Não foram poucas as vezes que li no Facebook frases desse gênero. É muito provável que quem as escreve (ou por ignorância, ou por má-fé) não leve em conta que “publicar” significa tornar público.

É evidente que a discussão não gira em torno de publicações irrelevantes. Se alguém quer postar que comeu um cachorro-quente ou que levantou X quilos na academia isso não passa de um ato idiota (no sentido de idiossincrático, ou seja, aquele que só enxerga a si), já que poucos gritariam tais coisas numa praça pública, mesmo que apenas para “amigos”.

O que deve ser debatido é a responsabilidade por aquilo que é publicado quando se trata de assuntos graves como, por exemplo, xenofobia, homofobia, racismo ou machismo.

Tudo o que é publicado diz respeito à visão de mundo de quem o fez. Sartre, para conceituar moralmente seu pensamento existencialista, afirmou que ao escolher algo para si, o sujeito o escolhe pela humanidade. É como se, quando eu publicasse minha foto na academia, eu dissesse que é adequado que todos os que foram na academia também publicassem fotos dos seus bíceps sarados.

Assim, ao escolher colocar esse ou aquele conteúdo em sua rede social, o sujeito está agindo moralmente. Um exemplo trivial: se um professor colegial (cujos alunos têm acesso ao seu perfil) postar uma foto na qual está alcoolizado, é como se ele dissesse que consente tal atitude. E, lembremos, que geralmente um professor é formador de opinião para seus alunos.

Com isso, fica a questão: o Facebook é seu, mas o que você publica não é de todos os que leem?


Colunista: Matheus Arcaro

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Matheus Arcaro
Colunista

Professor de Filosofia e Escritor.
Matheus Arcaro nasceu em 1984 em Ribeirão Preto, onde vive atualmente. Graduado em Comunicação Social e também em Filosofia. Pós-graduado em História da Arte. Atua como professor de Filosofia e Sociologia, artista plástico e palestrante. Desde 2006 tem artigos, crônicas, contos e poemas publicados em veículos regionais e nacionais. Seu livro de contos ‘Violeta velha e outras flores’, publicado em 2014 pela Patuá, vem recebendo ótima crítica em âmbito nacional. Seu romance será publicado em 2016.

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