Sempre me senti angustiada no sentido de saber como poderia ajudar meus alunos a aprenderem com interesse e entusiasmo.  Primeiramente me dediquei à identificação das Inteligências Múltiplas o qual transformei meus estudos e observações em sala de aula no livro “Inteligências na Prática Educativa”.

Minha inquietude aumentou ainda mais e comecei a ter um interesse especial pela EMOÇÃO que se manifestava através do brilho dos olhos do aluno que, após certa dificuldade, conseguia se apropriar da informação ocorrendo a aprendizagem. Essa alegria se estendia a mim e foi quando comecei a perceber o quão importante é a Emoção no processo ensino-aprendizagem.

Diante disso, resolvi seguir a minha intuição – Ops! A intuição faz parte da emoção? Acho que esse é um bom início para novas pesquisas – então arregacei as mangas e comecei minha caminhada no estudo sobre a emoção.

Como ela acontece no cérebro? Qual caminho percorre? Onde fica alojada? Quando e como é ativada? Estudá-la abre a possibilidade de ajuda no processo da aprendizagem? Questionamentos esses que foram me abrindo portas.

Confesso que está sendo uma tarefa difícil encontrar literatura sobre Emoção, pois como diz Joseph LeDoux (2011) “As emoções, dizem os céticos, são complexas demais para serem localizadas no cérebro.”

O estimulante é que um autor sempre cita outro estudioso que aborda o mesmo assunto, e com isso vou ampliando minha biblioteca, porém a maioria tem o mesmo tipo de comentário: “As emoções foram ignoradas por muito tempo, até mesmo por filósofos e pesquisadores das ciências em detrimento da razão ou do pensamento lógico. Eram considerados processos subjetivos e, como tais, deveriam ser ignorados.” (Carvalho, 2014).

Mesmo hoje, apesar de todos os avanços alcançados pela humanidade em diferentes segmentos, com todos os recursos existentes, alguns indivíduos ainda demonstram, em muitas situações, fragilidade e até incapacidade de olhar para dentro de si mesmos na busca de respostas fundamentais para a evolução das suas vidas.  Quantos não se valem de recursos externos (cartomantes, videntes, tarô e tantos outros) na busca de respostas para o que lhes aflige (emoção) naquele momento. O que motiva esse comportamento? Será um estado de emoção? E a reflexão, também é motivada pela emoção? Alguém já refletiu sobre algo que lhe é indiferente?

Sob minha ótica, a emoção é responsável por ativar a significação de tudo que acontece ao nosso redor, seja ele um fato, um objeto, uma pessoa, um som, um odor ou qualquer informação captada pelos nossos órgãos sensoriais. A própria captação da informação pelos órgãos sensoriais já é um sinal de que há significação. A significação que me refiro é a ligação feita pela emoção da nova informação com a informação já existente na bagagem do indivíduo.

O despertar da atenção por determinado tema, por determinado assunto, determinado objetivo, profissão, enfim por qualquer atividade, e o passar a pensar e a refletir sobre, ocorre porque a emoção (interesse – significação) foi ativada.

O interesse acontece quando o tema é significativo.

A significação ocorre quando há ligação do tema novo com as informações armazenadas na bagagem do indivíduo ativadas pela Emoção. É através do processamento das informações já existentes na bagagem do indivíduo com as novas informações obtidas através dos órgãos sensoriais e, interiorizadas significativamente, que a aprendizagem acontece.

Quando não há interesse a informação não tem respaldo em qualquer significação e, consequentemente, não é adicionada ao roll de informações do indivíduo.

O interesse que gera a curiosidade, a criatividade e a motivação está ativo no processo de captura de novas informações que irá robustecer o roll de significação, ou seja, a bagagem cognitiva, social e cultural que todo indivíduo traz consigo.

Quando não há interesse, a informação não tem respaldo em qualquer significação e, consequentemente, não será adicionada ao roll de informações do indivíduo.

Exemplificando: Uma determinada palavra dita em um diálogo despretensioso, como por exemplo, “cheiro de terra molhada”, pode passar despercebido para um e tocar profundamente o emocional do outro. Vamos imaginar que essa pessoa que foi tocada emocionalmente pela expressão “cheiro de terra molhada” viveu em um sítio, teve uma infância alegre, feliz, e no momento que ouviu a expressão lembrou com saudade dessa época de sua vida. A informação recebida naquele momento – “cheiro de terra molhada” – encontrou significação nas experiências vividas anteriormente que estavam arquivadas em sua bagagem de informações, e fez a ligação emocional trazendo à tona boas lembranças (não necessariamente precisam ser boas lembranças, se a experiência tivesse sido ruim a sensação seria de tristeza).

No caso da outra pessoa não ter qualquer reação ao ouvir as mesmas palavras, pode ter sido pelo fato de não ter sido criada no sítio, ou por não ter vivido no interior, ou nunca ter pisado num chão de terra, nunca sentiu cheiro de terra molhada, ou se sentiu não teve nenhuma ligação emocional, por essa razão que a expressão “cheiro de terra molhada” passou sem provocar qualquer reação emocional, ou seja, não foi significativa e, portanto, foi descartada.

No exemplo acima a expressão citada foi dita naturalmente sem a intenção específica de promover a significação entre os seus ouvintes, porém no campo da Educação, o professor poderá usar esse recurso utilizando o conhecimento que tem sobre a realidade dos seus alunos, suas carências, suas predileções enfim, tudo que possa lhe auxiliar na tentativa de atingir significativamente a maioria dos seus alunos despertando o interesse sobre o tema em pauta.

Dessa forma, cada informação e cada conceito recebidos serão adicionados, desconstruídos e reconstruídos singularmente, embasados na bagagem particular de cada indivíduo (Emoção como fato gerador na seleção dessas informações), propiciando a formação de opinião, o desenvolvimento do pensamento crítico, a tomada de decisão, a aprendizagem construindo, dessa forma, o conhecimento.


Colunista: Cybele Meyer

  • Cybele Meyer
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Cybele Meyer
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Palestrante Educacional
Cybele Meyer está na área da Educação há mais de 30 anos. Atuou como professora, coordenadora e diretora na Educação Básica e Ensino Médio.
Ministrou aulas para turmas da Pedagogia e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Formadora de professores por mais de 5 anos pela Microsoft Educação e Instituto Paramitas.

Integrou o Programa UCA do Governo Federal e Ministério da Educação em parceria com a USP nos estados do AP, MS e SP.

Hoje ministra Palestras pelo Brasil com os temas:

* Valor de ser professor – 3 Passos para se sentir valorizado na sua profissão;

* Encantador de alunos – 5 Maneiras de agir diferente e fazer a diferença;

* Um por todos e todos por um – 5 Dicas para fortalecer a parceria Família+Escola+Aluno

* Inteligências na Prática Educativa – Mude o foco e acerte o alvo.
Autora de três livros: 2 destinados ao público infantil “Menina Flor e Pedolândia” e o outro aos profissionais da educação bem como pais e cuidadores intitulado Inteligências na Prática Educadora Autora de 2 e-books sendo que o primeiro tem perto de 350 mil downloads: O Diário de Juliana
Fez Direito como primeira graduação e após 10 anos, encantou-se pela Educação trocando o Fórum pela sala de aula. Graduada também em Artes Plásticas, e Pedagogia.

Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Docência do Ensino Superior. Especialista em Docência e Tutoria em Ead e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Editora do blog Educa Já! há 8 anos e conta com mais de 80 milhões de visitas.

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