Ilustração de Capa: Cordeiro de Sá

Mais um ano se inicia e com ele a batalha do professor que, consciente da importância de formar pensadores, pessoas críticas e questionadoras, não desiste diante daquele aluno que se contenta em decorar e reproduzir as informações tal qual lhe foi passada, sem qualquer análise, sem qualquer questionamento e consequentemente sem qualquer interesse e curiosidade. Normalmente isso acontece quando esse aluno não viabiliza qualquer aplicabilidade daquilo que está aprendendo à sua vida cotidiana.

Para que essa aplicabilidade seja viabilizada será preciso uma pitada de “tempero” que dará sabor à motivação da autonomia do aluno para que saia em busca de mais elementos que respaldarão as suas atitudes social, profissional e individual.

Esse tempero chama-se EMOÇÃO e não estou falando daquela emoção que nos faz chorar ou sorrir, mas da Emoção como fonte de significação.

Sempre há quem fale da importância da significação para a aprendizagem do aluno, porém é comum deixá-la de lado em razão de diferentes fatores.

O professor ao entrar em sala de aula tem que ter muito mais que o dever de cumprir o currículo. Ele não é um banco de informações. Para isso existem os sites de Busca. Paulo Freire, muito antes da existência do Google, criticava a educação bancária em que o professor depositava uma infinidade de informações, sem qualquer significação e consequente aplicabilidade, em seus alunos.

O professor sempre fez isso porque tem por obrigação o cumprimento do currículo. Tem que se programar para cumprir o programa, mês a mês, independente da realidade encontrada em sala de aula. A escola exige que o professor passe por todas as páginas da apostila adotada. Agora pergunto: Há preocupação com o interesse do aluno? E eu respondo: De forma alguma. Quem elaborou a apostila não conhece os alunos daquele professor, e o professor que conhece seus alunos não pode adaptar e muito menos jogar pela janela a apostila e falar de assuntos que façam parte do cotidiano deles.

Só para ilustrar vou dar um exemplo ocorrido numa cidade vizinha.

Não muito longe da Igreja principal há um Chafariz que integra a história da cidade, pois em meados do século XIX, quando não havia água encanada nas casas, os meninos enchiam baldes de água no Chafariz e os carregavam em carrinhos de madeira abastecendo as casas do entorno. Ainda hoje o Chafariz os presenteia com sua água limpa e fresca além de conservar viva a história da cidade.

Esse é um excelente tema para ser trabalhado nas escolas dessa cidade quando abordam o tema “água”. Porém, no livro escolar elaborado especialmente para a rede de Ensino Fundamental desta cidade, ao abordar o tema água, cita como exemplo de fonte ou chafariz a Fontana di Trevi não mencionando, em momento algum, o Chafariz da cidade.

Imagine qual esforço esse professor terá que fazer para conseguir que seu aluno de 9 anos, que ainda não tem sua noção espacial completamente desenvolvida perceba que existem cidades fora do espaço onde está localizada a sua cidade. Que as cidades formam os estados e que todos os estados juntos formam o país que ele mora chamado Brasil. Além disso, como fará para que perceba que existem outros países no mundo e que dentre tantos tem um país chamado Itália, que tem uma cidade capital de nome Roma, o qual existe uma fonte famosa chamada Fontana Di Trevi. Toda essa trajetória terá que ser trabalhada para chegar ao tema água abordado. Não seria um caminho bem mais curto e significativo se lhe fosse falado e mostrado o Chafariz da cidade que ele mora? Não seria, dessa forma, o assunto temperado com a Emoção resultando na significação e consequente aprendizado?

É essa importância da Emoção (interesse) como fonte de significação que eu observo. A Emoção como porta de entrada para as informações que vão influenciar diretamente no processo do pensamento e da aprendizagem.

O despertar da atenção por determinado tema, por determinado assunto, determinado objetivo, enfim, sobre qualquer atividade e o passar a pensar e a refletir sobre, ocorre porque a Emoção (interesse) foi ativada.

Dessa forma, cada informação e cada conceito recebidos serão adicionados, desconstruídos e reconstruídos singularmente, embasados na bagagem particular de cada indivíduo (Emoção como fato gerador na seleção dessas informações), propiciando a formação de opinião, o desenvolvimento do pensamento crítico, a tomada de decisão, a aprendizagem, construindo, dessa forma, o conhecimento.

É a Emoção como combustível para a aprendizagem.


Colunista: Cybele Meyer

  • Cybele Meyer
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Cybele Meyer
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Palestrante Educacional
Cybele Meyer está na área da Educação há mais de 30 anos. Atuou como professora, coordenadora e diretora na Educação Básica e Ensino Médio.
Ministrou aulas para turmas da Pedagogia e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Formadora de professores por mais de 5 anos pela Microsoft Educação e Instituto Paramitas.

Integrou o Programa UCA do Governo Federal e Ministério da Educação em parceria com a USP nos estados do AP, MS e SP.

Hoje ministra Palestras pelo Brasil com os temas:

* Valor de ser professor – 3 Passos para se sentir valorizado na sua profissão;

* Encantador de alunos – 5 Maneiras de agir diferente e fazer a diferença;

* Um por todos e todos por um – 5 Dicas para fortalecer a parceria Família+Escola+Aluno

* Inteligências na Prática Educativa – Mude o foco e acerte o alvo.
Autora de três livros: 2 destinados ao público infantil “Menina Flor e Pedolândia” e o outro aos profissionais da educação bem como pais e cuidadores intitulado Inteligências na Prática Educadora Autora de 2 e-books sendo que o primeiro tem perto de 350 mil downloads: O Diário de Juliana
Fez Direito como primeira graduação e após 10 anos, encantou-se pela Educação trocando o Fórum pela sala de aula. Graduada também em Artes Plásticas, e Pedagogia.

Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Docência do Ensino Superior. Especialista em Docência e Tutoria em Ead e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Editora do blog Educa Já! há 8 anos e conta com mais de 80 milhões de visitas.

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