Em um mundo e momento que tanto valoriza a informação e o conhecimento das mais diferentes “coisas”, o que possibilita, a qualquer cronista de plantão, o direito de interpretar atos e sentimentos alheios, quer de pessoas ou instituições, fica uma indagação constante: “o saber propicia ou desequilibra a paz interior?

Quando a banda britânica Supertramp disse que ”… às vezes, quando o mundo inteiro está dormindo, os questionamentos são profundos demais para um homem tão simples” (The logical song/1099), abordava-se o porquê de termos que ser tão precisos, intelectuais, e até mesmo cínicos, para conseguir sobreviver se sobrepondo ao mundo em redor.

Tenho assistido, tanto em minha vida pessoal quanto na de tantas outras pessoas que esbarram a todo o momento comigo, uma irritabilidade constante, quase crônica, por termos de conviver com especulações, jogos de interesses, soberba e mentiras dentro dos mais diversificados meios, que vão desde a política a empresas, e até mesmo escolas e igrejas.

Chega a parecer que para a maioria das pessoas, tudo pertence ao homem e que somente a ele cabe a prazerosa obrigação de julgar e decidir os desígnios dessa ou daquela instituição ou pessoa. Adora-se o status de “brincar de Deus”, buscando o controle de tudo com as próprias mãos, claro que tendo os próprios interesses como referência.

Quanta saudade do tempo em que me dava ao deleite “do saber” como enriquecimento pessoal e, quando necessário, instrumental de ajuda ao outro. Que saudade do tempo em que “por pouco saber e mais confiar”, dormia mais serenamente.

Atualmente tenho exercitado uma atitude que com certeza não condiz com aquilo que esperam de mim. Tenho evitado saber a maioria dos por quês.

Não estou fugindo à responsabilidade de opinar no mundo em que vivo; apenas estou procurando filtrar o que pode, ou não, estar em minhas mãos.

Sofrer por causas perdidas ou debater com pessoas que sempre carregam suas verdades bem pré-definidas, nunca se predispondo ao novo, só cansa nossa beleza e fragiliza nossa esperança.

Nunca devemos desistir daquilo que consideramos certo, porém faz bem observar que na maioria das vezes não existe um único caminho que obrigatoriamente deva ser seguido, e que novos ares costumam fazer muito bem a toda e qualquer situação.

Pena que nossas instituições que tanto pregam a ousadia, o networking e a motivação, sejam tão medíocres em suas atitudes. Sustentam-se no discurso pelo discurso. Palcos de novidades em templos de insegurança.

Conhecimentos existem para ser explorados e vivenciados, mas para isso é indispensável que contemos com pessoas abertas a diálogos e verdades, o que não combina com jogos, quer dessa ou daquela estirpe.

Trabalho com pessoas que sofrem.

Eu também sofro quando ouço muito e vejo quase nada, que não por acaso é o que mais tenho visto ultimamente.

Preciso confessar que ando pecando o pecado da inveja.

Como invejo o sono de minhas filhas que ainda, e quem sabe por quanto tempo, vivem mais atreladas às verdades e projetos do que às ganâncias e falta de direção daqueles que insistem em se auto-intitular de líderes.

Que pena eu ter que acreditar que a ignorância, muitas vezes, é uma benção.


Matéria por: Guilherme Davoli

  • Guilherme Davoli
    Guilherme Davoli
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Guilherme Davoli
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Psicólogo atuante como psicoterapeuta, professor de psicologia, consultor empresarial e educacional. Autor dos livros:
“Admirando a tempestade e brincando com o vento”
“Vítimas e aprendizes da própria história”
“Somos mais que um simples espetáculo” “Colecionadores de histórias”
Articulista das revistas: “Evidência”, “Profissão Mestre”, “Conectado”, “Ultimato online”, SME-Sistema Mackenzie de Ensino” e do jornal “The Brasilians” (New York). Palestras, cursos e oficinas em empresas, órgãos públicos e instituições de ensino, desenvolvendo temas pertinentes à educação, relacionamento interpessoal e qualidade de vida.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Os textos do GUILHERME DAVOLI são sempre esclarecedores, didáticos, estimulantes e lúcidos. Sempre bom aprender com quem sabe o que ensina.

  2. Olá Luiz! Tudo bem? Nós somos suspeitos pois também somos fãs dos textos do Guilherme! Como bem disse, a reflexão coerente só acontece quando partimos de boas referências. O aprendizado é assim: suave, prático e direto! Muito obrigado pelos comentários e continue acompanhando o conteúdo do Portal. Grande abraço da Equipe Educa2!

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