Reiteradas vezes temos procurado mostrar que não é nada fácil, nos dias de agora, a tarefa de educar filhos. Atropelados por compromissos múltiplos, desdobrando-se para garantir alimentação e saúde e nunca esquecendo que qualidade de vida implica em relação social e afetiva intensa, o tempo escapa pelas mãos e nem sempre olhamos o espelho com a segurança de ao lado de tudo isso, cumprimos a bela missão de bem cuidar dos filhos. Nesse sentido, esta crônica propõe dois desafios e junta aos mesmos iguais números de propostas para que se pense em sua aplicação, sempre ajustado à maneira de ser e de ser de cada família. Esses desafios abrigam duas questões comuns a todos: Como ajudar o filho a pensar e de que maneira fazer desse bom filho um excelente aluno.

Imagine alguém que fosse incapaz de pensar. Uma pessoa forte, bonita, vistosa e que soubesse comer, andar, dormir, mas que fosse literalmente incapaz de pensar. Como você definiria essa pessoa? Provavelmente a identificaria a um vegetal. A alguém sem emoções, órfão de alegrias, tristezas e sentimentos. Agora que você foi capaz de imaginar essa situação, reflita nas duas afirmações seguintes: “Uma criança de oito anos, que recebeu estímulos cognitivos aos três, conta com um vocabulário de cerca de doze mil palavras – o triplo do de outra criança sem a mesma base vocabular”. “Toda a base estrutura do que pensamos se fundamenta em palavras. Se mais palavras dominamos, mais vastos e mais amplos são os limites de nossos pensamentos”.

Um simples olhar dirigido para uma fictícia pessoa que não pensa capaz de olhar sem ver, ouvir sem escutar, viver sem sentir, acaba por nos levar a perceber que é muito difícil esperar que quem não tenha razoável base vocabular consiga desenvolver pensamentos complexos, essenciais para a aprendizagem seja ela qual for. O papel dos pais na formatação de pensamentos é essencial. Crescer em meio a pais que conversam, opinam, leem, contam anedotas e desafiam, ou viver nos limites de adultos que apenas dizem e em seus resmungos não olha a criança senão com a complacência de quem olha uma planta, interfere de forma acentuada na diferença entre a pessoa pensante e a que imita.

Caso nesses caminhos se acredita e em seu nome se projeta ações, tarefa mais fácil envolve a questão de se fazer do filho um bom estudante, embora não exista unanimidade para se afirmar o que é um “bom aluno”. Alguns consideram seus filhos um bom aluno porque o parâmetro de sua hierarquia de valores é o “esforço”, “dedicação”, enfim, a aplicação com que se entregam as tarefas escolares. Outros preferem acreditar nos “resultados” e atribuem essa qualidade aos que “tiram sempre notas muito boas”, “dedicam-se as tarefas com assiduidade e sem imposição”, “assumem os compromissos escolares com ânimo e disposição”.

Como é amplo e também um bocado subjetivo esse conceito, importa esclarecer que os fundamentos que vamos destacar para ajudar os pais e professores a transformarem filhos de alunos comuns em excelentes estudantes são os que o “Movimento Todos pela Educação” obteve em pesquisa junto a pais de todo o país que, com orgulho, reconheciam essas condições em seus filhos. Nesse interessante estudo palavras como “empenho”, “pontualidade”, “assiduidade”, “compromisso”, “dedicação”, “sucesso”, “perseveranças” e “esforço” foram muito destacadas e, em seu nome, nos afastamos da exclusividade da palavra “notas altas”.

Bons alunos, tal como crianças e adolescentes pensantes, são produtos de construção e coerência familiar, quando claras regras são discutidas e quando existe rigor em sua cobrança. Bem educar é ensinar o “não” e esse ensino jamais dispensa firmeza e serenidade. Como se percebe filhos pensantes e que sejam bons alunos não nasce pronto, são construídos delicadamente na firmeza de ações cotidianas e consistentes.


Colunista: Celso Antunes

  • Celso Antunes
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Celso Antunes
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BACHARELADO E LICENCIATURA: GEOGRAFIA – ESPECIALISTA EM INTELIGÊNCIA E COGNIÇÃO – MESTRE EM CIÊNCIAS HUMANAS, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1968/1972
• MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELOS DIREITO DA CRIANÇA BRINCAR (UNESCO)

• EMBAJADOR DE LA EDUCACION – ORGANIZACIÓN DE ESTADOS AMERICANOS

• MEMBRO FUNDADOR DA ENTIDADE “TODOS PELA EDUCAÇÃO”

• CONSULTOR EDUCACIONAL DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (CANAL FUTURA)

• EXÉRCITO BRASILEIRO – COLABORADOR EMÉRITO
PRODUÇÃO INTELECTUAL:

• AUTOR DE MAIS DE 180 LIVROS DIDÁTICOS – ED. DO BRASIL, ED. SCIPIONE. ED AO LIVRO TÉCNICO E OUTRAS

• AUTOR DE CERCA DE 100 LIVROS SOBRE TEMAS DE EDUCAÇÃO – ED. VOZES. ED. PAPIRUS. EDITORA PAULUS, EDITORA LOYOLA, ED. ARTMED. ED. ROVELLE ED. CIRANDA CULTURAL E OUTRAS.

• OBRAS TRADUZIDAS: ARGENTINA, MÉXICO, PERU, COLÔMBIA, ESPANHA, PORTUGAL E OUTROS PAÍSES

PALESTRAS E CURSOS:

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS EM TODOS OS ESTADOS DO PAÍS, MAIS DE 500 MUNICÍPIOS.

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS NA ARGENTINA, URUGUAI, PERU, MÉXICO, PORTUGAL, ESPANHA E OUTROS PAÍSES.

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