Certa vez, uma escola solicitou aos pais de uma aluna que comparecessem ao setor pedagógico, pois a mesma estava apresentando notas baixas. Segundo o corpo docente, a estudante não conseguia se concentrar, ficava inquieta e com a atenção desviada do foco da aula.

Então, a mãe levou a filha num especialista. Em um primeiro momento, o profissional a colocou sentada em uma cadeira, que ficava no canto do consultório, por 20 minutos. Enquanto isso, a mãe conversava com ele sobre todos os problemas que a menina estava passando na escola. Ela relatou os fatos. Entre as dificuldades estavam trabalhos de casa atrasados, notas baixas e desinteresse, um desligamento total.

Após o desabafo da mãe, o especialista foi até a aluna, sentou-se ao lado dela e disse que iria sair da sala com a mãe. Explicou que precisava conversar a sós com ela. Intencionalmente, ao sair da sala, ele ligou o rádio que estava sobre a mesa. Fora do ambiente, os dois observaram a estudante problemática. Ela, ao se ver sozinha na sala, tratou logo de aumentar o som do rádio que tocava músicas dançantes.  Instintivamente, ela começou a dançar com animação.

Diante da reação da aluna, o profissional voltou-se para mãe e afirmou:

– Ela não é doente, ela é dançarina e precisa dançar.  Caso contrário, sua filha passará sonhando com o que ela deseja e irá desviar sua atenção. É no sonho dela que está o talento ainda desconhecido, mas que já faz com que inconscientemente, no meio da aula, ela o visite e devaneie acordada. Este desligamento do conteúdo não é por má razão. Ela o faz por que o desejo de algo mais a persegue. Vejo claramente que a dança é o talento que precisa ser lapidado. O conteúdo na ponta da língua e notas altas não resgatarão o que está adormecido nela. Porém, se derem espaço para que o talento seja respeitado e reconhecido como um valor, haverá o encontro da motivação e da luz própria. Este processo não se dá exclusivamente nas classes da escola, diante de conteúdos intermináveis. Não somos iguais, desejamos muito além da nota.

E finalizou prescrevendo a medicação para a cura dos sintomas da paciente.

– Coloque a menina em uma escola de dança!

A mãe atendeu a recomendação, com o apoio do educandário. Em conjunto, foi encontrada uma saída para um desajuste tão comum em todas as escolas. Se a aluna fosse encaminhada a um outro profissional, poderia ter recebido uma receita com medicamentos para melhorar a concentração e recomendações verbais para mudar seu comportamento em sala de aula.

Alguns meses depois, a mãe levou a menina para dar um feedback ao especialista, já que na escola tudo estava resolvido. A primeira pergunta do profissional foi:

– Sua mãe a colocou na escola de dança?

E a menina respondeu animada:

– Sim! Lá me sinto em casa, por que estando em uma sala cheia de pessoas em movimento, entendi que elas são como eu, se mexem para pensar.

Mais tarde, já na fase adulta, ela fundou uma companhia de dança e hoje é milionária.

Acredito que está na hora de iniciarmos uma nova concepção de ecologia humana. O foco de riqueza humana não pode ficar somente no conteúdo, os talentos pessoais não estão nos conteúdos ministrados ao coletivo. Nosso sistema educacional tem empilhado mentes empurrando-as para um grande funil que é o vestibular. O talento nem sempre tem espaço nos cursos profissionais oferecidos pelas universidades. Somos mais que classificações autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC).

Creio que se faz necessário pensar os princípios fundamentais nos quais baseamos a educação das nossas crianças.

Jonas Salk defende: “Se todos os insetos viessem a desaparecer da terra em 50 anos, toda vida do planeta desapareceria. Se todos os seres humanos desaparecessem da terra em 50 anos toda a forma de vida floresceria”.

Está na hora de celebrar o dom da imaginação humana. Temos que ter muito cuidado para usar esta qualidade com sabedoria. A criatividade é uma riqueza extraordinária e as nossas crianças possuem a essência da criatividade e da imaginação sem limites e sem medo de falhar. Elas são a nossa esperança e a tarefa é educá-las em todo seu ser. E assim, prepará-las para enfrentar o futuro que talvez nós não possamos ver.


Matéria por: Irlei Wiesel

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Irlei Wiesel
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Graduada em Pedagogia. Pós-graduada em Psicopedagogia.
Irlei Wiesel é Coaching Personal & Professional, Escritora, Conferencista, Empresária no segmento do Agronegócio e Educação Corporativa.
Graduada em Pedagogia. Pós-graduada em Psicopedagogia.

Atuou por 14 anos como Educadora do Ensino Fundamental. Nomeada para Casa Civil junto ao Palácio do Governo do Estado do RS para desenvolver projetos educacionais às prefeituras do estado.
Atuou por 6 anos na 8ª Delegacia de Ensino.
Psicoterapeuta com especialização em Hipnose, treinada pelos Drs Jeffrey Zeig e Stephen Gilligan.
Formada em Renascimento com o criador da Técnica o Americano Leonard Orr.
Master Practitioner em Programação Neurolingüística.
Practitioner em Terapia da Linha do Tempo.
Membro da Time Line Therapy com sede no Hawaii-USA.
Diretora do Grupo Wiesel, que possui empreendimentos nos segmentos da Saúde, Clinica de Auto-gestão, Educação Corporativa (treinamentos e palestras), Agronegócio.
Debatedora do Programa: Jogo de Cintura na Rádio Antena 1FM.
Participou por dois anos do programa de TV Conexão Saúde no canal 20 da Net, sempre abordando temas voltados ao desenvolvimento pessoal.
Articulista de diversos sites, revistas e jornais no Brasil.
Co-Autora do livro Você em Primeiro Lugar e do CD um Tempo para Vida.
Autora do livro Cure-se Antes que Você Adoeça – Editora Imprensa Livre.
Sua sólida formação no desenvolvimento humano embasa seu trabalho.
Realiza Palestras e Treinamentos com o foco voltado para liderança, competências emocionais, relacionamentos produtivos, gestão de pessoas, desenvolvimento de talentos, e educação.

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