Edmundo veio ao mundo sem muitas coisas boas a comemorar. Nasceu em uma pequena cidade de pouco mais de cinco mil habitantes, distante mais de 200 quilômetros da capital. Pertencente a uma família de judeus honestos, trabalhadores e bem intencionados não eram, entretanto, muito bem tratados na comunidade.

A casa em que Edmundo cresceu era pequena e desconfortável, mas quando a situação de Jakob, seu pai, melhorou um pouco pode dispor de uma pequena sala para seus estudos e algumas prateleiras de livros lidos e relidos em sua modesta estante. Não era pouca coisa para uma família com sete filhos, um pai com o dobro da idade da mãe, e ainda, um sobrinho e uma sobrinha. Mas, Edmundo foi abençoado por uma atenção especial de sua mãe e, também, por uma babá que o desafiava a toda hora e era por isso adorada pelo garoto.

Criança extremamente talentosa gostava de perguntar-se as perguntas que todas as crianças se fazem, mas teimava e não dormir sem respostas, mesmo que frustrantes. O melhor da classe por muitos anos, raramente precisava fazer exames finais, e esse seu sucesso representava verdadeira festa e orgulho para sua grande família. Adorava caminhar livremente e mais tarde tornou-se bom nadador e patinador e sonhava como quaisquer garotos sonham tornar-se um valente soldado.

Alberto tinha pouca coisa em comum com Edmundo. Embora também nascido em uma família judaica, começou a falar bem mais tarde que a idade normal em que as crianças falam e portador de dislexia, não curtia muitos amigos, gostava da solidão e era, realmente, um mau aluno. Morando em Munique, na Alemanha, sua família era muito divertida, ainda que simples e seu pai, Hermann, era um negociante que vivia sempre entre altos e baixos. Sua mãe, tal como a de Edmundo, também adorava fazer perguntas e inventar enigmas, ainda que não demonstrasse pelo filho a paixão que Edmundo recebia em sua casa.

Quando estava com apenas quatro ou cinco anos, Alberto ganhou o direito de brincar com o compasso de seu pai e se interessava muito pela força da agulha, que não se mexia, independente das curvas procuradas pelo escrínio. Alberto era popular entre seus familiares e vizinhos por teimar em fazer perguntas corajosas e refletir profundamente sobre elas, mesmo que as respostas demorassem aparecer. Era, por sua tenacidade e insistência, elogiado por amigos e familiares.

O que, afinal, existia em comum entre essas duas crianças? Pouca coisa, a não ser desafios, perguntas, a força da imaginação na busca de respostas, o amor aos livros e o reconhecimento familiar em que jamais faltam elogios, se merecidos. Nada que não possa existir em cada família do Brasil, em cada escola de Educação Infantil e de Ensino Fundamental. Edmundo e Alberto foram crianças comuns que, bem mais tarde, o mundo inteiro aplaudiu como gênios conhecidos por seus nomes reais: Sigmund Freud e Albert Einstein.


Matéria por: Celso Antunes

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Celso Antunes
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BACHARELADO E LICENCIATURA: GEOGRAFIA – ESPECIALISTA EM INTELIGÊNCIA E COGNIÇÃO – MESTRE EM CIÊNCIAS HUMANAS, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1968/1972
• MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELOS DIREITO DA CRIANÇA BRINCAR (UNESCO)

• EMBAJADOR DE LA EDUCACION – ORGANIZACIÓN DE ESTADOS AMERICANOS

• MEMBRO FUNDADOR DA ENTIDADE “TODOS PELA EDUCAÇÃO”

• CONSULTOR EDUCACIONAL DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (CANAL FUTURA)

• EXÉRCITO BRASILEIRO – COLABORADOR EMÉRITO
PRODUÇÃO INTELECTUAL:

• AUTOR DE MAIS DE 180 LIVROS DIDÁTICOS – ED. DO BRASIL, ED. SCIPIONE. ED AO LIVRO TÉCNICO E OUTRAS

• AUTOR DE CERCA DE 100 LIVROS SOBRE TEMAS DE EDUCAÇÃO – ED. VOZES. ED. PAPIRUS. EDITORA PAULUS, EDITORA LOYOLA, ED. ARTMED. ED. ROVELLE ED. CIRANDA CULTURAL E OUTRAS.

• OBRAS TRADUZIDAS: ARGENTINA, MÉXICO, PERU, COLÔMBIA, ESPANHA, PORTUGAL E OUTROS PAÍSES

PALESTRAS E CURSOS:

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS EM TODOS OS ESTADOS DO PAÍS, MAIS DE 500 MUNICÍPIOS.

• MINISTROU PALESTRAS E CURSOS NA ARGENTINA, URUGUAI, PERU, MÉXICO, PORTUGAL, ESPANHA E OUTROS PAÍSES.

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