A falta de maturidade estudantil em adolescentes é frequente, por isso, irei relatar alguns fatos que vivi em poucos anos como docente. Os alunos são do ensino técnico entre 16 e 17 anos de idade.

 

  • Alguns alunos me perguntam se o caderno organizado e “em dia” conta ponto. Essa pergunta é bem sintomática da atual educação brasileira, porque os estudantes querem nota mesmo apenas cumprindo com a obrigação deles. Talvez a grande questão aqui esta no cabresto. O que quero dizer com isso: a educação, principalmente fundamental, é muito baseada em controle. Faz parte da educação industrial baseada em “bater ponto” e cumprir metas. É difícil desconstruir esse tipo de paradigma, e normalmente isso bate a porta quando a pessoa entra na universidade (uma boa universidade, porque existem notícias aí de reunião de pais em universidades);
  • Entrega de atividade com letra ilegível, a lápis, sem régua, no desenho dos gráficos, e folha amassada, com rebarba e suja. Esse descaso eu nem preciso comentar. Não aceito o trabalho e peço para refazê-lo indicando os motivos. Recordo muito bem que minha professora da 4ª série do primário não aceitava a entrega de exercícios assim, pois certa vez usei o corretivo líquido em meia frase e ela respondeu que não recebe trabalho mal feito. Refiz e aprendi a lição;
  • Dependência absoluta do professor. Como docente costumo ajudar os alunos a formatarem o currículo e a criar a apresentação do trabalho em slides no computador, entretanto, noto como eles não têm a menor noção de como fazê-los e culpam os professores, dizendo que eles não foram ensinados. Engraçado! É normal vê-los pesquisarem e compartilharem vídeos de humor na internet ou smartphone, mas raramente procuram algo que os faça crescer intelectualmente ou que seja útil nos estudos. A falta de autonomia tem relação também com o controle, conforme foi comentado anteriormente.

Compreendo que a maioria dos professores queira somente ensinar a ementa de sua disciplina, porque é bem cansativo lecionar em muitos períodos e dias da semana, mas o educador precisa de um olhar mais atento nestes detalhes. Ajudá-los a desenvolver a autonomia é um ensinamento para a vida.

A autonomia é fundamental para que o indivíduo perceba sua ignorância e busque constante o próprio desenvolvimento.  Eu ainda costumo assistir vídeo aulas do ensino médio. Vergonha? Não, isso é reconhecimento das minhas deficiências. O ser humano é um projeto eternamente inacabado, ele vai se concretizando na medida em que erra, acerta, vive.

Interessante ressaltar que o físico ganhador do prêmio Nobel Richard Feynman descreveu em seu livro “Deve ser brincadeira, Sr. Feynman!” sobre sua visita às universidades brasileiras e sobre o quanto nossa educação era pautada na obtenção de formas adequadas de reprodução de processos e que isso nos afastava da verdadeira natureza das coisas e da natureza do porquê aprender. Não produzimos, mas reproduzimos. Na ocasião de sua palestra às equipes de educação do governo brasileiro da época, ele perguntou: Afinal, porque motivos deveríamos aprender outras línguas, matemática, ciência e demais conhecimentos?

A resposta ouvida por ele é de que um país que quer crescer não pode se ausentar de deter esses conhecimentos. E sua réplica foi fulminante: Isso é claro, é um absurdo. Devemos aprender algo porque este algo acrescenta à grandeza de nossa condição humana, uma razão sensata e não para sermos iguais aos outros. Caso não, o aprendizado se esvazia, tal como ter habilidade de leitura em grego, mas não conhecer as ideias de Sócrates sobre a relação entre verdade e beleza.

 
Escrito em colaboração com Marcos Paulo Oliveira

 

Ellen Cristina Masalskas a imaturidade estudantil A imaturidade estudantil leandro
Autor da Matéria | Colaborador
Leandro Akira Nakamura
Educação e Tecnologia
Leandro Akira Nakamura é Tecnólogo em Informática para a Gestão de Negócios pela FATEC e Especialista em Docência no Ensino Superior e em Tecnologias em Educação à Distância pela UNICID. Atualmente trabalha como Analista de TI e Professor, mas também tem experiência como Analista ServiceDesk, Analista Programador e Assistente de Coordenação. Em breve será publicado seu primeiro livro infantil pela editora FiloCzar.
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