Como professora universitária vejo que grande parte dos meus alunos chegam à faculdade com a enorme esperança de adquirirem, neste espaço e nesta época da vida, todo o conhecimento necessário para o seu futuro profissional. Mas a verdade é que os alunos começam sua carreira bem antes disso.
Percebemos nitidamente que o conhecimento e bagagem cultural que um aluno traz de toda a sua vida escolar e familiar, fazem toda a diferença. Conhecimentos prévios são aqueles necessários para compreendermos novos conceitos e adquirirmos novas aprendizagens. Mas cada vez mais, recebemos alunos com total despreparo e desconhecimento de conteúdos básicos.
Na graduação, por exemplo, um professor não levará horas explicando fatos históricos que pertencem ao conteúdo do Ensino Fundamental, e que são revisados ou ampliados no Ensino Médio. Espera-se, que os alunos já tenham adquirido estes conhecimentos. Desta forma na graduação, os professores poderiam aprofundar cada vez mais os conhecimentos específicos a serem desenvolvidos.

Mas qual não é a surpresa quando recebemos as provas dos universitários e lemos que Jesuítas e Militares pertenciam à mesma época! O que fazer? Voltar nove anos de Ensino Fundamental? É quase desesperador. Como desenvolver bons profissionais se detectamos que não temos por onde começar?

Por este motivo, deixo aqui um alerta para pais, professores de Educação Infantil e Ensino Fundamental, e principalmente um alerta aos dirigentes do nosso país. Não podemos criar uma nação para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social sem termos base alguma para que isso ocorra. Os cidadãos, aqueles que pertencem e configuram um país, precisam de conhecimento, de esclarecimentos, para fazer um país realmente funcionar.

Um exemplo simples: As padarias estão repletas de funcionários que não sabem o que significa (o grama). Pedimos duzentos gramas de mussarela e as pessoas te olham achando que você usou o português de forma errada. Para elas são duzentas gramas de mussarela. Mas O Grama,  é uma palavra masculina que significa unidade de massa. A Grama, é uma palavra feminina que significa vegetação, relva. Não estou citando este exemplo para falar de regras gramaticais. Estou querendo, mostrar que as pessoas não dominam e não conhecem, nem aquilo que pertence ao seu próprio cotidiano!

Para mim, este é o fato  mais chocante. Estamos cercados de pessoas que sonham com um futuro melhor, um emprego melhor, um salário maior, mas que são completamente alienadas, desvinculadas ou desorientadas do mundo ao seu redor. Por este motivo, não ignore o poder das pequenas coisas que podem educar um ser humano. Os passeios que fazemos com nossos filhos, as coisas e assuntos que apresentamos diariamente a eles, os filmes, a escola que escolhemos, as tarefas que acompanhamos ao lado de nossos filhos, as viagens, tudo isso formará de verdade a bagagem de conhecimento de uma pessoa. A faculdade é apenas o arremate final!


Colunista: Patricia Rachel Pisani Manzoli

  • Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Patricia Rachel Pisani Manzoli
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Atuação: Educação, Sociologia e Antropologia, Pedagogia, Serviço Social.
Patricia Manzoli é Cientista Social (UNESP – Araraquara), Mestre em Serviço Social (UNESP – Franca). Pesquisa: Responsabilidade Social: um estudo sobre o compromisso ético e cidadão do empresariado brasileiro com a educação. MBA em Elaboração, Análise e Avaliação de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) – Pesquisa: Gestão da Qualidade em Projetos Educacionais de Responsabilidade Social. Docente Universitária da Estácio -Uniseb. Sócia e coordenadora educacional do Colégio Monteiro Lobato de Ribeirão Preto. Autora de material didático na área de Ciências Sociais direcionada para Ensino Fundamental II. Palestrante da área educacional.
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