As generalizações são sempre tão tendenciosas… As afirmações também! Baseado em que você consegue ser tão categórico? Suas fontes são confiáveis? O quê? Como? Saiu tudo da sua cabeça? Nossa! Então você é mesmo superorigenial, um verdadeiro livre-pensador! As ideais saltam, pululam da sua cabeça naturalmente, num jorro inesgotável que desemboca em uma espécie de caldo primordial! Puxa! Meus parabéns! Invejo-te, por Zeus! Amém! Você não pensa ou ao menos sonha com a possibilidade de ser refutado? Ou melhor, que já tenha sido refutado inúmeras vezes mesmo antes de pensar ou sonhar em dizer algo? E digo mais: mesmo antes de sonhar em ter nascido? Todo mundo produz e reproduz conhecimento, assim como ignorância também. A cultura não sai da nossa cabeça do nada, assim como não saiu da cabeça de Picasso, de Chaplin ou de Shakespeare, por exemplo. Saiba que qualquer tema do qual almeje tratar já foi abordado das mais diversas maneiras anteriormente. O amor, a morte, o ciúme, a doença, o sexo, a política, etc., são todos temas universais porque dizem respeito à humanidade. Cientistas, artistas, especialistas das mais diversas áreas já se debruçaram sobre esses assuntos dentre outros, dos mais espinhosos. Os temas citados estão presentes na obra do bardo bretão assim como na de Homero e só foi possível que saíssem da cabeça deste ou daquele intelectual por conta da intertextualidade, da vivência e da experiência. Não existem gênios: o que há são estudiosos incansáveis, determinados, muitas vezes dedicados por toda a vida a um único projeto que resulte único. A cultura não brota de cabeças iluminadas por um raio. Tudo já foi dito, desdito, refutado “n” vezes no decorrer dos séculos. Cabe ao artista, essa “antena da raça”, unir o conhecimento a experiência pessoal, construir pontes com a contemporaneidade para que seu caldo engrosse até ficar no ponto, pronto para ser adicionado a esse caldeirão cultural e devidamente servido às cabeças do futuro. Nada de novo de baixo do sol? Presupuesto que sí! Tudo vem sendo repetido milhares de vezes há centenas de anos, mas há de se buscar novas formas de dizer ou desdizer. Então não vale a pena? Tudo vale à pena se a alma não é pequena, não é, Pessoa?! O que quero dizer é que a sua palavra não é a primeira e nem será a última. Tomara! Porque se assim o fosse, estaria decretado o fim da raça humana. Por isso pense, sonhe e realize! Mas principalmente, estude, nunca deixe de estudar: de “achismo”, o mundo está cheio!


Colunista: Andri Carvão

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Andri Carvão
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Letras
Andri Carvão nasceu em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, em 1978, auge do movimento punk. Artista plástico frustrado, poeta fracassado e crítico literário iletrado, segue
tentando graduar-se em Letras, com habilitação em espanhol, pela Universidade de São Paulo. Publica poemas regularmente na revista online Labirinto Literário, é colunista do site Educa2 e autor da trilogia poética “Um Sol Para Cada Montanha”, livro inédito e impublicável. Participou da Antologia Gengibre: Diálogos para o Coração das Putas e dos Homens Mortos.
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