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O fato da criança ou do adolescente acordar todos os dias, colocar o uniforme, pegar seu material e ir à escola lhe dá a impressão de que é somente lá, nesse local, que ele aprenderá.  E que para aprender é preciso que haja um ritual como esse. É por isso que ele não se dá conta de que ele aprende o tempo todo, em todo lugar e a todo o momento.

Ele também escuta que tem que ir à escola para estudar, para ter uma profissão e ter um futuro melhor.  Então o aluno incorpora que é somente na escola que ele tem a oportunidade de aprender e acaba não dando importância para tudo o que acontece no seu entorno. Mesmo na escola, sob a ótica do aluno, o conteúdo da aprendizagem está ancorado na figura do professor. Isso ocorre muitas vezes porque o sistema escolar não valoriza a interação entre o aluno e seus pares, entre o aluno e o entorno, entre o aluno e o objeto de aprendizagem.

Para que a aprendizagem aconteça é preciso que haja interesse, vontade, criatividade, enfim, é preciso que o aluno esteja em movimento interagindo com o meio.

Muitas vezes, quando o professor adota uma prática menos convencional, o aluno estranha, se sente inseguro, se sente perdido sem saber se vai conseguir aprender.

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Eu mesma, quando estava em sala de aula e ia trabalhar um tema novo, gostava de propor uma discussão para poder avaliar qual a bagagem que cada um tinha a respeito daquele assunto. Pois era comum aquele aluno metódico levantar a mão, e ao invés de interagir e contribuir com a discussão, perguntar se eu não ia dar aula. E também era comum aquele aluno muito participativo, que estava totalmente integrado no debate, diante da pergunta do colega sistemático, responder: “Não seja estraga prazer, deixa a professora enrolar. Você vai querer que ela dê matéria?” E eu, mesmo usando vários argumentos para convencê-los de que estávamos trabalhando a matéria, eles custavam a se convencer. É o modelo engessado que acaba imobilizando a todos.

É por causa desse conceito que tudo o que é vivenciado pelo aluno fora da escola não é visto nem por ele e nem pelas pessoas que o rodeiam como fonte de aprendizagem.  Se ele abrir um carrinho para verificar como se dá o seu funcionamento será recriminado, rotulado de destruidor, que não cuida das suas coisas e poderá até ser punido ou ameaçado de não ganhar mais nada. Porém, se a professora pedir para o aluno levar um carrinho para a escola para desmontar para ver como se dá o seu funcionamento ele não será criticado pela família, muito pelo contrário.

É preciso mudar esse conceito de que lugar de aprender é apenas na escola. A partir do momento que esse paradigma for quebrado todos terão o olhar para o que acontece ao seu redor e poderão refletir, analisar, questionar, formar opinião enriquecendo ainda mais a sua bagagem cultural.

Uma experiência que me marcou muito foi uma viagem que fiz de excursão para as cidades históricas, pois o meu objetivo era justamente saber de cada detalhe sobre cada cidade, e antes de fechar a viagem me certifiquei de que o guia seria da cidade, pois assim teríamos acesso às particularidades que não encontramos em nenhum livro. Pois a maioria dos integrantes do grupo não prestava atenção no que a guia turística falava, a ponto de ela se recusar a voltar no dia seguinte. Por fim, eu e mais 5 pessoas fomos para a parte de baixo do ônibus juntamente com a guia para ouvirmos suas explicações enquanto o restante do pessoal ficava falando gracinhas e contando piadas durante o trajeto.

A filosofia da escola também determina que o professor seja professor somente enquanto está em sala de aula não cultivando a interação com os alunos fora do espaço físico e do período escolar. O professor que fica no recreio junto com os alunos é malquisto, inclusive, pelos seus colegas.  O professor que interage com seus alunos via redes sociais é criticado pelos gestores da escola e é visto com desconfiança pelos pais dos alunos.

Muitas vezes o fato de ele participar da mesma rede social que seus alunos pode lhe fornecer dados para que ele conheça melhor esse aluno e o possa ajudar caso tenha dificuldades. Mas essa possibilidade não é aventada porque a visão da escola é a de que a obrigação de aprender é do aluno e a obrigação de trabalhar o conteúdo é do professor, e que uma não tem relação com a outra. É por essa razão que o índice de aprendizagem é o mínimo.

E para finalizar vale mencionar que a escola não precisa incentivar a criança a ser protagonista da sua aprendizagem. A escola precisa somente não impedir que o protagonismo natural da criança se manifeste, porque sabemos que é na escola que o aluno escuta que agora não é a hora para perguntas, que agora não é a hora para compartilhar suas experiências, que agora não é a hora para falar nada.

A escola também não precisa se preocupar em despertar a criatividade nos seus alunos, ela precisa apenas não inibir a manifestação criativa natural de cada criança.


Matéria por: Cybele Meyer

  • Cybele Meyer
    Cybele Meyer
    Colunista
Cybele Meyer
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Palestrante Educacional
Cybele Meyer está na área da Educação há mais de 30 anos. Atuou como professora, coordenadora e diretora na Educação Básica e Ensino Médio.
Ministrou aulas para turmas da Pedagogia e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Formadora de professores por mais de 5 anos pela Microsoft Educação e Instituto Paramitas.

Integrou o Programa UCA do Governo Federal e Ministério da Educação em parceria com a USP nos estados do AP, MS e SP.

Hoje ministra Palestras pelo Brasil com os temas:

* Valor de ser professor – 3 Passos para se sentir valorizado na sua profissão;

* Encantador de alunos – 5 Maneiras de agir diferente e fazer a diferença;

* Um por todos e todos por um – 5 Dicas para fortalecer a parceria Família+Escola+Aluno

* Inteligências na Prática Educativa – Mude o foco e acerte o alvo.
Autora de três livros: 2 destinados ao público infantil “Menina Flor e Pedolândia” e o outro aos profissionais da educação bem como pais e cuidadores intitulado Inteligências na Prática Educadora Autora de 2 e-books sendo que o primeiro tem perto de 350 mil downloads: O Diário de Juliana
Fez Direito como primeira graduação e após 10 anos, encantou-se pela Educação trocando o Fórum pela sala de aula. Graduada também em Artes Plásticas, e Pedagogia.

Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Docência do Ensino Superior. Especialista em Docência e Tutoria em Ead e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Editora do blog Educa Já! há 8 anos e conta com mais de 80 milhões de visitas.

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