoxicações por metais pesados de acordo com o seu período de exposição.  As intoxicações agudas têm como característica o desenvolvimento de manifestações clinicas em um curto espaço de tempo, normalmente algumas horas após a exposição excessiva. Já as intoxicações crônicas caracterizam-se pelo surgimento tardio, em meses ou anos, e são advindas da exposição longeva de pequenas ou moderadas quantidades.

A poluição atmosférica, o grau inadequado de resíduos no solo e nos rios são reconhecidos como graves fatores ambientais para o aumento das doenças. Entretanto, o contato humano com os metais pesados não está restrito somente à poluição ambiental. Outras fontes como, resíduos de combustíveis, tubo de pasta de dente, panela de alumínio, água gaseificada (contém alumínio no processo industrial de gaseificação), peixes de água poluída, fumaça do tabaco, baterias de celulares, eletrodomésticos, tintas antigas, tintura de cabelo, esmaltes, bijuterias, amálgamas dentários, inseticidas, alimentos intoxicados, industrializados e alguns medicamentos também contribuem para a intoxicação.

Em 2014, bijuterias importadas da China foram detidas no porto do Rio de Janeiro por apresentarem quantidades alarmantes de Cádmio. Deste carregamento apreendido foram analisadas 24 amostras de anéis, colares e pulseiras. Para nossa surpresa durante a análise foi constatado cerca de 32% a 39% de liga metálica, ao passo que na maioria dos países desenvolvidos, o máximo permitido oscila de 0,01 – 0,03%.

Quando as pessoas optam por utilizar bijuterias sem procedência, vendidas nas feiras hippies ou nos centros das cidades, mal elas sabem que o risco de acúmulo de metais pesados e intoxicação crônica é exponencial. O problema é que além das bijuterias, elas também estão em constante contato com outras fontes, evento esse, que pode levar à intoxicação crônica. Os metais são facilmente absorvidos pela pele e rapidamente ganham espaço na circulação. Para vocês terem uma ideia, a quantidade do Cádmio absorvida é aproximadamente cem vezes maior que a quantidade eliminada. A exposição aos metais pesados pode ocorrer através de três vias:

1) via oral: A partir da ingestão da água e alimentos contaminados;
2) inalação: Por meio da fumaça proveniente da industrialização que se dissipa na atmosfera, vapor, combustão de eletrônicos e fumaça do cigarro;
3) absorção: Contato direto com substâncias que contenham metais em sua matéria prima, neste caso, encaixam-se as bijuterias propriamente ditas e os eletrônicos descartados indevidamente.

 

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:

O excesso de metais na nossa circulação prontamente lesiona os sistemas relacionados a digestão, filtração e excreção de impurezas, como o gastrointestinal e o urinário. Todavia independente da via de disseminação, uma vez absorvidos, estes metais são transportados pela corrente sanguínea até o Fígado onde unem-se a uma proteína ligadora. Esse imuno-complexos e seus metabólitos retornam novamente para os vasos sanguíneos e têm como destino final diversos órgãos. Dentre eles os Pulmões, Cérebro, Coração, Vasos sanguíneos, Rins e Glândulas endócrinas (produtoras de hormônios).

Os rins estão entre os órgãos que mais sofrem, pois neles ocorrem a filtração e excreção das substâncias exógenas, bem como dos seus metabólitos. Neste processo algumas substâncias são reabsorvidas para circulação e outras, acabam se acumulando no interior dos néfrons (unidade funcional dos rins)

Em vigência da intoxicação inúmeros são os sinais e sintomas. Manifestações clinicas subdiagnosticadas como hipertensão arterial, doenças hematológicas, cefaleia persistente, sabor metálico na boca, inapetência (falta de apetite), anemia, oscilação do humor, irritabilidade, Alzheimer, Parkinson, constipação intestinal crônica, distúrbios do sono, convulsões e deficiência hormonal nos levam a suspeitar em intoxicação crônica.

