O medo de dentista é muito comum. Tão comum que está em muitas listas entre os 10 maiores medos das pessoas. O medo faz parte do ser humano e todos têm medo de algo, mas quando este se torna um fator incapacitante começa a atrapalhar. Muitos pais têm medo de dentista, muitas vezes gerado por um trauma prévio, e acabam transferindo isto para seus filhos, ou pior, deixam de levar seus filhos ao odontopediatra por medo que eles também sintam medo. Outra questão é a de que no dentista a criança será forçada ao tratamento, sendo contida fisicamente. De fato, é necessária a imobilização protetora da criança em alguns casos, como em traumatismos dentários por exemplo, nos quais o tratamento precisa ser feito imediatamente, caso contrário a criança pode perder o dente ou ter outros danos maiores. Nessas situações, se a criança não colaborar com a realização do procedimento, os pais, o dentista e/ou os auxiliares precisam conter seus movimentos para evitar que ela se machuque ou machuque outras pessoas, porém na maioria das vezes, quando se tem o condicionamento adequado da criança, isso não é necessário. A verdade é que se a criança nunca foi ao dentista, ela provavelmente não sabe como é e estará receptiva a esse aprendizado. E se estes primeiros contatos forem agradáveis, ela não terá medo.

E por que então as crianças choram quando vão ao dentista?

Porque elas associam a ida ao dentista com algo ruim. A mídia em geral prega isso (em desenhos animados o dentista é malvado e as pessoas que vão lá se machucam ou vão contrariadas), e muitas vezes até isso acontece por culpa dos próprios pais. Já os bebês choram na maioria das vezes por ser algo diferente de sua rotina, ter alguém abrindo e mexendo em sua boca, mas isso é uma reação natural e com o tempo o bebê acostuma e o choro para de acontecer.

Então como fazer para evitar que seu filho sinta medo?

Evite assustar a criança com seu medo e se você tiver uma consulta não se lamente ou diga quão ruim, penoso ou assustador você acha aquilo. Se você teve experiências ruins com dentista, deve evitar compartilhar as mesmas na frente de seus filhos. E pior ainda, nunca nem sob hipótese alguma associe ir ao dentista com dor. O seu filho absorverá tudo isso e quando for a vez dele ele irá encarar da mesma forma que você.

Não use o dentista como ameaça para que seu filho escove os dentes, ou seja, ensine que ele deve ter a higiene bucal adequada pois isso faz parte de uma vida saudável. Se for levar seu filho ao dentista diga que ele está indo àquela consulta para ficar com os dentes limpos, brancos, cheirosos e fortes e nunca use o dentista como castigo por ele não ter escovado os dentes direito.

Levar regularmente a criança ao odontopediatra, que é o dentista mais apto para lidar com crianças, desde bebê, mesmo que não necessite de tratamento, além de ser essencial para prevenir as doenças bucais, permite que ela acostume com a situação e crie uma relação de confiança com o profissional. Assim, se porventura futuramente a criança precisar de um tratamento mais invasivo ou emergencial, será mais fácil, sem medos e traumas.

Dessa forma, a visita ao odontopediatra não será traumatizante para nenhuma das partes. Mas e se você inadvertidamente cometeu as “gafes” acima ou esqueceu de cumprir as dicas ou mesmo cumprindo todas o seu filho apresenta medo de ir ao dentista? Nem tudo está perdido! Pode manter a calma, pois as crianças têm uma capacidade incrível de sobrepor experiências boas às ruins e se você levá-lo a um odontopediatra competente, ele com certeza saberá fazer o que chamamos de condicionamento da criança e seu filho irá perceber que não precisa ter medo de dentista. Além disso, existem terapias alternativas que são muito úteis nesses casos, como acupuntura e terapia com florais, as quais auxiliam no controle da ansiedade da criança e ajudam na aceitação do tratamento, sendo já utilizadas por muitos dentistas. informe-se com seu odontopediatra!

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Autora da Matéria | Colaboradora

Dra. Mariana de Oliveira Daltoé

Cirurgiã-Dentista
Especialista em Odontopediatria pela Associação Odontológica de Ribeirão Preto e Mestre em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (USP)

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