Sou professor há mais de 20 anos, mas foi em janeiro de 2008 que aceitei o desafio de assumir a minha primeira coordenação e a partir deste momento comecei um processo que reuniu aprendizado, busca de aperfeiçoamento e constante reflexão na área.  A gestão obrigou-me a ter um olhar além da sala de aula, um olhar dos processos pedagógicos e administrativos. Olhar a escola como um todo: os alunos, seus pais e responsáveis, professores, funcionários e mantenedores. Uma busca constante do equilíbrio de forças que nem sempre se complementam e quase sempre são contrárias.

Minha experiência de gestão se deu até hoje na rede privada. Na rede estadual, tive experiência docente apenas. Então meu olhar aqui é de quem conhece muito bem as características das escolas particulares.

O mercado das escolas privadas nunca esteve tão agitado: grandes corporações como Kroton e Somos Educação se tornaram protagonistas e referências. Estamos assistindo a vários processos de compra, venda fusões e expansão. Tudo isto trouxe ao ambiente escolar uma constante busca pela profissionalização empresarial. Assim, expressões como eficiência, alto desempenho, custo, resultado invadiram as escolas nos últimos anos. Percebo que a maioria dos educadores não se sente confortável com esta nova perspectiva. Além disto, novos personagens surgem no universo escolar, além dos professores e coordenadores, surgem os gestores administrativos, vindos do mercado financeiro, marketing empresarial, métodos de gestão pessoas e a tão discutida avaliação de desempenho.

Entendo que temos aqui um processo irreversível. As mudanças já estão nas grandes corporações e estarão mais cedo ou mais tarde nas médias e pequenas escolas. Um mercado que se torna cada vez mais acirrado, uma economia cada vez mais complexa e pessoas cada vez mais exigentes, também exige uma maior profissionalização dos processos pedagógicos e administrativos. Fica claro que neste universo, as escolas que sobreviverão serão aquelas que deverão garantir sua saúde financeira aliada as suas características pedagógicas. Por hora vejo que muitas escolas estão em caminhos paralelos: algumas, em nome de uma tradição pedagógica ou mesmo administrativa não estão olhando seus orçamentos, sem controle dos resultados e pouco a investir; outras estão vivendo o processo de sucessão de forma dolorosa, com rompimento da tradição e perdendo suas características pedagógicas em nome do refinamento administrativo. O momento é delicado e de transição para todos e, acima de tudo, de uma busca intensa de novos modelos de administrar escolas.

Colunista: Rodrigo Pires de Morais


  • Rodrigo Pires de Morais
    Rodrigo Pires de Morais
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Rodrigo Pires de Morais
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Área de Atuação: Gestão Escolar
Coordenador do Curso de MBA em Gestão de Escolas (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores – IBFE Campinas), Gestor Escolar, MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Graduado em Química pela USP/RP. Experiência de 22 anos na área de educação, atuando como Diretor Escolar (Anglo/Campinas e SEBCOC/Ribeirão Preto), Coordenador de Curso de EAD (Estácio/UniSEB), professor de Pós Graduação (FGV-Pós em Administração), Graduação (UniSEB-Licenciatura em Química), Ensino Médio e Pré-Vestibular. Consultor Pedagógico em Projetos Educacionais. Implantação e gerenciamento do curso de High School do Grupo SEB. Palestrante e Conferencista.
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