O diagnóstico do Ministério da Educação que precisamos mudar urgentemente o Ensino Médio é correto, que as muitas dúvidas que a questão levanta, tem alongado as discussões e protelado a apresentação de soluções, porém não se pode esquecer o tamanho do desafio, já que o momento exige ações profundas e inovações disruptivas na forma de ver e fazer uma Educação Contemporânea.

Não se trata de melhorar, pôr e/ou tirar conteúdos e disciplinas, aumentar a grade horária, tentar resolver a falta crônica de professores devidamente preparados. A questão é transformar inclusive nossa visão de que educação se faz somente com a escola, como fazer e para que finalidade.

“ Ninguém pode negar a crise da Educação no Brasil, a falta de interesse dos alunos, a indisciplina e que a situação mais grave é realmente do Ensino Médio, falta além de tudo uma clareza de sua função no contexto atual da sociedade. ”

Na Reforma proposta se vê claramente a preocupação de corrigir resultados do Ensino Fundamental, momento de realizar a alfabetização dos jovens. Será essa a função do Ensino Médio? A melhoria deve ocorrer na primeira fase, porém, na “régua” criada houve melhoria, assim fica difícil se fazer críticas despreparadas.

O lado mais triste de tudo é acreditar que dividir por áreas de saber vai resolver o desinteresse dos alunos, isso em nenhum momento resolve as questões individuais, dependendo do formato cria uma visão limitada de mundo e do conhecimento, se queremos reais mudanças precisamos integrar o conhecimento, dar ao aluno autonomia, criatividade, capacidade de transformação e adaptação a novas demandas, noção de coletivo e trabalho em grupo e desenvolver a empatia capaz de reduzir muito os conflitos sociais.

É necessário entender que precisamos sair do limite dos “muros da escola”, a educação se faz nos teatros, nas bibliotecas, nos museus, na internet, nas redes e também na escola, precisamos promover a inclusão e dar acesso a todos aos bens culturais, à tecnologia, estágios de trabalho e formação, e meios não escolares para realizar o processo educativo.

O uso de boas práticas educacionais, da tecnologia e de metodologia de projetos pode colocar os jovens a frente de problemas concretos, com foco em todas as áreas de conhecimento, nas questões éticas, sociais, históricas e políticas. Afinal, o intuito é tornar o jovem membro ativo da sociedade, dar significado ao que está aprendendo e o tornar um elemento transformador de sua realidade.

O aumento da grade horária apenas aumenta os problemas, pois hoje temos falta de recurso para atender a demanda de todos, as estruturas físicas estão sucateadas, nossos professores além de serem em números insuficientes, em sua grande maioria estão defasados. Na minha visão, temos que ter cuidado para não errar e dispender recursos já escassos por demagogia

O primeiro passo é começar a investir “pesado” na atualização dos professores, dar condições de maior inclusão cultural e digital, abrir horizontes que os permitam ver a educação além de suas disciplinas, das avaliações e dos “muros da escola”.

Criar condições de acesso à cultura e às atividades esportivas, favorece o estímulo para que o aluno retome o prazer de aprender, pois verá que tudo que soma a sua vida tem um efeito transformador, a valorização e o respeito aos diversos conhecimentos adquiridos empodera o jovem e aumenta sua autoestima e sua efetiva participação na sua educação.

A escola precisa ser menos engessada, dar maior flexibilidade ao aluno na construção de seu conhecimento, quanto mais criarmos uma pseudoliberdade de escolha, mais longe ficamos de nossa missão que é preparar o jovem para futuro, com condições plenas de trabalho e cidadania.

Mudar sim, porém para melhor e mais atual! Não há volta ao passado! Pois o mundo hoje precisa de pessoas muito diferentes das do século XIX e XX, na época a função da Educação era dar empregabilidade, o maior sonho era arrumar um bom emprego, hoje, é dar trabalhabilidade, o maior sonho é ter um trabalho digno e uma carreira planejada seja como empreendedor ou empregado, e que esse possa garantir uma boa qualidade de vida de forma sustentável.


colunista: José Tadeu Bichir Terra

  • José Tadeu Bichir Terra
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José Tadeu Bichir Terra
Colunista

Tadeu Terra vem atuando nos últimos 40 anos como professor de física no ensino médio e universitário, coordenador pedagógico de educação básica, diretor pedagógico e administrativo de unidade escolar, autor de material didático impresso e digital, articulista, palestrante, diretor de mídias e tecnologia digital e consultoria em empresas de vanguarda como o Sistema de Ensino COC, Editora Pearson Brasil e Samsung.
Respondendo nesse período por projetos inovadores, com a preocupação de organizar e aplicar a formação dos educadores em geral aos novos desafios, realizando consultoria para implantação de novas tecnologias e materiais didáticos.
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