A perda do apetite sexual, tem se tornado muito frequente na faixa etária próxima aos 40 anos. Quando o assunto é o transtorno do desejo sexual, devemos ponderar uma série de mecanismos e causas, já que somos seres biopsicossociais.

Para dissertarmos mais sobre esse tema, primeiramente devemos entender a diferença entre as teorias psicológicas e os distúrbios orgânicos.

1) A Libido segundo a Psicologia:

De acordo com a teoria da libido descrita por Freud, na infância a libido se desenvolve por fases e por várias características do desenvolvimento da personalidade. São as famosas fases: oral, anal, fálica, edipiana e genital. Partindo deste princípio, os distúrbios relacionados à falta da libido estão estritamente relacionados com inibições prévias, traumas da infância e auto aceitação.

2) A Libido segundo teorias orgânicas e hormonais:

Ainda na graduação de medicina, lembro-me das aulas de fisiologia do envelhecimento. Aprendemos que a diminuição do desejo sexual pode advir de um grande desequilíbrio hormonal, em especial o declínio da testosterona e o aumento do estrogênio. Também pode estar relacionada com a desarmonia da síntese de neurotransmissores pelo SNC (Sistema Nervoso Central).

De acordo com estudos recentes, o stress e o trabalho excessivo tem sido o principal denominador comum para a perda do desejo sexual em ambos os sexos. Como exemplo disso, podemos citar um extenso estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Zagreb, na Croácia, e da Universidade de Oslo, na Noruega. Neste, houve a participação de 5.255 homens heterossexuais e o consenso foi quase que unânime: A influência dos denominadores citados anteriormente está diretamente ligada a produção e a interação dos hormônios sexuais, neurotransmissores e seus respectivos receptores.

Não desmerecendo as teorias, vivemos em um contexto socioeconômico diferente daquele quando Freud e outros catedráticos autores descreveram a libido. Sabemos que a praticidade do dia a dia, o sedentarismo, a alimentação desregrada e a interferência dos chamados disruptores neuroendócrinos tëm repercutido exponencialmente não somente na saúde, mas também na vida conjugal. Se a tentativa da reaproximação entre os parceiros não está sendo eficiente para aumentar a sua libido, talvez seja a hora de procurar por ajuda profissional a fim de saber se realmente existem alterações hormonais.

É de conhecimento geral que quando as mulheres atingem a faixa dos 45 a 50 anos de idade, passam por um período de declínio hormonal marcado pela redução progressiva do estrogênio e da progesterona, evento este conhecido como perimenopausa. O que poucos sabem, é que por volta dos 30 anos de idade os homens também sofrem com a queda hormonal, período denominado Andropausa. Há uma diminuição da testosterona e da DHEA (Dehidroepiandrosterona). Fisiologicamente, depois dos 30 anos de idade, os níveis de testosterona começam a diminuir a uma taxa de aproximadamente 1% ao ano. Dez anos depois, essa taxa passa a ser algo em torno de 2% .

As manifestações clinicas marcadas pela deficiência hormonal são exuberantes em ambos os sexos, porem a perda da libido é uma das queixas mais comuns. Neste caso, estando o nível plasmático da testosterona abaixo do limite inferior da normalidade, a reposição hormonal pode ser uma boa alternativa para o tratamento, desde que seja devidamente conduzida por médicos especialistas no assunto. Como sempre, toda e qualquer conduta que envolva reposição hormonal possui seus riscos e benefícios. Se os prós forem maiores que os contras, e o paciente for acompanhado adequadamente, não vejo o porquê não realizá-la.

Por outro lado, na minha opinião, existem outras alternativas naturais e seguras capazes de elevar os níveis de testosterona. Valendo-se destas opções, a reposição hormonal poderia ficar em segundo plano. Porém, vamos detalhar essas possibilidades, especificamente, em um outro momento pois são inúmeras as alternativas naturais!

Se você se encontra nesta situação, e as coisas não são mais como antes, talvez seja hora de reduzir a carga horária de trabalho, alimentar-se bem, fugir da rotina, investir em momentos a sós com o seu par, procurar programas que agreguem aos dois e sempre que houver desavenças no relacionamento, tenha como norte o diálogo. Esses passos ajudam muito.

Para finalizar, eu digo: não existe nada mais poderoso do que a sua própria capacidade de se curar. Pare de fantasiar desculpas ou almejar uma solução RÁPIDA e MÁGICA, primeiramente busque um novo estilo de vida e acredite em seu potencial de cura. Seu parceiro ou parceira irá agradecer…


Matéria por: Victor Dias Moreira

  • Doutor Victor Dias
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Doutor Victor Dias
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Medicina Integrativa. Médico por formação, o Dr. Victor Dias Moreira acredita no real papel da atenção e prevenção de doenças, bem como em medidas social-educativas a fim de atenuar algumas interrogativas frequentes na população. Procura também, tratar os desiguais de acordo com suas desigualdades, e de forma holística integrar a saúde psíquica à saúde física.
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