Acabamos de ter acesso às notas por escola do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem de 2014 e pudemos conferir na classificação a grande diferença existente entre as escolas particulares e públicas.

Se o fato a ser considerado dessa diferença fosse só o da escola ser pública ou particular até que seria fácil de resolver, faríamos um Enem para escolas públicas e outro para escolas privadas e dividiríamos as vagas nas Universidades em 50% para cada uma.

Boa ideia, não acham? #ironizando

Ah! Mas desse jeito estaríamos discriminando!

E o resultado obtido não foi discriminação?

Como nosso país é imenso e a diversidade é um quesito predominante em todas as regiões, em todos os estados, em todos os municípios, fica, a meu ver, praticamente injusto fazer uma avaliação única e dispor o resultado em uma classificação crescente.

Fazendo um parêntesis para reflexão: O homem tem a mania de querer formatar, ou seja, colocar na fôrma, tudo a que tem acesso. Os donos das fôrmas se julgam com expertise para avaliar e determinar quem entra e quem fica fora da fôrma. Para ter uma visão mais consistente ele classifica por ordem crescente, sendo o 1º colocado o mais bem “enformado” e o último colocado fica sendo aquele que não se ajustou na fôrma para se enformar.

O respeito à diversidade, às diferenças, à individualidade faz parte apenas do discurso, porque na prática a formatação é a que predomina.

Os resultados sempre mostram que o método não está dando certo, mas os experts preferem tentar mudar todo o contexto a mudar o método, a fôrma.

Veja, por exemplo, o Fies. Fies é o programa de Financiamento Estudantil que foi criado como uma oportunidade para os estudantes que não têm condições de pagar uma Universidade particular poder cursá-la. Nesse ano 27% dos estudantes de baixa renda não alcançaram a nota mínima e, consequentemente, não poderão usar o recurso.

Não ter alcançado a nota mínima numa avaliação de múltipla escolha não significa que ele não tem conhecimento suficiente para ingressar em uma Universidade. É o que significa pelo menos para mim que sou estudiosa das Inteligências Múltiplas tendo, inclusive, escrito o livro “Inteligências na Prática Educativa” o qual enfatizo a importância de se identificar qual ou quais das inteligências o aluno têm mais potencializada e qual é o seu canal de comunicação mais aflorado (visual, auditivo e cinestésico) para, só então, estabelecer a comunicação adequada.

Também é sabido (e divulgado pela imprensa) que muitas escolas não escolhem os alunos com rendimento ruim e alunos inclusivos para participarem das provas, bem como “treinam” seus melhores alunos para se sobressaírem no Enem para usarem o resultado como marketing para promover a escola. Com isso interferem diretamente nas notas das escolas que não usam esses subterfúgios, e deixam claro que a preocupação está muito mais em promover a escola do que em promover uma educação de qualidade.

Será que não está na hora de jogar fora a fôrma para que a educação avance sem uma forma única?


Matéria por: Cybele Meyer

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Cybele Meyer
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Palestrante Educacional
Cybele Meyer está na área da Educação há mais de 30 anos. Atuou como professora, coordenadora e diretora na Educação Básica e Ensino Médio.
Ministrou aulas para turmas da Pedagogia e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Formadora de professores por mais de 5 anos pela Microsoft Educação e Instituto Paramitas.

Integrou o Programa UCA do Governo Federal e Ministério da Educação em parceria com a USP nos estados do AP, MS e SP.

Hoje ministra Palestras pelo Brasil com os temas:

* Valor de ser professor – 3 Passos para se sentir valorizado na sua profissão;

* Encantador de alunos – 5 Maneiras de agir diferente e fazer a diferença;

* Um por todos e todos por um – 5 Dicas para fortalecer a parceria Família+Escola+Aluno

* Inteligências na Prática Educativa – Mude o foco e acerte o alvo.
Autora de três livros: 2 destinados ao público infantil “Menina Flor e Pedolândia” e o outro aos profissionais da educação bem como pais e cuidadores intitulado Inteligências na Prática Educadora Autora de 2 e-books sendo que o primeiro tem perto de 350 mil downloads: O Diário de Juliana
Fez Direito como primeira graduação e após 10 anos, encantou-se pela Educação trocando o Fórum pela sala de aula. Graduada também em Artes Plásticas, e Pedagogia.

Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Docência do Ensino Superior. Especialista em Docência e Tutoria em Ead e Gestão do Trabalho Pedagógico.

Editora do blog Educa Já! há 8 anos e conta com mais de 80 milhões de visitas.

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