Existem alguns momentos em que as escolas, mesmo as mais tradicionais, se enchem de projetos. Não são raros os colégios que trazem suas “mostras culturais”, “feiras de ciências”, “mostras de artes”. São muitos nomes para o mesmo: em um período, os alunos se unem aos professores e elaboram projetos multidisciplinares, buscando soluções para problemas levantados, participando ativamente no processo de escolha e decisão.

Tudo isso se torna um verdadeiro alívio para a atual geração de crianças, adolescentes e jovens. Alívio, pois são momentos em que saímos do modelo de escola tradicional, onde os alunos ficam sentados em fileiras ou longarinas ouvindo, copiando e anotando o que o professor fala e escreve no quadro, onde tudo se repede por várias aulas por dia, todos os dias da semana, de segunda à sexta. E no final, temos a prova de conteúdo.

Mas voltando aos projetos, são dias incríveis, dias de envolvimento, de crescimento, de análise, de ansiedade e realização. O aluno deixa de ser depósito de informação e a passa a ser o verdadeiro agente de seu desenvolvimento e o professor assume o papel de mediador dando norte ao grupo. Vejo famílias inteiras se organizando para ver os resultados desses projetos, da construção coletiva. Em geral, todos são surpreendidos. A capacidade de criação e engajamento das crianças e dos adolescentes seja a ser comovente. O mesmo efeito se dá no corpo docente. Percebem que seus orientados crescem, descobrem habilidades que sequer sabiam que tinham, desenvolvem outras e, no final, vejo os professores e alunos exaustos, mas todos alimentados e realizados.

Não quero aqui discutir as teorias de aprendizagem e avaliação. Temos uma vasta literatura sobre o assunto. Quero chamar a atenção é para o profundo impacto que esses projetos trazem para a vida escolar e ao aluno. Vejo sempre que após a realização desses projetos, mesmo que sejam esporádicos e muitas vezes o único do ano, há uma grande aproximação dos alunos com os professores. Na verdade há o estabelecimento de cumplicidade e vínculo. A partir daí todo processo escolar passa a ser impactado. Os alunos tendem a se dedicar muito mais com os professores com os quais conviveram, elaboraram, criaram juntos. No final das contas, vejo na prática que educação sem vínculo não existe.

Podemos até sermos tradicionais, conteudistas, mas o vínculo, a proximidade, a construção coletiva quebra as barreiras entre o professor e o aluno. O professor se torna líder de fato e de direito. Cheguei a ver melhora significativa nas notas dos alunos com os professores com os quais desenvolveram os projetos. Em alguns casos, alunos que eram indisciplinados, mudaram de comportamento após esses projetos. Há também o impacto pessoal em cada criança ou adolescente. A percepção de que é capaz de construir, de elaborar, também se alia as dificuldades que um projeto traz. O aprendizado é pleno. Os jovens são convidados a iniciar um projeto, elaborar, executar, vivenciar os problemas, criar soluções e finalizar.

Se não podemos simplesmente mudar por completo os processos pedagógicos de um dia para o outro, que possamos incluir em nossas escolas cada vez mais projetos que tragam engajamento e atitude aos alunos. Os ganhos são muito significativos para serem ignorados.

Colunista: Rodrigo Pires de Morais


  • Rodrigo Pires de Morais
    Rodrigo Pires de Morais
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Rodrigo Pires de Morais
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Área de Atuação: Gestão Escolar
Coordenador do Curso de MBA em Gestão de Escolas (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores – IBFE Campinas), Gestor Escolar, MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Graduado em Química pela USP/RP. Experiência de 22 anos na área de educação, atuando como Diretor Escolar (Anglo/Campinas e SEBCOC/Ribeirão Preto), Coordenador de Curso de EAD (Estácio/UniSEB), professor de Pós Graduação (FGV-Pós em Administração), Graduação (UniSEB-Licenciatura em Química), Ensino Médio e Pré-Vestibular. Consultor Pedagógico em Projetos Educacionais. Implantação e gerenciamento do curso de High School do Grupo SEB. Palestrante e Conferencista.
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