Quinze anos atrás assistia o pôr do sol da janela do meu consultório terapêutico. Minha mente estava sobrecarregada. Ouvira durante todo o dia as dores emocionais dos clientes. Estávamos na primavera e eu, me sentia feliz pelo cenário que prendia meu olhar. Virei minha cadeira para o outro lado da mesa para apreciar o encanto da natureza. Lembro que sorria emocionada. O céu estava brincando com cores divinas.

Encostei meu corpo cansado no encosto da cadeira e minha mão insistia em brincar com uma caneta perdida sobre a mesa. Meus olhos fitavam o céu e minha mão brincava com a caneta. Havia um livro do Paulo Coelho na mesa, que deseja a minha atenção. A contracapa exibia uma foto enorme do autor. Era como se  ele gritasse por atenção, mas eu estava ocupadíssima com a janela que exibia um cenário de paz e quietude. Eu merecia um tempo só para mim. Porém, minha mão que brincava com a caneta aos poucos movia-se sobre um papel. Palavras… frases…parágrafo… Meus olhos rodopiavam. Hora olhavam o pôr do sol, hora olhavam para os olhos daquele escritor de sucesso, hora para o papel que já estava preenchido por idéias que borbulhavam na minha mente. Estranhamente iniciou-se um movimento de criação pelo uso da palavra, que eu desconhecia. O céu escureceu e eu me senti iluminada…

A noite substituiu o dia e eu substituí minhas costumeiras tarefas após o expediente para olhar o olhar daquele autor e oferecer papel e mais papel às minhas mãos. E assim aconteceu, em um dia qualquer, diante de uma janela, um olhar convidativo, eu abri espaço para um talento que desconhecia em mim. Meses depois de ter escrito vários artigos, uma voz tímida sussurra: – Que tal escrever um livro? Logo percebi que era um desejo meu aflorando e a voz era de fato minha. Despertou em mim uma energia nova e sempre que a agenda permitia, eu me lançava na escrita.

O prazer era tanto que esquecia a vida. Minha concentração era tamanha que mal ouvia minha secretária batendo à porta, me trazendo para a realidade. O consultório passou a ser um laboratório para inspirar meus escritos. As pessoas traziam conteúdos tão enigmáticos, emoções tão emaranhadas, vidas tão sofridas, caminhos tão confusos, lágrimas tão verdadeiras, dores tão apertadas, feridas tão abertas, desejos tão sufocados, sonhos tão amarelados, relações tão corroídas enfim… que, eu, escrevia para transferir ao papel o que não cabia no meu mundo.

O consultório, a janela, o olhar de Paulo Coelho, o silêncio do final da tarde, a solidão da noite, naquele quinto andar da Rua do Acampamento, Ed. das Clinicas – Santa Maria –RS e a mão direita escrevendo enquanto a esquerda oferecia papéis. Lá, em silêncio, eu iniciei o meu jeito escritora de ser. Neste ofício eu sou cautelosa e tímida. Escrevo para expressar, não tenho a pretensão de agradar. Pois, o processo é meu, nasce da minha observação da realidade, são palavras que grudam uma às outras, não impeço a expressão do pensamento, ao contrário, eu abro espaço para ele.

Meu tempo é oferecido para que as palavras encontrem um papel. Quando olho e dou por mim, lá está um artigo, um livro em andamento, uma frase inspiradora e muito mais. O tempo passou, mas minha inspiração é a mesma. O processo é sempre igual. Fico intranquila e sinto que devo sentar em algum lugar calmo, abrir o computador, acessar o word e esperar uns 2 minutinhos. Pronto é o que basta, para os dedos teclarem freneticamente ao som do silencio. Sinto que é a contribuição que faço para alguém, em algum lugar. Sabe como é, as palavras empregadas positivamente inspiram grandes mudanças.

Segundo o meu guru inspirador somos como borboleta, assim como ela estamos sempre em algum estágio de atividade:

– Podemos estar no primeiro estágio, onde a idéia nasce, mas ainda não é uma realidade, é o estágio do ovo, o ponto de criação de uma idéia;

– O segundo estágio, da larva, é onde temos que tomar uma decisão;

– O terceiro estágio, do casulo, é o desenvolvimento do projeto, é fazer para realizar;

– E o estágio final, a transformação, é deixar a borboleta voar, é a realização;

Passei por todo esse processo. Quinze anos depois, nasce o meu primeiro livro solo. Por isso é importante acreditar, persistir e nunca desistir.

O que está esperando para desenvolver suas ideias, e realizá-las? Sonhos podem, sim, sair do papel. Só é preciso dar o primeiro passo… Transforme-se, e permita-se descobrir seus talentos!


Matéria por: Irlei Wiesel

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Irlei Wiesel
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Graduada em Pedagogia. Pós-graduada em Psicopedagogia.
Irlei Wiesel é Coaching Personal & Professional, Escritora, Conferencista, Empresária no segmento do Agronegócio e Educação Corporativa.
Graduada em Pedagogia. Pós-graduada em Psicopedagogia.

Atuou por 14 anos como Educadora do Ensino Fundamental. Nomeada para Casa Civil junto ao Palácio do Governo do Estado do RS para desenvolver projetos educacionais às prefeituras do estado.
Atuou por 6 anos na 8ª Delegacia de Ensino.
Psicoterapeuta com especialização em Hipnose, treinada pelos Drs Jeffrey Zeig e Stephen Gilligan.
Formada em Renascimento com o criador da Técnica o Americano Leonard Orr.
Master Practitioner em Programação Neurolingüística.
Practitioner em Terapia da Linha do Tempo.
Membro da Time Line Therapy com sede no Hawaii-USA.
Diretora do Grupo Wiesel, que possui empreendimentos nos segmentos da Saúde, Clinica de Auto-gestão, Educação Corporativa (treinamentos e palestras), Agronegócio.
Debatedora do Programa: Jogo de Cintura na Rádio Antena 1FM.
Participou por dois anos do programa de TV Conexão Saúde no canal 20 da Net, sempre abordando temas voltados ao desenvolvimento pessoal.
Articulista de diversos sites, revistas e jornais no Brasil.
Co-Autora do livro Você em Primeiro Lugar e do CD um Tempo para Vida.
Autora do livro Cure-se Antes que Você Adoeça – Editora Imprensa Livre.
Sua sólida formação no desenvolvimento humano embasa seu trabalho.
Realiza Palestras e Treinamentos com o foco voltado para liderança, competências emocionais, relacionamentos produtivos, gestão de pessoas, desenvolvimento de talentos, e educação.

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