O DIAGNÓSTICO:

De acordo com a capacidade do médico, a epidemiologia, os achados clínicos e o auxílio dos exames laboratoriais, podemos diagnosticar tanto as intoxicações agudas, quanto as crônicas. Para isso, exames como o Mineralograma e Biorressonância são de suma importância, pois eles são capazes de mensurar o perfil dos minerais e metais em nosso corpo.

O Mineralograma é um exame laboratorial que apresenta boa especificidade e sensibilidade para o diagnóstico. Ele pode ser realizado através de 3 vias distintas: capilar, sanguínea e urinária.

Normalmente a amostra capilar é o método de escolha aqui no Brasil, entretanto, em outros países a análise sanguínea e urinária tornaram-se mais fidedignas. A análise pelo fio de cabelo evidência a presença dos elementos numa média de uma semana, a sanguínea permite uma interpretação do estado do paciente por até 60 dias. E, por último a amostra urinaria tem como finalidade mensurar se as substâncias tóxicas estão sendo devidamente excretadas ao longo do tratamento. Podemos indicar a realização deste exame em certas situações:
1) Pessoas que primam pela prevenção de doenças e nunca realizam o exame;

2) Indivíduos que encontram-se em estado limítrofe de saúde, processos infecciosos constantes e sintomas inespecíficos que não são justificáveis pelo por uma patologia de base: fadiga, depressão, astenia, estresse, insônia, cefaleia crônica, dermatites, dores abdominais entre outros…

3) Enfermos, que necessitam estabelecer tratamentos que podem ser intensificados por meio da administração de suplementos nutricionais ou de elementos que permitam a remoção de substâncias nocivas.

Outro exame que tem nos auxiliado bastante no diagnóstico de intoxicação chama-se Biorressonância. Sua funcionalidade é compreendida pela técnica energética que envolve a utilização de ondas electromagnéticas de natureza semelhante às ondas fisiológicas, estas analisam a saúde do paciente, conhecem as perturbações e harmonizam ou reequilibram o corpo onde quer que existam estados alterados. A técnica da Biorressonância toma como base a evidência científica de que o corpo humano tem uma capacidade de auto cura.

O TRATAMENTO:

O primeiro passo após o diagnóstico de uma intoxicação por metais pesados sem dúvidas é afastar os pacientes das fontes de intoxicação. Nas intoxicações agudas, medidas intervencionistas como lavagem gástrica, controle da diurese e introdução de quelantes são inquestionáveis para garantir a integridade do paciente. A quelação tem como fundamento agarrar, “sugar” ou quelar substância como os metais pesados que estão circulantes na corrente sanguínea e desta maneira transforma-los em quelatos – compostos hidrossolúveis-  para enfim serem excretados pelos rins.

Nas intoxicações crônicas, além da utilização de quelantes (principalemente o EDTA CaNa2) também podemos introduzir alguns compostos/suplementos antioxidantes capazes de maximizar o processo de desintoxicação natural do organismo.

RECOMENDAÇÕES:

Evite ao máximo o contato com substancias ricas em metais pesados:  Substitua as panelas de alumínio por panelas de aço inox, evitem comer peixes de rios já conhecidos por sua contaminação, opte por frutas, legumes e verduras orgânicas, tenha o máximo de cuidado com o manuseio das lâmpadas fluorescentes, termômetros, pesticidas e inseticidas, troque a restauração dentaria de amalgama por porcelana (procure um cirurgião dentista), evite contato com a combustão de madeiras pintadas, desodorantes que contenham sais de alumínio, entre outras fontes…


Colunista: Victor Dias Moreira

  • Doutor Victor Dias
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Doutor Victor Dias
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Medicina Integrativa. Médico por formação, o Dr. Victor Dias Moreira acredita no real papel da atenção e prevenção de doenças, bem como em medidas social-educativas a fim de atenuar algumas interrogativas frequentes na população. Procura também, tratar os desiguais de acordo com suas desigualdades, e de forma holística integrar a saúde psíquica à saúde física.
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