Existe uma perversa tendência de alguns professores pensarem a ideia de “mudança” atrelada à tecnologia e, dessa maneira, verbos como “mudar” ou “inovar” sempre aparecem associados a novos recursos eletrônicos que olham como “coisas do passado” livros de papel, cadernos, lousas, lápis e canetas. Para estes, a mensagem da renovação denomina-se ensino on-line, tablets, lousas eletrônicas e teclados. Não se pode afirmar que essa é uma concepção de ensino absurda mas, seguramente, nos parece ser uma ideia incompleta.

É evidente que os recursos tecnológicos estão mudando conceitos usuais. É mais evidente ainda que em dez anos (ou ainda menos) não mais se pensarão as “salas de aula” com os atuais elementos que lhes são conferidos. O que parece, entretanto, essencial é acreditar que se não houver radical mudança na “pessoa” do professor, surgirá um inseparável abismo entre seus pensamentos e os recursos eletrônicos que agora chegam. É importante acreditar que toda mudança tecnológica somente assume contorno de verdadeira mudança comportamental quando é antecedida de significativas mudanças mentais. Em outras palavras, mudança real e efetiva significa modificar a maneira de pensar, para somente depois se assumir com plenitude a riqueza e a diversidade tecnológica.

Essa mudança na maneira de pensar do professor necessita apoiar-se em alguns indicadores sólidos, isto é, nada se muda quando ignora-se “o que mudar”. Nesse sentido, propomos como passo inicial de uma verdadeira mudança nesse pensar, pelo menos cinco indicadores que estruturam toda escola e que balizam a ação de todo professor: A “Aula” que ministra o “Conteúdo” que transforma em conhecimento, a “Postura Desafiadora” que assume a “Multiplicidade de linguagens (ou inteligências) que instiga” e, finalmente, a “Avaliação Significativa” que promove.

Não se pode mais acreditar que uma Aula se transforme em relato expositivo, frio e cruel, de saberes que o aluno passivamente ouve. É essencial que o professor estude outras maneiras de ministrar aula e que sempre as credite capaz de gerar protagonismo ilimitado do aluno, sua fala articulada e centrada no tema desenvolvido, a efetiva construção de novas significações e a exploração ilimitada de múltiplas habilidades operatórias. Aula que se ocultar desses princípios se transforma em suplício para quem ministra e martírio para os que são obrigados a recebê-la.

O Conteúdo ensinado necessita ser acompanhado de “cheiro” e “gosto” de vida e, dessa maneira, sempre se incorporar aos fundamentos que envolvem o aluno em sua vida, seus desafios e suas relações. Não mais pode existir uma “História”, uma “Geografia”, “Literatura”, “Matemática”, “Ciência” ou “Arte” que se afaste do cotidiano que não ajude o aluno a olhar e compreender o mundo que o cerca e as pessoas que descobre.

Tempos atrás a postura do professor diante de seus alunos era invariavelmente a do “proprietário do saber” e “inquisidor de memórias”. Para professores desses tempos, o ponto de interrogação representava apenas a arma com que aferia e feria seus alunos e sua aula expunha temas que eram essências de se guardar. Não mais se concebe postura similar e o professor dos novos tempos necessita menos ensinar e mais ajudar o aluno a aprender, menos cobrar repostas prontas e mais provoca-las, fazendo do ponto de interrogação sua arma e a alma de sua aula. Da mesma forma, o professor de anteontem era o mestre do texto e apenas nesta linguagem acreditava. Seus desafios eram textos, as provas cobravam textos o sucesso da aprendizagem era pelos textos (orais ou escritos) avaliados. Não mais se aceita a restrição desse limite. O novo aluno possui estilo de aprendizagem múltiplo e, dessa forma, requer a palavra e o pensamento, a foto e mensagem, o texto e a ilustração e, assim, não prioriza esta a aquela inteligência, pois o uso de todas representa sua ferramenta de um novo aprender.

Essas mudanças não são difíceis de implantar e, menos ainda, difícil de encontrá-las. Difícil é acreditar em coletiva vontade de se transformar e assim, verdadeiramente, viver. É claro que se o professor se moderniza em sua aula, seu conteúdo, sua postura e suas linguagens, fluirão como consequência inquestionável também mudança em sua avaliação.

Professores com esses requisitos, e livres para aspirar esses pensamentos, serão sempre professores admiravelmente modernos, mesmo em uma sala de aula aonde sequer a luz elétrica chegou.


Colunista: Celso Antunes

  • Celso Antunes
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Celso Antunes
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BACHARELADO E LICENCIATURA: GEOGRAFIA – ESPECIALISTA EM INTELIGÊNCIA E COGNIÇÃO – MESTRE EM CIÊNCIAS HUMANAS, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1968/1972
• MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELOS DIREITO DA CRIANÇA BRINCAR (UNESCO)

• EMBAJADOR DE LA EDUCACION – ORGANIZACIÓN DE ESTADOS AMERICANOS

• MEMBRO FUNDADOR DA ENTIDADE “TODOS PELA EDUCAÇÃO”

• CONSULTOR EDUCACIONAL DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (CANAL FUTURA)

• EXÉRCITO BRASILEIRO – COLABORADOR EMÉRITO
PRODUÇÃO INTELECTUAL:

• AUTOR DE MAIS DE 180 LIVROS DIDÁTICOS – ED. DO BRASIL, ED. SCIPIONE. ED AO LIVRO TÉCNICO E OUTRAS

• AUTOR DE CERCA DE 100 LIVROS SOBRE TEMAS DE EDUCAÇÃO – ED. VOZES. ED. PAPIRUS. EDITORA PAULUS, EDITORA LOYOLA, ED. ARTMED. ED. ROVELLE ED. CIRANDA CULTURAL E OUTRAS.

• OBRAS TRADUZIDAS: ARGENTINA, MÉXICO, PERU, COLÔMBIA, ESPANHA, PORTUGAL E OUTROS PAÍSES

PALESTRAS E CURSOS:

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS EM TODOS OS ESTADOS DO PAÍS, MAIS DE 500 MUNICÍPIOS.

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS NA ARGENTINA, URUGUAI, PERU, MÉXICO, PORTUGAL, ESPANHA E OUTROS PAÍSES.

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