Será sempre mais fácil falar sobre Educação a educar. Contudo, se perguntarmos a um grande educador sobre como ocorre esta “mágica”, ele nos dirá: “Flui, simplesmente flui…”.

A fluidez do processo torna-o simples, embora sempre desafiador – simples, mas não simplista.

De onde vem este aparente paradoxo que só o olhar da sabedoria revela ao observador atento?

Grandes educadores fluem. Sua essência flui através de métodos aparentemente inexistentes, como se o método se dissolvesse no contato pedagógico…

Educação – mais que saberes e conteúdos – trata de essências que se fundem… Não há, a não ser didaticamente, professor e aluno, docente, sujeito, etc. Há, tão somente, um todo gestáltico, onde as partes deram lugar à sinergia.

Quando a mágica da Educação acontece, há uma porta aberta, janelas abertas, paisagens e caminhos que se apresentam – caminhante e mentor se fundem ao próprio caminho. A sensação é: o caminho nos “caminha”.

Neste sentido, muito mais que um processo redutível à modelagem intelectual, a Educação mais se assemelha a uma experiência espiritual e espiritualizante, mas, não necessariamente, dogmática.

Quando há dogma, há persuasão pura e simples; na ausência do dogma há transcendência. Acredito que os melhores professores são os que “geraram” alunos diferentes de si mesmos, mas cuja diferença foi “promovida” no “ventre de suas essências”.

Educar, sob esta ótica, seria gerar a partir de nós alguém diferente de nós, ainda que impulsionado pelo “magnetismo” de nossa própria individualidade.

Educação não gera clones, mas “mutantes”, seres cuja mutação aconteceu promovida pelo verdadeiro encontro pedagógico, que não é prisioneiro de saberes e conteúdos, mas, ao contrário, veículo de saberes e conteúdos ainda maiores que os originariamente previstos.

Educar é conceder à vida biológica transcendência à sua própria condição, convidando a imaginação a gerar conhecimento não por tola repetição, mas por contestação, inovação e construção daquilo que nos é próprio. Educar é promover o ser humano à condição autoral de sua própria manifestação ética, estética e transcendente.

Os verdadeiros professores são “magos alquimistas” que abrem as portas da percepção e da essência, particulares a cada aluno, e os convida a entrar e habitar este mundo que lhes é próprio…

Que extraordinários são estes professores que fazem isto de maneira tão simples que seria necessário elaborar altas teorias para tentar explicar “seu método inexistente”…

Educação acontece… O que se tenta explicar são os caminhos, jamais a jornada.


Colunista: Carlos Hilsdorf

  • Carlos Hilsdorf
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Carlos Hilsdorf
Colunista

Escreve sobre Comportamento e Negócios. Alguns temas: Motivação, Liderança, Administração, Marketing, Vendas, Inovação, etc.

É economista, pós graduado em Marketing pela FGV, consultor de empresas e profundo pesquisador do Comportamento Humano.

Autor dos bestsellers “Atitudes Vencedoras”, ” Atitudes Empreendedoras”, “51 Atitudes para Vencer na Vida e na Carreira” e “Revolucione seus Negócios”.

Considerado pelo mercado empresarial um dos 10 melhores palestrantes do Brasil na atualidade.

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